Terça-feira, 18 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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CADERNO DA CIDADANIA >

Controvérsia reprimida

Por FSP em 09/10/2012 na edição 715

A emissora de TV considerou que não conseguiria obter uma decisão judicial favorável ao formato proposto, com seis participantes. No entender dos organizadores, número maior tornaria o encontro improdutivo e longo demais. A lei estipula a participação em debates de todos os postulantes filiados a partidos com representação na Câmara dos Deputados. Na capital, oito dos 12 concorrentes preenchem esse requisito. Os excluídos, Levy Fidelix (PRTB) e Carlos Giannazi (PSOL), obtiveram liminar que garantiria a participação. Segundo o Datafolha, ambos ficam aquém de 1% das intenções de voto.

O debate, que seria o último antes das eleições de domingo, foi o terceiro suspenso em São Paulo. Os outros foram o da Record, previsto para anteontem (1/10), e o da Folha em parceria com o UOL, no fim do mês passado. Nesses dois casos, Celso Russomanno (PRB), líder nas pesquisas, inviabilizou a realização ao se negar a participar.

É lamentável que essa forma de esclarecimento de grande número de eleitores, na qual candidatos se expõem à controvérsia, pareça em franco declínio. Diversos fatores conspiram para que os debates percam interesse, ou não aconteçam. O primeiro é a própria legislação, que, no afã de ser equânime e democrática, peca por excesso de restrições e tolhe a liberdade jornalística dos meios de comunicação. Com efeito, seria aceitável – se não desejável – que a lei previsse debates com todos os postulantes no horário eleitoral obrigatório. Outra coisa é exigir de emissoras privadas a presença de um número de candidatos que não corresponde à realidade da disputa eleitoral.

A proliferação de partidos nanicos e de aluguel, que infestam as eleições com proponentes oportunistas e artificiais, é uma distorção que precisa ser combatida. Outros problemas dizem respeito às regras impostas pelos próprios candidatos, sempre inclinados a reduzir a participação de jornalistas e a limitar os embates. Por fim, tornou-se comum que líderes de pesquisas fujam dos debates, com receio de perder pontos com eventuais deslizes ou com ataques concertados de adversários.

Felizmente, tantas restrições não impediram de todo que se registrasse em São Paulo um mínimo de discussão. Num paradoxo, a presença relativamente despolitizada de Celso Russomanno como “elemento-surpresa” da eleição quebrou a cansativa rixa entre tucanos e petistas e levou ao debate de algumas propostas práticas. Na tentativa de contrastá-lo, os adversários se viram impelidos a apresentar ideias concretas em áreas como transporte e saúde. Muito aquém, todavia, do que seria possível e necessário.

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