Domingo, 21 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1033
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CADERNO DA CIDADANIA >

Enviado da UE é instado a pedir a libertação de jornalistas

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 24/03/2009 na edição 530

[Na véspera do sexto aniversário da maciça investida do governo cubano contra a dissidência, o CPJ enviou hoje uma carta ao comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da União Européia, Louis Michel, instando-o a solicitar a libertação dos jornalistas presos]


17 de março de 2009


Louis Michel


Comissário de Desenvolvimento e Ajuda Humanitária da União Européia


Berlaymont 10/165


1049 Bruxelas, Bélgica – e-mail: Louis.Michel@ec.europa.eu


Prezado sr. Michel,


Sua próxima viagem a Havana, nesta semana, coincide com o sexto aniversário de uma investida maciça contra a imprensa independente e a dissidência. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) o insta a solicitar ao governo de Raúl Castro que liberte os 21 jornalistas encarcerados em Cuba e que estenda a todos os cubanos o direito internacionalmente garantido à liberdade de expressão. Também pedimos que avalie o cumprimento, pelo governo cubano, das condições relativas a direitos humanos impostas pela União Européia após a suspensão das sanções diplomáticas em 2008.


Segundo informes da imprensa internacional e cubana, V. Sª. visitará Havana em 18 e 19 de março para participar de uma reunião de reavaliação de projetos de cooperação entre Cuba e União Européia. Durante sua viagem, V.Sª. se encontrará com funcionários públicos cubanos, inclusive o novo ministro de Relações Exteriores, Bruno Rodríguez.


Vida sob condições desumanas


Em 18, 19 e 20 de março de 2003, as autoridades cubanas ordenaram a detenção de 75 dissidentes, incluindo 29 jornalistas. Os acusados foram julgados em julgamentos sumários a portas-fechadas e receberam sentenças de até 24 anos de prisão. A Anistia Internacional os declarou prisioneiros de consciência e a UE impôs sanções diplomáticas a Cuba que, inclusive, proibiam visitas oficiais de autoridades de alto nível cubanas a países europeus.


Durante uma reunião do Conselho da União Européia em Bruxelas, em junho de 2008, a UE decidiu pela suspensão das sanções impostas contra Cuba em 2003 sob a condição de que Cuba melhorasse efetivamente a situação dos direitos humanos. O governo cubano também deveria libertar de maneira incondicional todos os prisioneiros políticos, facilitando o acesso de organizações humanitárias internacionais às prisões e implementando os pactos internacionais sobre direitos humanos recentemente assinados por Cuba, garantindo a liberdade de expressão e informação, incluindo o uso da internet. O CPJ enviou uma carta a V.Sª. em 25 de julho de 2008 instando a UE a responsabilizar Cuba por abusos contra a imprensa.


Durante os últimos seis anos, Cuba libertou um reduzido número de jornalistas e dissidentes em troca de concessões políticas, segundo investigações do CPJ. No entanto, 20 repórteres e editores, além de outro jornalista preso desde 2003, permanecem atrás das grades em Cuba, o país com maior número de jornalistas encarcerados no mundo depois da China. Estes jornalistas vivem sob condições desumanas, enquanto sua saúde se deteriora e as autoridades locais acossam suas famílias, de acordo com pesquisas realizadas pelo CPJ.


Condições impostas pela UE


Até hoje, nenhuma organização humanitária internacional visitou os jornalistas aprisionados em Cuba. O governo cubano tampouco ratificou o Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos, que garante ‘o direito à liberdade de expressão’, nem o Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, ambos firmados em fevereiro de 2008 pelo então ministro das Relações Exteriores, Felipe Pérez Roque. Em nosso informe anual, ‘Ataques à Imprensa em 2008‘, o CPJ detalhou as numerosas restrições que existem para acessar a internet em Cuba, já que somente os funcionários e pessoas com estreitos vínculos dentro do Partido Comunista possuem acesso pessoal à web. Em um país onde o governo controla completamente os meios de comunicação, jornalistas independentes que trabalham para sites de notícias na internet sediados no exterior continuam sendo ameaçados e acossados pela polícia secreta cubana.


Em 2008, a UE anunciou que suas relações com Cuba seriam examinadas anualmente após avaliar o progresso e o compromisso do governo cubano com diversos temas, incluindo os direitos humanos. Nós o instamos a aproveitar esta oportunidade para tratar destes temas com os líderes cubanos, a assegurar-se de que sejam cumpridas as condições impostas pela UE em matéria de direitos humanos, e a exortar o governo a libertar, de forma imediata e incondicional, todos os jornalistas injustamente aprisionados por exercerem seu direito humano à liberdade de expressão.


Sinceramente, Joel Simon, Diretor-executivo

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CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa no mundo

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