Quinta-feira, 17 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1059
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CADERNO DA CIDADANIA >

Corrigindo um equívoco

Por Rubens Pazza em 29/09/2009 na edição 557

Na semana passada, publiquei um artigo neste Observatório questionando o texto de Ligia Hougland publicado no site Terra. Neste artigo, afirmei que alguns termos utilizados pela autora estariam deixando trespassar uma imparcialidade religiosa. Neste sentido, cheguei mesmo a acusar de desonestidade por não haver encontrado relação entre as palavras dos cientistas em seu texto em comparação com a matéria veiculada em agências internacionais de notícias.

Através de conversa por telefone, Ligia explicou que não é criacionista e que sua intenção não era dar este tom à notícia. Adicionalmente, ela informou que as fontes de seu texto vinham de um press release e de uma entrevista com os pesquisadores, motivo pelo qual as afirmações podem não bater com matérias veiculadas em outras agências. Em vista desta conversa, gostaria de fazer um pedido de desculpas público por ter levantado tais questionamentos. Realmente, foi um equívoco de minha parte levado principalmente pela tradução de finely designed em ‘perfeitamente criado’.

Evolução é fato

Desde 2005, tenho apontado como os artigos sobre ciência em veículos de comunicação de massa fornecem subsídios para os argumentos criacionistas e neocriacionistas. Basta notar que tais argumentos frequentemente são embasados em livros publicados ou artigos publicados em websites criacionistas, nunca em artigos científicos publicados em periódicos peer reviewed. O fato é que a população em geral não lê tais artigos e a principal fonte de notícias científicas é através dos meios de comunicação de massa. Por este motivo é que o jornalismo científico deve ser extremamente cuidadoso. Qualquer afirmação deve ser muito bem avaliada antes da publicação para evitar que haja uso indevido por parte destes grupos fundamentalistas. E isto vale também para os cientistas no momento de suas declarações. Os criacionistas gostam de ignorar o fato de que o design natural pode ser atribuído à evolução e conseguem usar uma declaração como esta como um argumento pró-DI.

Portanto, mais uma vez peço desculpas a Ligia Hougland, que foi injustamente taxada de criacionista por mim no outro texto. Por outro lado, gostaria de ouvir explicações da revista IstoÉ, onde consta a afirmação absurda veiculada na edição número 2080, na página 25: ‘Achava-se que esse `monstro´era fruto da evolução.’ Como assim, achava-se? Um dos cientistas envolvidos na descoberta, Stephen Brusatte, por exemplo, afirma: ‘We can say that these features did not evolve as a consequence of large body size but rather evolved as an efficient set of predatory weapons in an animal that was 1/100th the size of Tyrannosaurus rex and that lived 60 million years before Tyrannosaurus rex.’ Enfim, nada mudou em relação à evolução, mas em relação ao processo que levou à forma, design, do tiranossauro. Anteriormente, achava-se que aquele formato era uma decorrência da evolução pelo aumento do tamanho, o que foi refutado com esta descoberta. Nada de mais. De onde a redação da IstoÉ tirou a idéia de que poderia escrever tamanho absurdo?

Aos criacionistas, sigo afirmando: evolução é fato. Querem contestar, que arrumem evidências.

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Professor, Laboratório de Genética Ecológica e Evolutiva, Universidade Federal de Viçosa – Campus de Rio Paranaíba, MG

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