Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CADERNO DA CIDADANIA > FORMAÇÃO DO JORNALISTA

Diploma, um bom caminho

Por Plínio Bortolotti em 23/09/2008 na edição 504

Demorou, mas finalmente vejo algo razoável a respeito da pendenga sobre a exigência legal do diploma específico para o exercício da profissão de jornalista.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo (17/9), o Ministério da Educação (MEC) trabalha com a possibilidade de estender a graduados, em qualquer área do conhecimento, o direito de se registrar como jornalista, desde que o interessado curse disciplinas essenciais à área. A matéria da Folha de S.Paulo não esclarece se o curso complementar seria de pós-graduação: a meu ver teria de ser.

É uma posição que defendo pelo menos desde o ano de 2000, quando publiquei artigo no Observatório da Imprensa sobre o assunto, tendo feito o mesmo em uma das edições jornal da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj).

Essa proposição é combatida tanto pela corporação dos empresários (defendem a desregulamentação total) quanto dos trabalhadores (preferem agir como avestruzes).

Não vejo um único argumento que possa responder de forma coerente a esta pergunta: por que impedir a graduados de outras áreas o exercício da profissão, depois de cumpridas algumas exigências básicas?

O ‘Muro de Berlim’

Obviamente, uma nova regulamentação não eliminaria os cursos de Jornalismo, cujos concludentes continuariam com o direito de registro garantido.

Na reportagem da Folha, o presidente da Fenaj, Sérgio Murillo, afirma ter considerado a proposta do MEC ‘inoportuna’. Mas deu declaração um pouco diferente à rádio O Povo/CBN, no programa Debates do Povo (30/6), mediado por mim, na época.

Quando lhe expus os argumentos acima, Murillo respondeu: ‘Pessoalmente, tenho simpatia por essa idéia. O problema é garantir que haja uma regulamentação e se crie uma instância que permita o controle sobre a profissão. Se a gente tiver um Conselho Federal de Jornalismo, ele [o Conselho] pode discutir esse tipo de flexibilização.’ Murillo observou que a ‘flexibilização’ devia se restringir aos cursos de Ciências Humanas, e ressalvou que, ‘no momento’, a ‘grande batalha’ era defender a regulamentação atual.

Frente a isso, vamos torcer pelo avanço do debate, esperando que não prevaleça o laissez faire, mas que venha abaixo o ‘Muro de Berlim’ que hoje cerca a profissão no Brasil.

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Editor Institucional de O Povo, Fortaleza, CE

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