Segunda-feira, 18 de Março de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1028
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CADERNO DA CIDADANIA >

A ação legal à margem da sociedade

Por José Luiz da Silva em 31/01/2012 na edição 679

Para que serve a Polícia Militar do estado de São Paulo? Para repressão ao crime, seria a resposta mais aplicada e óbvia. Eles vão e reprimem. É a força auxiliar do Exército na sociedade para a manutenção da lei e da ordem. Onde for detectada uma ameaça, lá vão eles com os seus “camburões”, com aqueles nomes legais Rome, Rota, Garra, Tigre etc… No Paraná, a PM também tem esses nomes bacanas e, depois do filme Tropa de Elite, de José Padilha, todas as viaturas, com exceção das “baratinhas”, como se dizia no Rio, adotaram a alcunha de Bope.

Mas é a PM de São Paulo que está nos holofotes com a sua postura de guardiã dos interesses da sociedade e a sua missão constitucional de repressão ao ilícito. E assim vão eles, com as suas sirenes, seus cavalos e cães e, é claro, toda a tecnologia ao seu dispor: spray de pimenta, de gás, bala de borracha e imprensa. E reprime, sempre “dentro da legalidade”.

Assim foi na “marcha dos maconheiros”, na Avenida Paulista, contra os estudantes maconheiros da USP, contra os professores do Serra, que se não usam maconha provavelmente já usaram, pois antes de professores foram estudantes, logo… E é claro na turma da “cracolândia”, que não usa mais maconha, pois já está em outro nível, em se tratando da cadeia de psicoativos. O interessante de se notar é esta “conexão” existente entre as drogas e a atuação da PM paulista contra ilícitos e ameaças à ordem pública.

Irremediavelmente, a maconha ou outra droga é encontrada e exibida ao grande público, via grande mídia, em cadeia nacional, como um troféu de guerra. Não encontraram na “marcha da maconha” – também os caras não são tão doidões assim –, mas encontraram na USP, junto com os coquetéis molotov na “lição de democracia” do professor Geraldo e também, é óbvio, na “cracolândia”, mesmo sendo lá outro nível, como já disse. Encontraram também lá no Pinheirinho, onde famílias tiveram seus poucos bens e sua dignidade retiradas a fórceps pela PM paulista em nome da ordem pública e da lei, é claro – “tudo dentro da lei” –, segundo o “esqueminha” do e-mail da PM enviado por aí (sabe-se lá o critério).

Reclamar com o bispo?

E aqui fica uma indagação: Paulo Henrique Amorim, jornalista, em seu site Conversa Afiada, denuncia uma provável conexão entre o mega-hiper-platinium-investidor Naji Nahas e nada menos que o prefeito de São José dos Campos, um desembargador bom em carteirada e um deputado irmão do desembargador. Onde o braço armado da lei de São Paulo, a PM, foi usada em prol dos interesses escusos e especulativos dessa turma toda, na ação de desapropriação dos moradores do Pinheirinho? O partido político dos envolvidos é o branco e cheiroso PSDB, ou seja, ao que tudo indica, a polícia chefiada pelo governador de São Paulo, aquele que adora dar lições de democracia “nos outros”, pode estar envolvido como mandatário em uma megaoperação policial em nome dos interesses do sr. Nahas et caterva.

E agora? A população, o povo diferenciado e mal cheiroso (e provavelmente maconheiro, não esqueçam) busca a quem para pedir investigação e justiça? Como fazer e a quem recorrer para que a PM novamente invada e imponha a lei e a ordem dentro dos quesitos legais que ela sempre releva e respeita? Aos juízes, com seus mega-hiper-salários e interesses pessoais, mas sempre heroicos em defesa da lei, apesar do excesso de trabalho nos tribunais. Ou talvez ao bispo, ocupado com as crianças e com as campanhas difamatórias da Benneton? Não, talvez ao Ricardo Boechat.

Este é o retrato do pobre povo brasileiro. Só tem um Ricardo Boechat para reclamar.

***

[José Luiz da Silva é psicólogo, Curitiba, PR]

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