Terça-feira, 26 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº959

CADERNO DA CIDADANIA > FIM DE SEMANA, 10 E 11/03

Folha de S. Paulo

13/03/2007 na edição 424

SEGUNDO MANDATO
Kennedy Alencar

Lula quer criar rede pública de TV e tirar do papel projeto do PT

‘O presidente Luiz Inácio Lula da Silva está determinado a criar uma rede pública nacional de TV, nos moldes da britânica BBC, em seu segundo mandato. Essa foi uma das medidas discutidas por Lula quando fez o convite ao jornalista Franklin Martins para assumir a área de imprensa do governo.

No Planalto, dá-se como certo que Franklin ocupará o cargo que pode ter status ministerial e deverá ser anunciado na próxima semana com a reforma ministerial.

Segundo a Folha apurou, a idéia de Lula é tirar do papel um debate que vem sendo travado no PT e no governo a respeito de uma rede pública de TV.

No governo, há expectativa de que órgãos de comunicação e a oposição se manifestarão contrários à idéia, temendo que a rede pública possa ser instrumentalizada por Lula, Daí o presidente ter mencionado em conversa com auxiliares que a rede deveria ter autonomia em sua gestão. Mais: o governo discutiria com variados setores da sociedade o modelo administrativo e jurídico da rede.’



MÍDIA & POLÍTICA
Sylvia Colombo e Rafael Cariello

Inglês diz que esquerda está perdida

‘A esquerda perdeu o rumo. De novo? Pois é. Não bastasse ter visto seu principal referencial -a revolução socialista- sumir de vez no horizonte, a mais nova acusação contra os que sempre consideraram deter o ‘monopólio do bem’ é de terem, em anos recentes, abandonado os próprios valores.

Em ‘What’s Left – How Liberals Lost Their Way’ (ed. Harper Collins), o britânico Nick Cohen, colunista do jornal ‘The Observer’ e da revista ‘New Statesman’, argumenta que a esquerda foi capaz, movida por um dos últimos traços ideológicos que sobraram para mantê-la unida -o antiamericanismo-, de chegar ao ponto de se aliar a movimentos e governos totalitários e fascistas. A obra causou polêmica, no

mês passado, ao ser lançada na Inglaterra. Foi saudada com reverência pela revista liberal ‘The Economist’ e criticada em artigos no diário de centro-esquerda ‘Guardian’. Cohen acusa os esquerdistas americanos e europeus de terem apoiado e se aliado aos ‘fascistas islâmicos’ para contestar as potências ocidentais no contexto da Guerra do Iraque.

Ele explica porque é possível chamar muitos movimentos políticos muçulmanos de ‘fascistas’ e porque a esquerda está ‘dando as costas’ a antigos companheiros e às minorias que defendia ao apoiá-los.

‘A antiga esquerda foi sempre o primeiro alvo dos fascistas islâmicos. Na revolução iraniana, os socialistas estavam entre os primeiros a serem perseguidos’, disse o escritor em entrevista à Folha, citando, ainda, a diminuição da liberdade das mulheres naquele país. ‘Mas essas pessoas são tão antiamericanas que acham difícil ficar contra vítimas dos EUA [como o regime de Saddam Hussein ou, potencialmente, o Irã], mesmo se as vítimas forem da ultra-direita.

Terminam agindo de um modo que não é de esquerda.’

O antiamericanismo, diz Cohen, combina muito bem com o multiculturalismo, outro traço distintivo da esquerda recente, segundo ele, desgovernada. ‘Há todo esse movimento pós-moderno multiculturalista, forte tanto nos EUA quanto na Europa. A idéia de que é racista ou imperialista criticar práticas não-liberais em outras culturas.’

Esse é mais um comportamento que Cohen diz ser contrário ao que sempre se entendeu como ideais de esquerda. ‘Isso significa dizer, de alguma maneira, que oprimir as mulheres no Rio de Janeiro pode até ser ruim, mas, em Cabul, é ‘ok’. É uma idéia bastante reacionária. A esquerda sempre defendeu ideais universais.’

Cohen se diz um homem de esquerda e conta, de modo divertido, como sua mãe, uma militante engajada em sua juventude, controlava seus hábitos de lazer e alimentares quando ele era criança.

Comer frutas da Espanha ou de Portugal, por exemplo, era proibido -por causa das ditaduras de Franco e Salazar, respectivamente. Consumir histórias em quadrinhos produzidas por empresas cujos funcionários não fossem sindicalizados, idem. ‘Eu vim de uma terra em que você pode ser considerado vendido por comprar um comic. Eu vim da Esquerda’. O jornalista escreve assim, em caixa alta mesmo. ‘Trata-se de uma generalização; é muito difícil dizer o que esse termo significa hoje, mas você conhece a Esquerda assim que a vê.’

Cohen divide o que restou do esquerdismo hoje por meio da seguinte tipologia. Primeiro, existem o que chama de ‘far left’ (esquerda radical), ou seja, ‘os poucos leninistas restantes que ainda acreditam, ou fingem acreditar, que eles podem tomar o Estado para fundar um regime totalitário’ -também são conhecidos como ‘chomskyanos’, fazendo referência ao lingüista e hoje engajado agitador de esquerda, Noam Chomsky.

Depois, viria a ‘old left’ (velha esquerda), composta pelos sindicatos, cujas reivindicações se reduziram apenas a melhores salários. A seguir, aquela que ataca no livro de maneira específica: a ‘esquerda liberal’, de classe média intelectualizada, antiamericanista e preocupada com o respeito à diversidade e às minorias.

Cohen diz que começou a ficar estarrecido com a ‘esquerda liberal’ durante as manifestações contra a Guerra do Iraque. Todas as pessoas que respeitava intelectualmente na vida pública, diz, eram contra a ocupação e foram às ruas dizer isso abertamente. ‘O modo como se preocuparam com a invasão do Iraque, entretanto, não se estendia para a cortesia de, ao menos, conversar com os iraquianos. Eu achava que, uma vez a guerra tendo acabado, estas pessoas iriam apoiá-los para tentar construir a democracia.’ Cohen diz que esperou, espero, e, por fim, se cansou. Como nada do que aguardava aconteceu, resolveu começar a escrever este livro.

Colaborou RAUL JUSTE LORES, da Reportagem Local’



TELECOMUNICAÇÕES
Folha de S. Paulo

Telefônica quer triplicar clientes em TV via satélite

‘A Telefônica pretende triplicar a base de clientes que conquistou no mercado de TV via satélite ao acertar a parceria com a DTHi. A expectativa é chegar ao final no ano com 150 mil clientes e cobertura em todo o Estado de São Paulo.

Na quinta, a Anatel autorizou a tele a oferecer o serviço em todo o país.

O diretor-geral da Telefônica, Stael da Silva Filho, diz que a estratégia será oferecer preços competitivos e pacotes flexíveis. Segundo ele, a tele planeja estruturar pacotes menores, que não façam o cliente pagar por canais que não deseja.

Segundo o executivo, a empresa vai acelerar a negociação com a TV aberta para tornar seus pacotes mais atraentes.

Ele negou as acusações de que a empresa praticaria dumping, conforme queixa enviada à ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) pela Big TV, responsável por serviço de cabo em 12 cidades, e pela Boa Vista TV. As operadoras alegam que os preços de venda da tele são inferiores ao custo pago pela programação.

‘Quem pratica os preços é a DTHi. Mas, se fizer um levantamento de ofertas no mercado, não é a mais barata’, afirmou. Segundo ele, há pacotes mais baratos até entre as empresas que prestam serviço na mesma região que a Telefônica.

Mesmo com o aval da Anatel para atuar no segmento por conta própria, a Telefônica diz descartar, no momento, romper a parceria com a DTHi.’



MEMÓRIA / GERARDO MELLO MOURÃO
Folha de S. Paulo

Morre aos 90 anos o poeta Gerardo Mello Mourão

‘O poeta e escritor cearense Gerardo Mello Mourão morreu na madrugada de ontem, no Rio, aos 90 anos. Ele estava internado desde janeiro na Casa de Saúde São José, no Humaitá (zona sul), e foi vítima de falência múltipla de órgãos. O enterro será hoje, às 17h, no cemitério São João Batista (RJ).

Mourão tinha problemas respiratórios e cardíacos havia muito tempo, e piorou depois de ter sofrido uma queda ao descer de um avião.

Um dos três filhos de Mourão é o artista plástico Tunga, que estava fora do país ontem e voltará para o sepultamento. O poeta também deixa viúva, Léa.

Correspondente da Folha em Pequim entre 1980 e 1982, Mourão escreveu obras importantes como o romance ‘O Valete de Espadas’ (1960); o livro de poemas ‘Peripécias de Gerardo’ (1972), vencedor do Prêmio Mário de Andrade, da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte); e o épico ‘Invenção do Mar’ (1998), ganhador do Prêmio Jabuti. Foi um dos poucos brasileiros indicados ao Prêmio Nobel de Literatura -em 1979.

Nascido em Ipueiras, no Ceará, em 8 de janeiro de 1917, estudou em seminário em Congonhas do Campo (MG) e, depois, em um convento em Juiz de Fora (MG), onde aprendeu holandês, latim e grego. Ao longo da vida, viria a falar nove idiomas.

Antes de se dedicar à produção literária, no entanto, deixou o convento, ingressou no curso de direito (que não chegou a concluir) e se filiou à Ação Integralista Brasileira (AIB), movimento nacionalista, com traços de direita. Nessa época, passou a se dedicar também ao jornalismo e a dar aulas em vários colégios.

O envolvimento com o integralismo faria Mourão ser detido inúmeras vezes entre 11 de maio de 1938 -quando participou com os camisas-verdes do ataque ao Palácio Guanabara- e 1945, ano do fim do Estado Novo. Em 1942, acusado de colaborar com nazistas, foi condenado à morte -pena reduzida a 30 anos de prisão, dos quais cumpriria menos de seis.

Em 1977, no livro ‘Suástica sobre o Brasil’, o brasilianista Stanley Hilton acusaria o escritor de ter participado de uma rede de espionagem nazista no país.

Amigo próximo do escritor francês Michel Deguy e do chileno Pablo Neruda, Mourão foi, nos anos 60, professor de história e cultura da América na Universidade Católica do Chile. Duas vezes deputado federal por Alagoas, teve seus direitos políticos cassados em 1969 pelo regime militar. Na década de 80, foi presidente da Rio Arte e secretário de Cultura do Estado do Rio.’

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Folha de S. Paulo – 1

Folha de S. Paulo – 2

O Estado de S. Paulo – 1

O Estado de S. Paulo – 2

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