Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > LEI ANTIPAPARAZZI

Defesa da privacidade ou censura?

Por Giulio Sanmartini, de Belluno (Itália) em 23/01/2006 na edição 365

Paparazzo é o nome dado aos repórteres fotográficos invasores da privacidade dos VIPs. O nome foi usado pela primeira vez no filme La dolce vita (1960), de Federico Fellini. Não era, porém, como costuma aparecer, o nome de um colega de escola do diretor italiano. Quem o inventou foi o cenógrafo Flaiano: era o apelido de um hoteleiro calabrês.

Fato é que na ânsia de fotografar o inédito os paparazzi têm causado alguns incidentes desagradáveis. Podemos citar a rixa do ator Walter Chiari com um deles, que tentava a todo custo fotografá-lo com Ava Gardner, há muitos anos. Há também John Junior, filho de John Kennedy, que se lamentava das perseguições sofridas com a mulher; o mesmo acontecia com a princesa Soraya e com Jacqueline Onassis. Todavia, o acontecimento mais dramático foi o da princesa Diana, que encontrou a morte quando o motorista do carro que a conduzia tentava desembaraçar-se dos paparazzi.

Em Hollywood terminaria uma era: não existirão mais nuvens de fotógrafos prontos a tudo para um flash. O governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, acabou de publicar uma lei antipaparazzi, julgada indispensável depois de uma série de incidentes que envolveram artistas vítimas de fotógrafos muito agressivos. Há meses astros e estrelas pediam a proteção de uma lei mais severa. Leonardo Di Caprio tinha lançado um apelo a Schwarzenegger explicando que ‘antes ou depois alguém acabaria morto’.

A lei que defende os famosos é clara: aos paparazzi julgados culpados será dada multa três vezes superior aos danos causados; os diretores dos jornais também poderão ser incriminados. A época romântica da Dolce Vita parece muito distante, quando tudo se resolvia com alguns tapas. Tais fotógrafos, rebatizados pela imprensa estadunidense de stalkerazzi (de stalker, perseguidor), armados de teleobjetivas e câmeras cada vez mais sofisticadas, tornaram-se implacavelmente desagradáveis no afã de conseguir uma fotografia proibida envolvendo artista ou político.

Fora do coro

Para os VIPs dos Estados Unidos, a privacidade é sagrada. Tom Cruise, temendo ser seguido quando estava acompanhando a filha, não teve dúvidas em chamar a polícia. As táticas usadas são cada vez mais imprudentes: Scarlett Johansson (Lost in translation), perseguida por mais de 15 minutos, na fuga investiu contra o carro de uma família que visitava a Disneyland. Reese Witherspoon conta que, perseguida, foi jogada fora da estrada pelo carro de um dos paparazzi; Demi Moore, com seu jovem namorado, usa a porta dos fundos do edifício onde mora; Madonna corre como velocista mundial; De Niro enfrenta-os de cara feia; o príncipe de Hanover, marido de Carolina de Mônaco, quebra as máquinas e agride os mais ousados.

Mas nem sempre a lei está do lado dos VIPs. O paparazzo Galo César Ramirez, que investiu contra o Mercedes da jovem atriz Lindsay Lohan (Mean girls), não será condenado por decisão do juiz William Hodgman, de Los Angeles, que estabeleceu que o fotógrafo, mesmo dirigindo de forma imprudente, não teve a intenção de provocar o acidente em que a atriz e o paparazzo resultaram levemente feridos. Este foi o fato que levou Schwarzenegger a estabelecer a nova lei.

Quase todos reclamam dos paparazzi, mas há uma voz fora desse coro: a de George Clooney, talvez influenciado pelo espírito do jornalista Edward R. Murrow, que interpretou no filme Good night and good look [ver remissão abaixo]. Ele defende a Primeira Emenda da Constituição, que trata da liberdade de expressão: ‘Ser fotografado é o preço que se paga pela celebridade’. Mas acrescenta: ‘Alguns tablóides a interpretam de uma forma muito particular. Se alguém disser que pagará 400 mil dólares pela primeira foto do filho de Madonna, haverá milhões de pessoas prontas a transgredir a lei.’

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Jornalista

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