Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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CADERNO DA CIDADANIA >

Garrote na mídia

Por Vilson Antonio Romero em 22/09/2009 na edição 556

Da fronteira com os Estados Unidos para baixo, até a Patagônia, no sul da América do Sul, os veículos de comunicação social e seus profissionais continuam sofrendo ataques, constrangimentos, pressões, violências e atentados que afrontam o ato e o dever sagrado de bem informar. Há quase uma pandemia de afrontas à liberdade de expressão.

No México, somente em 2009 já morreu quase uma dezena de jornalistas, sucumbindo à tentativa de informar sobre o domínio dos narcotraficantes, em especial no território de Oaxaca e em Ciudad Juarez. Já chegam a 52 as perdas na última década.

Na Guatemala, já sucumbiram dois profissionais da mídia desde janeiro. Em Cuba, permanecem aprisionados 25 repórteres, editores e outros profissionais que ousaram levantar a voz ou escrever contra o ‘pensamento único’ dominante na ilha.

El Salvador entrou no mapa das notícias ruins com o assassinato, em 5 de setembro, de um documentarista francês que cobria a movimentação de uma gangue nos arredores da capital. Enquanto isto, os funcionários e as sedes dos órgãos de comunicação simpatizantes ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, têm sofrido constantes atentados. Na vizinha Nicarágua, o conflito parte do Palácio Nacional, ocupado pelo presidente Daniel Ortega, intolerante com a mídia crítica.

Passando o canal do Panamá, a situação se agrava. O caudilhismo impera. Na Venezuela chavista, a briga é de cachorro grande. O garrote nos opositores se iniciou em 2006, com o fechamento da rede RCTV, e segue até hoje com a retirada do ar de rádios e processos contra grupos que levantam a voz contra os inquilinos do Palácio Miraflores. O alvo mais recente é a TV Globovisión, que sofre seis ações administrativas e judiciais que objetivam cassar sua concessão.

Direito soberano

Na Bolívia e no Equador, a imprensa é seguidamente constrangida e pressionada pelos populistas Evo Morales e Rafael Correa que, em todas as oportunidades que podem, ameaçam a liberdade de expressão em seus países.

Enquanto no Brasil o grande embate da mídia ocorre nas barras dos tribunais, onde tramitam mais de três mil processos contra jornais, revistas, TVs e jornalistas, outro caso grave se verifica também na vizinha Argentina. O casal K, Cristina e Nestor Kirchner, que domina a Casa Rosada há dois mandatos, recrudesce na tentativa de amordaçamento da mídia não alinhada. Além apresentar um projeto que quebra o monopólio da radiodifusão, promoveu nos últimos dias atos de evidente pressão contra o maior grupo de comunicação do país e da América Latina, o Clarín, que tem sido inclemente nas críticas e nas denúncias de corrupção do governo.

Como atestaram em manifesto conjunto, há poucos dias, diversas entidades de defesa da liberdade de expressão do continente, há tentativas fortes e inequívocas de garrotear a mídia nas terras latino-americanas. Cada vez mais, a sociedade tem de se levantar contra práticas inconcebíveis de governos, grupos e criminosos que atentam contra o soberano direito de os cidadãos serem bem informados.

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Jornalista, auditor, diretor da Associação Riograndense de Imprensa e da Fundação Anfip de Seguridade Social

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