Quinta-feira, 13 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1017
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CADERNO DA CIDADANIA >

Ex-editor e colunista do NYT morre aos 84 anos

16/05/2006 na edição 381

Morreu na quarta-feira (10/5) A.M. Rosenthal, editor que levantou o New York Times da crise econômica nos anos 70 e o transformou em referência mundial de jornalismo. Rosenthal morreu de complicações de um infarto sofrido há um mês. O editor, conhecido como Abe, trabalhou durante quase toda a sua carreira no Times. Ele começou como jornalista freelancer em 1943. Posteriormente, foi promovido a repórter político e passou por vários cargos, como correspondente internacional e secretário de redação, chegando finalmente ao prestigioso posto de editor-executivo, onde ficou por nove anos desde 1977. ‘Abe era um gigante entre os jornalistas’, afirmou o publisher Arthur Sulzberger em declaração. ‘Ele era um grande editor com extraordinária lealdade a suas tropas’.

Integridade

‘Ele foi o maior editor da nossa era’, contou Arthur Gelb, ex-editor do Times e amigo íntimo de Rosenthal, a centenas de pessoas no funeral do jornalista, realizado no domingo (14/5), em Nova York. ‘Abe recentemente afirmou que queria que seu epitáfio fosse: ‘ele manteve o jornal íntegro’. E isto você fez, meu caro amigo’, afirmou Gelb. O escritor e vencedor do prêmio Nobel Elie Wiesel, o prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, os ex-prefeitos Edward Koch e Rudolph Giuliani e os jornalistas Mike Wallace, Gay Talese e Carl Bernstein foram alguns dos presentes na homenagem ao jornalista.

Rosenthal nasceu no Canadá e foi naturalizado cidadão americano. Discípulo da democracia americana, tinha imenso interesse em relações internacionais, nutrido em parte por uma década em que morou fora do país. Ele cobriu a ONU por oito anos, desde sua criação em 1946, e depois trabalhou na Índia, Suíça, Polônia e Japão. Sua cobertura do regime comunista de Varsóvia nos anos 50 lhe rendeu a expulsão do país, mas também lhe conferiu o prêmio Pulitzer de 1960 por reportagem internacional e o primeiro de dois Polk Awards. Rosenthal intensificou a cobertura metropolitana do Times, adicionou uma seção diária de economia e seções especializadas em esportes, lazer e ciência, e iniciou a prática de colocar na edição seguinte os erros cometidos pelo jornal.

No comando de Rosenthal, o Times publicou as reportagens sobre os documentos secretos do Pentágono, sobre a história do envolvimento dos EUA na Guerra do Vietnã, que ganhou um Pulitzer em 1972. Em 1986, enfrentando aposentadoria obrigatória, o jornalista deixou o cargo de editor para ser colunista duas vezes por semana. Em 1999, foi demitido abruptamente, sem explicações, segundo ele, a não ser um comentário de Sulzberger que ‘era hora’.

Rixa

Embora uma porta-voz do jornal tenha negado, alguns críticos especulam que a saída inesperada de Rosenthal estaria relacionada ao conhecimento público de uma longa rixa entre o editor e Max Frankel, seu sucessor como editor-executivo. Em uma autobiografia publicada meses atrás, Frankel criticou duramente o estilo administrativo de Rosenthal e afirmou que ele teria sido um personagem minoritário na decisão da publicação dos papéis do Pentágono. A resposta de Rosenthal foi reproduzida em um artigo de dezembro de 1999 da revista Vanity Fair. Entre diversas acusações, ele teria afirmado que Frankel perdeu o furo do escândalo Watergate para o Washington Post.

Enquanto seu brilhantismo profissional é extremamente reconhecido, o temperamento de Rosenthal não era tão admirado. Para alguns, ele tinha um comportamento autocrático. Ele deixa viúva, Shirley Lord, e três filhos do primeiro casamento – um deles repórter do Times. Informações de Richard Pyle [Associated Press, 10/5/06] e da Associated Press [14/5/06].

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