Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CADERNO DA CIDADANIA > FREDY MUÑOZ

Correspondente da Telesur é detido acusado de terrorismo

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 28/11/2006 na edição 409

Nova York, 21 de novembro de 2006 – O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) está preocupado com a detenção de Fredy Muñoz Altamiranda, correspondente colombiano da rede regional de televisão Telesur, na noite do último domingo.


Agentes do Departamento Administrativo de Segurança (DAS) detiveram Muñoz no Aeroporto Internacional Eldorado de Bogotá por volta das 21h00, quando ele regressava dos escritórios centrais da Telesur em Caracas, Venezuela, segundo os relatos da imprensa e de uma fonte do CPJ. Tito Augusto Gaitán, advogado do jornalista, disse à imprensa que a ordem de prisão está baseada em acusações de ‘rebelião e terrorismo’. Muñoz foi inicialmente levado para os escritórios centrais do DAS, em Bogotá, e mais tarde transferido para os escritórios do órgão na cidade de Barranquilla, a 950 quilômetros da capital, informou uma fonte da Telesur ao CPJ.


O DAS informou em um comunicado à imprensa que, após investigações realizadas durante três anos, as autoridades haviam encontrado uma possível relação de Muñoz com uma série de ataques terroristas em Barranquilla e Cartagena, ocorridos em 2002. As autoridades assinalaram que testemunhas haviam identificado Muñoz como uma das várias pessoas que realizaram uma série de explosões que destruíram torres elétricas na costa caribenha, informou o El Tiempo. As explosões haviam sido atribuídas ao grupo guerrilheiro Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).


Em contato telefônico com a Telesur, Muñoz negou as acusações apresentadas contra ele, informou a agência Reuters. ‘Estas são acusações extremamente sérias e cabe ao governo colombiano o ônus de apresentar o caso de forma completa e na hora certa’, ressaltou o diretor-executivo do CPJ, Joel Simon. ‘Continuaremos investigando o caso de perto para assegurar que seja respeitado o devido processo’.


Johana Pañuela, produtora da Telesur na Colômbia, disse à Fundação para a Liberdade de Imprensa (FLIP) que Muñoz havia coberto durante o ano, principalmente, temas relacionados aos direitos humanos. Muñoz tem uma longa trajetória nos meios de comunicação colombianos como produtor de televisão e redator em jornais de Bogotá e Cartagena, informou o El Tiempo.


Uma fonte dos escritórios da Telesur em Bogotá disse ao CPJ que as matérias mais recentes de Muñoz abordaram temas relacionados à desmobilização de paramilitares, e os vínculos entre congressistas colombianos e forças paramilitares. A fonte ressaltou que os informes tiveram ampla repercussão na imprensa colombiana.


A Telesur qualificou a detenção como um ataque à liberdade de imprensa e seu presidente, Andrés Izarra, ressaltou que o canal considera que Muñoz é inocente. A Telesur, uma rede de televisão via satélite financiada pelos governos da Venezuela, Argentina, Cuba, Uruguai e Bolívia, foi lançada em julho de 2005 com a intenção de apresentar uma alternativa latino-americana a redes de notícia 24 horas, como a CNN.


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Moção aprovada pelo Conselho Deliberativo da ABI


Em Bogotá, capital colombiana, foi cometida uma arbitrariedade contra o correspondente da Telesur, o canal de integração latino-americana. Fredy Muñoz, jornalista colombiano, regressava de Caracas, onde foi fazer um curso de especialização para os correspondentes da emissora de televisão interestatal sendo preso no aeroporto. As autoridades colombianas o acusaram, absurdamente e sem o mínimo fundamento, de apoiar ‘a rebelião e o terrorismo’, por uma suposta ocorrência em 2002.


A ilegal prisão ocorrida no último dia 19, além de não ter a mínima justificativa, uma vez que Fredy Muñoz, 35 anos, exerce atividades jornalísticas desde pelo menos 1995, é, sem dúvida, uma atentado à liberdade de expressão, não apenas ao próprio repórter, como também a um espaço de informação livre e independente das injunções de mercado, como o canal Telesur. Ou seja, esta arbitrária prisão atenta sobretudo contra o jornalismo livre e crítico. Muñoz vinha cobrindo questões sindicais e do movimento popular e já trabalhou em jornais como El Universal e El Periodico, de Cartagena, de onde é oriundo.


Nós, conselheiros da Associação Brasileira de Imprensa, não podemos silenciar diante de um fato tão grave que tem reflexos sobre a imprensa independente e livre de injunções. A solidariedade a Freddy Muñoz e a Telesur é uma obrigação moral não apenas de todas as entidades representativas dos jornalistas, como da sociedade latino-americana, da qual fazemos parte e devemos estar sempre voltados. O silêncio nesta hora favorece ao arbítrio.


(a) Mário Augusto Jakobskind, Ivan Cavalcanti Proença e Jesus Antunes / Rio de Janeiro, 28/11/2006

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo.

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