Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > MÍDIA & SOCIEDADE

Comunicação para o desenvolvimento

Por Jacques Pena em 16/03/2010 na edição 581

Entender como comunicação pode promover desenvolvimento não é uma tarefa fácil. A própria academia debate qual o papel da comunicação e a serviço de quem ela atua. A informação, seja parcial ou imparcial, passou por inúmeras revisões nas últimas décadas, assim como as redações dos veículos e seus profissionais. Em um país onde existem tantas iniciativas comunitárias de desenvolvimento, a comunicação parece não acompanhar o que é produzido no interior das comunidades, diminuindo a possibilidade de reaplicação de técnicas e procedimentos.

A comunicação desenvolvida por instituições do Terceiro Setor envolve a formação de opinião de um público mais intelectualizado e uma ação de caráter mais pedagógico junto às comunidades envolvidas em seus projetos. Uma comunicação preocupada em apenas transmitir informações, muitas vezes renegando processos culturais, não é mais possível na atualidade e, embora esta necessidade seja notória, não existe uma ação concreta de comunicação no interior dos movimentos sociais.

O desafio, portanto, é preencher essa lacuna quanto à real importância dos projetos de comunicação realizados por instituições do Terceiro Setor, com o intuito de resgatá-la como um tema de fundamental importância para o processo de desenvolvimento do país. Uma comunicação que não somente divulgue ações, mas se comprometa a atuar conjuntamente.

Uma necessidade latente

Sabemos que, em relação à comunicação, o investimento segue uma dinâmica específica. Ao contrário de outras áreas como educação ou geração de renda, investir em ferramentas de comunicação traz um grande complicador quanto à avaliação, por se tratar de contribuições e resultados subjetivos – é muito difícil avaliar os resultados concretos que tais projetos trazem às comunidades beneficiadas.

Existe, ainda, a dificuldade de trabalhar com as características de cada veículo de comunicação, adequando a atividade potencial das comunidades ao meio que mais funciona localmente. A questão do alcance e da receptividade também corre o risco de ser desfocada e o debate segue para o mais prático: publicar em jornais já existentes, impedindo a criação de ferramentas novas e criativas.

A Fundação Banco do Brasil, que possui um Banco de Tecnologias Sociais, pode ser testemunha, pela quantidade de projetos de comunicação que este arquivo possui, do quanto essa necessidade é latente. Se a comunicação pode ser entendida como uma maneira de construção de identidade, cabe também a ela trabalhar em prol do país que queremos.

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Presidente da Fundação Banco do Brasil

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