Quarta-feira, 21 de Fevereiro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº975

CADERNO DA CIDADANIA > MARANHÃO

Como construir a dignidade

Por Luiz Leitão em 09/12/2008 na edição 515

O governo do estado do Maranhão, administrado por Jackson Lago (PDT-MA), cujo mandato está sob risco de cassação, fez publicar, até agora, três anúncios coloridos de meia página no jornal O Estado de S.Paulo, um veículo publicitário caro que circula majoritariamente no sudeste do Brasil – 94% na capital e interior e apenas 6% nas demais regiões do país.

Segundo a tabela do jornal, a veiculação de meia página no primeiro caderno, em dias de semana, custa 137.498 reais. Supondo-se que os anúncios tenham sido publicados somente neste jornal e apenas três vezes, o inútil gasto terá sido de quase 412 mil reais. O exemplo acabado de mau uso de recursos públicos.

Na peça, sob o estranho título ‘Maranhão construindo dignidade’, o Executivo maranhense divulga suas realizações, obras, serviços sociais, enfim, nada mais do que a sua obrigação. Ainda que esse tipo de propaganda fosse admissível, não interessa ao leitor do Sudeste; deveria ser dirigida somente aos beneficiários das obras e serviços, os maranhenses.

Nem a mais fértil imaginação haverá de encontrar uma razão plausível para tal desperdício de dinheiro público, especialmente em um estado tão carente de recursos. A única finalidade admissível para a veiculação de anúncios governamentais em outros estados é a de promoção do turismo.

Escoadouro de recursos

Em quantos outros veículos inadequados esse anúncio terá sido veiculado? A publicidade paga de governos, com exceção de campanhas de utilidade pública ou para a promoção do turismo, é totalmente despropositada e dispensável porque obras públicas não precisam ser alardeadas. A população, auferindo os benefícios de ações e empreendimentos corretos, saberá avaliar o que foi feito de bom.

Como fazer obras e prover serviços é apenas cumprir com as obrigações, a propaganda de governo, fora das hipóteses acima, deveria ser proibida, tapando-se, assim, mais um dos inumeráveis ralos por onde escoa, inutilmente, considerável parcela dos sempre escassos recursos públicos.

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