Domingo, 13 de Outubro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1058
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CADERNO DA CIDADANIA >

Folha de S. Paulo

29/09/2009 na edição 557

FUTEBOL
Ruy Castro

Escrito na história

‘RIO DE JANEIRO – Para quem gosta de futebol, um velho álbum de figurinhas vale por uma caixa de ‘madeleines’, no sentido de reavivar lembranças. Um deles, ‘As Figurinhas da Copa União’, editado pela ‘Placar’, dirigida por Juca Kfouri, caiu-me às mãos outro dia.

Refere-se ao famoso Campeonato Brasileiro de 1987, aquele que a CBF, por falta de organização e recursos, abriu mão de comandar e foi oficialmente assumido pelos principais clubes do país, reunidos no Clube dos 13. Não por acaso, o álbum, lançado no início da competição, trazia como subtítulo ‘O Verdadeiro Campeonato Brasileiro’.

Que timaços! O São Paulo tinha Rojas, Zé Teodoro, Darío Pereyra, Silas, Pita, Müller e Raí. O Corinthians tinha Valdir Peres, Wladimir, Biro-Biro e Everton. O Palmeiras, Zetti, Célio, Edu e Tato. E o Santos, Rodolfo Rodrigues, César Sampaio e Mendonça. Isso apenas entre as figurinhas carimbadas.

O Grêmio ostentava Mazaropi, Bonamigo, Valdo, Lima e, olha só, o Cuca. O Internacional vinha de Taffarel, Gilberto Costa e Amarildo. O Atlético Mineiro trazia João Leite, Luizinho, Sergio Araújo e Zenon. O Cruzeiro apresentava Ademir, Careca e Claudio Adão.

O Botafogo, menos reforçado, dependia de Josimar e Mauricio. Já o Fluminense, com Paulo Vitor, Ricardo Gomes, Leomir, Romerito, Washington e Assis, era uma potência. E o Vasco, com Acácio, Mazinho, Geovani, Roberto Dinamite e um gênio de 21 anos chamado Romário, não ficava atrás. Mas o Flamengo, treinado pelo estreante Carlinhos, era um escrete: Zé Carlos, Jorginho, Leandro, Aldair, Leonardo, Andrade, Zico, Renato Gaúcho, Bebeto e Zinho, com Edinho, Alcindo e Nunes na reserva.

Grandes times, grandes jogos, grande campeonato. Está escrito na história de todos que o disputaram, tanto no campo como no bafo-bafo.’

 

DIREITOS HUMANOS
Folha de S. Paulo

Anúncios que pedem papéis da ditadura vão ao ar amanhã

‘O governo federal começa a veicular amanhã, ao custo de R$ 13,5 milhões, anúncios em TV, rádios, jornais e revistas para estimular a entrega de documentos sobre a localização de desaparecidos no regime militar (1964-85).

Produzida pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência, a campanha vai durar dois meses e será veiculada nacionalmente em TV e revistas -em rádio, será mais concentrada na região do Araguaia.

Os filmes para TV, que contam com a participação de familiares de desaparecidos políticos, foram dirigidos pelos cineastas Cao Hamburguer, João Batista de Andrade e Helvécio Ratton.

Segundo o governo, quem entregar documentos -o que pode ser feito pela internet (www.memoriasreveladas.gov.br)- terá a garantia de anonimato. O material coletado será encaminhado ao Centro de Referência das Lutas Políticas no Brasil -Memórias Reveladas.

Para o ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, ‘qualquer que seja a divergência ideológica, histórica política sobre o período, ninguém pode ter divergência sobre o direito de localizar os restos mortais e sepultar’.’

 

TELEVISÃO
Helio de La Peña

‘Saturday Night Live’ ainda garante o riso sem apelação

‘‘Live from New York, it’s saturday night!’ Nesta noite, milhões de americanos estarão nos seus sofás ouvindo o famoso grito de guerra. É o início da 35ª temporada do mais duradouro programa de humor da TV americana (ainda sem previsão de chegar ao Brasil). Mas isso não o torna uma atração gagá. ‘SNL’ trabalha com atualidades, comenta fatos que estão rolando e traz convidados que estão na boca do povo.

No ano passado, a comediante Tina Fey foi notícia no mundo inteiro ao fazer uma imitação perfeita da ex-governadora do Alasca Sarah Palin, na época candidata a vice-presidente na chapa de McCain, derrotado por Obama. Como resultado, Tina ganhou mais um Emmy.

‘Saturday Night Live’ é uma das poucas comédias que fazem sucesso fora do formato sitcom.

Trata-se de um programa de esquetes, sempre fazendo graça com os políticos, os costumes ou com a ‘bola da vez’, aqueles que se destacam por ter pisado na bola em público. A cada episódio, um convidado é o mestre de cerimônias, além de atuar em diversos quadros.

Junto com o convidado, uma atração musical de peso mostra seu sucesso mais recente. O programa ‘Casseta & Planeta’ estreou em 1992 com o slogan ‘jornalismo mentira, humorismo verdade’. Também trabalhamos com fatos atuais, sejam eles políticos, sejam do esporte ou da TV.

Há muitos pontos em comum entre os dois programas. Tanto que, ao tentar descrever o Casseta para um gringo, sempre faço referência ao ‘SNL’. As caracterizações precisas, as atuações muitas vezes exageradas, farsescas, a participação de convidados são alguns fatores que compõem esta identificação.

Ao pegar no pé dos políticos, eles dão preferência a criar um personagem à imagem e semelhança do picareta, como também fazemos (vide Sarah Palin lá e José Sarney aqui). Algumas vezes eles vão fundo e o próprio político vai ao programa se autossacanear. Os EUA são a nação do entretenimento, não há necessidade de serem cerimoniosos com as autoridades, elas sabem quando estão fazendo parte de uma comédia e que nada ali é para ser levado a sério.

Outro aspecto curioso são as paródias de comerciais. Lá é possível brincar com as marcas e logos originais sem que se passe como depreciação do produto. Aqui buscamos uma saída com as Organizações Tabajara, que lançam todo tipo de mercadoria e serviço, nos deixando livres para mexer com o formato sem incorrer em questões jurídicas com empresas.

‘Casseta & Planeta’ é feito por um grupo fixo de autores-atores: nós escrevemos as besteiras em que vamos atuar. Ainda que tenhamos uma equipe de redatores colaboradores, somos nós quem assinamos o texto final. No ‘SNL’ um grupo de redatores escreve para um elenco estelar de comediantes que se renova, alguns também tomando parte da redação.

Seth Meyer atua e escreve. Tina Fey foi a primeira mulher a chefiar a redação. O resultado é uma sinergia entre quem atua e o que está sendo dito.

O ‘SNL’ é um celeiro de grandes comediantes. Eddie Murphy, Steve Martin, Mike Myers, Will Ferrell, John Belushi e toneladas de outros ficaram conhecidos nacionalmente fazendo o americano rir no show dos sábados. O programa é antigo, sem muitas surpresas, mas o riso é garantido. Sem apelação, sem grosserias. Não importa quando foi criado, o que interessa é que você se senta em frente à TV num sabadão e dá boas gargalhadas. É o que se espera de uma série de humor.

SATURDAY NIGHT LIVE

Quando: 34ª temporada aos sábados, à 0h; nova temporada ainda sem previsão de estreia

Onde: Sony

Classificação: não informada

HELIO DE LA PEÑA é humorista exclusivo do ‘Casseta & Planeta’, da TV Globo.’

 

Folha de S. Paulo

‘Melrose Place’ tem retorno de atores antigos

‘Depois de estrear com baixa audiência no início deste mês uma nova versão da popular série dos anos 90 ‘Melrose Place’, o canal de TV a cabo CW confirmou o retorno de alguns atores do programa original, em uma tentativa de ampliar o ibope.

A principal estrela que volta é a atriz Heather Locklear, intérprete da maliciosa personagem Amanda Woodward de 1992 a 1999. Outros retornos confirmados pelo canal são Laura Leighton, Thomas Calabro, Josie Bissett e Daphne Zuniga.

Locklear, 47, havia dito em março à revista ‘Entertainment Weekly’ que não havia possibilidade de um retorno, já que a ideia ‘não fazia sentido’. A série deve estrear no Brasil em novembro, pela Sony.’

 

Folha de S. Paulo

Série de Ashton Kutcher tem baixa audiência

‘Ashton Kutcher, a celebridade mais popular do serviço de microblogs Twitter, com mais de 3 milhões de seguidores, está tendo dificuldades de audiência com a série que produz.

‘The Beautiful Life’, que nesta semana teve seu segundo capítulo transmitido em horário nobre pelo canal a cabo CW (ainda sem previsão para o Brasil), teve menos de 1 milhão de telespectadores -um terço dos seguidores de Ashton na internet. Com isso, a imprensa norte-americana já especula um possível cancelamento do programa.

A série retrata a vida de um jovem de área rural que muda para Nova York com a intenção de se tornar modelo e salvar a fazenda da família.’

 

QUADRINHOS
Pedro Cirne

Allan Sieber faz piada com jornalismo

‘O subtítulo pode deixar dúvidas: ‘É Tudo Mais ou Menos Verdade – O Jornalismo Investigativo, Tendencioso e Ficcional de Allan Sieber’. A coletânea de HQs do gaúcho Sieber é um livro de humor ou de reportagens em quadrinhos? ‘Sem dúvida, é mais de humor. Mas tem esse título apelativo que eu escolhi’, brinca Sieber, que publica aos sábados a tira ‘Preto no Branco’, na Ilustrada, e também desenha para o Folhateen.

‘Tem reportagens em quadrinhos, como o passeio na favela com gringos, mas não são reportagens com compromisso com a verossimilhança. Não que não tenham acontecido daquele jeito. É mais eu extrair o humor daquela situação e me botar como personagem do que retratar fielmente o que aconteceu. É pegar o espírito da coisa.’

A expressão ‘jornalismo em quadrinhos’ remete, atualmente, a Joe Sacco, quadrinista que viaja para zonas em conflito (como a Palestina) e escreve histórias autobiográficas sobre suas experiências. ‘O que eu faço é um jornalismo muito entre aspas em quadrinhos, diferente do Sacco’, diz Sieber. ‘Todas as HQs que estão ali aconteceram. Em algumas histórias, eu troco o nome de pessoas, para não expô-las. Dei uma certa dourada na pílula, mas tudo o que está ali aconteceu naquela ordem e naquela intensidade.’

O livro reúne dois tipos de HQ: as criadas sobre as memórias do próprio Sieber ou de seus amigos; e aquelas em que ele foi pautado por alguma revista. Por exemplo: ser enviado a um evento e relatar não o que aconteceu lá, mas as suas próprias impressões. Nesses casos, o que vale não são os debates entre os escritores convidados da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), mas o que Sieber sentiu ao circular pelo encontro.

‘Eu acho legal que sempre me pautaram para eventos que, a princípio, eu teria de cara certa antipatia: Fashion Rio, camarotes da Brahma, Flip, que é um festival de literatura em um país em que ninguém lê nem horóscopo’, diz o quadrinista.

‘Eu gosto por ter um desafio pela frente: uma situação adversa em que estarei desconfortável.’ Em comum, as histórias trazem o humor ácido e crítico de Sieber em relação a tudo. Apesar da menção à imprensa no subtítulo, nem os jornalistas são poupados: na única HQ em que um repórter aparece em ação, ele termina sendo ‘espancado’ -pelo próprio Sieber, é claro.

É TUDO MAIS OU MENOS VERDADE – O JORNALISMO INVESTIGATIVO, TENDENCIOSO E FICCIONAL DE ALLAN SIEBER

Autor: Allan Sieber

Editora: Desiderata

Quanto: R$ 49,90 (128 págs.)’

 

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