Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > TERÇA-FEIRA, 3/07

Governo fará parceria por
banda larga nas escolas

Por Luiz Antonio Magalhães em 03/07/2007 na edição 440


Leia abaixo os textos de terça-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Terça-feira, 3 de julho de 2007


INTERNET
Gerusa Marques


Banda larga faz governo mudar regra


‘O governo vai investir numa parceria com a iniciativa privada para tirar do papel o projeto de levar internet em alta velocidade às escolas públicas de todo o País. O Palácio do Planalto concluiu que não dá para investir sozinho na empreitada e quer utilizar a infra-estrutura já existente das empresas de telefonia para cumprir a promessa feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em seu discurso de posse, de colocar banda larga em todas as escolas.


As concessionárias de telefonia fixa trocariam a obrigação de criar 7.800 pontos de telefonia, os chamados Postos de Serviços de Telecomunicações (PSTs), pela meta de instalar internet em alta velocidade em escolas públicas. O governo, de seu lado, trabalha para finalmente usar os recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust).


Para que as empresas possam trocar suas obrigações, é necessário que o presidente edite um decreto, adiando a entrada em vigor da exigência da construção dos PSTs, prevista para 1º de agosto. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse que já encaminhou ao Planalto uma minuta de decreto. Mas o governo está aguardando um levantamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de quanto as empresas gastariam para instalar os postos de telefonia.


Os cálculos das empresas apontam para cerca de R$ 800 milhões e os do governo, para R$ 1 bilhão. ‘Achamos que é uma boa proposta, mas queremos que eles usem todo o dinheiro que teriam de investir no PST. Se ia custar R$ 1 bilhão, que invistam R$ 1 bilhão. Isso não é uma negociação’, afirmou o ministro Hélio Costa.


As empresas dizem que dá para esperar pelo decreto até o final desta semanas porque, do contrário, terão de começar a comprar os equipamentos do PST para instalá-los até o fim do mês, sob pena de serem multadas pela Anatel. ‘É o prazo máximo. Se não sair, vamos implantar o PST e depois não venham pedir banda larga nas escolas’, avisou o presidente da Associação Brasileiras das Concessionárias de Serviço Telefônico Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti.


O uso do dinheiro do Fust pode ser apressado por uma proposta que tramita no Congresso. É um projeto de lei, de autoria do senador Aloizio Mercadante (PT-SP), que prevê a liberação anual de 75% da arrecadação do fundo de 2008 a 2013. A proposta já foi aprovada no Senado e seguirá para a Câmara dos Deputados.


A parceria com as teles prevê que em três anos serão atendidos 89% dos alunos da rede pública, sendo 60% já no primeiro ano. A previsão é a de que, em cinco anos, as 172 mil escolas de ensino fundamental, médio e superior do País terão acesso à internet em alta velocidade. ‘Não tem como fazer um projeto como esse se não for em parceria’, disse ao Estado o senador Mercadante.


No Brasil, segundo o senador, 3.600 municípios ainda não têm banda larga. A situação das escolas públicas é ainda pior: metade delas não tem sequer computador – e nas que possuem, uma máquina tem de ser compartilhada por 150 alunos. ‘O Brasil precisa olhar isso como uma questão estratégica do desenvolvimento’, afirmou.


No discurso de posse, em 1º de janeiro passado, Lula disse que a qualidade do ensino passava pelo desenvolvimento da infra-estrutura tecnológica e prometeu ‘informatizar todas as escolas públicas’ do País.


O Fust já arrecadou cerca de R$ 5 bilhões desde 2001, mas esse dinheiro não foi utilizado em nenhum programa. A idéia do governo é utilizar os recursos arrecadados a partir deste ano, com previsão de receita anual de cerca de R$ 600 milhões. Mercadante argumenta que a situação fiscal do País está melhor hoje, houve redução da dívida pública e da taxa de juros, o que contribui para a liberação do dinheiro do fundo.


‘Com 75% dos recursos do Fust nós asseguramos, em cinco anos, colocar internet para atender 45 milhões de alunos da rede pública do Brasil’, calcula Mercadante. A idéia é garantir um computador para cada grupo de 10 alunos. Equipamentos, treinamento e material didático serão financiados pelo Ministério da Educação. Para atender todas as escolas, segundo o senador, serão necessários 2,1 milhões de computadores e 242 mil laboratórios.


O início da implantação do projeto será pela área urbana, que concentra 84% dos alunos e 56% das escolas. A área rural começaria a ser atendida a partir do terceiro ano. Segundo o senador, a viabilidade da proposta apresentada pelas empresas converge com os estudos que vinham sendo realizados pelo Núcleo de Assuntos Estratégicos (NAE) da Presidência.’


DOW JONES À VENDA
Brad Stone


Murdoch ganha rival na disputa pela Dow Jones


‘Na contínua saga de Rupert Murdoch pela compra da Dow Jones & Co., talvez a reviravolta mais estranha seja a oferta rival de Brad Greenspan, ex-diretor-presidente da Intermix Media – empresa que era a dona da rede de relacionamento social pela internet MySpace antes da venda para a News Corp., de Murdoch.


Greenspan, um empresário de internet de 34 anos baseado em Los Angeles, lidera um grupo de investimentos (embora não divulgue seus financiadores) que diz estar disposto a pagar US$ 1,25 bilhão para comprar 25% da Dow Jones, pagando US$ 60 por ação.


A News Corp. oferece o mesmo valor por todas as 85 milhões de ações, mas Greenspan disse acreditar que sua oferta garante a independência editoria do Wall Street Journal, a principal publicação da Dow Jones, e apresenta uma possível oportunidade para os investidores que mantiverem suas ações.


‘Há muitas vantagens para a empresa, para os acionistas e para as ações baseadas no lançamento e execução da estratégia online que eu formulei’, disse Greenspan numa entrevista.


O empresário tem uma pitoresca e até turbulenta carreira no setor, pontuada por rixas com parceiros e processos judiciais. E, embora Greenspan se diga um dos fundadores do MySpace, existem contradições em relação ao seu papel na empresa, assim como sobre outros aspectos de sua carreira.


Os executivos dos bancos que estão representando os acionistas que detêm o controle da Dow Jones – ou seja, a família Bancroft -, parecem estar levando a proposta de Greenspan a sério. Na quinta-feira, Greenspan reuniu-se com representantes do Merrill Lynch e do Goldman Sachs, que representam a família Bancroft.


Porém, a oferta de Greenspan é incomum sob vários aspectos, inclusive porque ele já brigou com Murdoch antes. Greenspan possuía 10% da Intermix Media quando a empresa foi comprada pela News Corp. por US$ 580 milhões, em julho de 2005. Ele combateu acirradamente a transação e tentou preparar uma proposta rival.


Posteriormente, ele afirmou que a companhia valia mais e entrou com um processo na Justiça da Califórnia contra a Intermix e os diretores da empresa. Segundo Greenspan, os diretores subavaliaram o MySpace e ignoraram ofertas rivais.


Embora a Justiça tenha arquivado o caso em dezembro (Greenspan está considerando recorrer), o mercado, pelo menos, confirmou seu julgamento: a News Corp. fez um excelente negócio ao comprar o site de relacionamentos. O negócio já é visto como um dos melhores lances de um grupo – no caso, a News Corp. -, na história da internet.’


VENEZUELA
O Estado de S. Paulo


Fisco cobra US$ 790 mil da RCTV


‘A emissora venezuelana Rádio Caracas Televisão (RCTV), que saiu do ar no dia 28 de maio por uma decisão do governo do presidente Hugo Chávez, terá de pagar US$ 790 mil em impostos atrasados desde 2003, de acordo um comunicado enviado ontem para a rede opositora pelo Seniat, a autoridade fiscal da Venezuela. O Seniat afirma que a RCTV não pagou o Imposto de Valor Agregado e o Imposto de Renda nos últimos quatro anos. A emissora caracterizou o comunicado como uma ‘sanção firme’ do governo Chávez e disse ainda estar analisando seu conteúdo.


Em visita ao Irã, o presidente Chávez voltou a reunir-se ontem com seu colega iraniano, Mahmud Ahmadinejad. Ambos colocaram a pedra fundamental de um complexo petroquímico em Assaluyeh, a 1.300 quilômetros de Teerã. O complexo – 51% de propriedade do Irã e 49% da Venezuela – produzirá 1,6 milhão de toneladas anuais de metanol. Os dois governos construirão um segundo complexo na Venezuela.’


PUBLICIDADE
Marili Ribeiro


Prêmio de Mídia revela vencedores


‘Rosana Ribeiro, diretora de Mídia da BorghiErh/Lowe, foi eleita a Mídia do Ano na 10ª edição do Prêmio de Mídia Estadão. Rosana foi eleita em votação aberta no site do prêmio. Além da eleição do profissional do ano, também foram premiados o Case de Mídia do ano e a melhor monografia. O case vencedor foi o da Rádio SulAmérica, da agência MPM, com os profissionais Daniel Chalson, Gabriel Queiroz e Patrícia Lusso. Já a monografia vencedora foi o trabalho Anos Dourados, de Adriana Almeida e Ariana Finavaro, das agências Giovani Draft FCB e Euro RSCG.


O Prêmio de Mídia Estadão consolidou-se nesta edição com recorde de inscrições, registrando um aumento de 50% em relação ao ano passado. A consolidação do evento também trouxe inovações que pretendem contribuir para o aprimoramento dos profissionais de mídia. Os vencedores ganharam uma visita ao jornal The New York Times. O Prêmio de Mídia do Estadão tem apoio do Grupo de Mídia São Paulo.


Para Ângelo Franzão Neto, vice-presidente da McCann-Erickson e presidente do Grupo de Mídia São Paulo, esse evento se torna a cada ano mais importante, entre outras razões, ‘por também ser responsável pela entrada de novos talentos no mercado’. Franzão foi um dos finalistas ao prêmio Mídia do Ano, assim como Paulo Stephan, diretor de Mídia da Talent.


‘O trabalho do mídia precisa ter cada vez mais o reconhecimento, não só das agências, mas também do mercado’, disse Armando Ruivo, diretor de Planejamento Estratégico e Marketing Publicitário do Estado. ‘O Prêmio de Mídia Estadão vem, nesse contexto, aprimorando o seu papel de valorizar essa categoria no País.’


Além de premiar os profissionais, o Prêmio de Mídia Estadão também reconhece a dedicação dos futuros mídias. Assim, na categoria Estudantes, também foram premiadas monografias enviadas para avaliação do júri, formado por profissionais da área de comunicação.’


TELEVISÃO
Cristina Padiglione


Quem é o pai da grade da Globo?


‘Criador de tantos feitos nestes quase 57 anos de TV no Brasil, Fernando Barbosa Lima relata todos eles no livro Nossas Câmeras São Seus Olhos (Ediouro, R$ 59,90). Entre as crias ali mencionadas está nada menos que a base da grade que até hoje sustenta a boa estrutura da programação da Globo e inspira as estratégias da concorrência. Segundo Barbosa Lima, o sanduíche novela-jornal-novela, obra desde sempre atribuída a Walter Clark, nasceu de uma encomenda feita em 1966 à sua empresa, a Squire.


Barbosa conta no livro que montou uma equipe só para tanto, entre eles Reynaldo Jardim, criador do Caderno B do Jornal do Brasil, e Perigault, então diretor do Ibope. ‘A grade que criamos foi um pouco inspirada na grade da Excelsior (também concebida por Barbosa Lima): três novelas, dois telejornais, uma linha de shows e, fechando, um longa-metragem. Mudou a direção da Globo, e Walter Clark assumiu, mas manteve mais ou menos aquela grade (…)’


Mas, afinal, perguntou esta jornalista ao autor do livro, por que essa grade sempre foi atribuída a Clark, que atribuía a origem do sanduíche novela-jornal-novela a uma criação sua já na TV Rio? ‘A grade foi aprovada, mas não foi executada imediatamente. Aí, o Walter chegou e executou. Mas a origem de tudo foi exatamente como conto no livro. Nós fizemos só uma planta baixa, o Walter deu asas a tudo’, completa.


Fora de edição há anos, a autobiografia de Walter Clark, O Campeão de Audiência, escrita por Gabriel Priolli, não menciona o feito de Barbosa Lima ou da Squire. Um dos conhecedores do tema ouvidos pelo Estado resolveu a questão sem placar: todas as cabeças que participaram da TV, obra sempre coletiva, naqueles idos se consideram, de alguma forma, pais das grandes idéias.


Keila Jimenez


Novela terá início em Miami


‘O elenco de Caminhos do Coração, próxima novela da Record, já está com as malas prontas para as primeiras gravações da novela nos Estados Unidos. O diretor da trama, Alexandre Avancini, já escolheu as locações para o folhetim, que terá boa parte de seu início gravado em Miami. As gravações estão marcadas do dia 11 ao dia 22 de julho. Entre os atores já confirmados na viagem estão Leonardo Vieira, que fará um policial na trama, Letícia Medina e Alexandre Barilari. Haverá gravações também no litoral de São Paulo.


Entre-linhas


Muito boa a idéia do Pânico de apelar para ‘Nossa Senhora do Link’ no domingo, para que suas transmissões da porta da Globo no Rio dessem certo. A santa ajudou, a transmissão funcionou, mas Faustão, que eles esperavam que recebesse Vesgo e Silvio, não apareceu.


A dupla do Pânico quer uma doação de Fausto Silva para o Retiro dos Artistas. O apresentador até topou colaborar, mas a Globo não autorizou sua aparição no programa da Rede TV!. Vesgo e Silvio vão continuar insistindo.


A 14.ª edição do Prêmio Multishow de Música Brasileira irá ao ar também na Globo.com. Apresentado por Fernanda Torres, o evento será transmitido pelo canal pago Multishow e pela internet ao vivo, às 21 horas.


A Noite É Uma Super Criança, o programa especial de sábado de Otávio Mesquita na Band, alcançou 6 pontos de pico e ficou 20 minutos em segundo lugar, perdendo para a Globo. Na média final, marcou 3,5 pontos.


Por falar em audiência, parece piada, mas A Turma do Pica-Pau vem batendo em ibope o SBT nas noites de sexta-feira. Na última sexta, o desenho registrou média de 12 pontos no horário, deixando a rede em segundo lugar em ibope.


Olivier Anquier se despediu do Domingo Espetacular. O francês agora faz parte da equipe do programa de Maria Cândida, na Record.’


GOVERNO LULA
Arnaldo Jabor


Lula pensa: ‘Eu justifico os meios!’


‘No presidencialismo de coalizão, em geral, o presidente fica na mão do Congresso; agora, o Senado ficou na mão de Lula e contou com seu apoio. Lula acaba de fortalecer o pior lado do Congresso, no apoio que deu a Renan Calheiros, que ameaçava não votar nada do governo. O PMDB está cobrando agora o apoio que deu ao PT na época do esgoto do ‘mensalão’. Ou seja: escrotidão com escrotidão se paga.


E o fascinante nisso tudo é que Lula se ‘beneficia’ dessa lama do Congresso.


Apoiado por 65 por cento da população mal informada, Lula exerce uma espécie de ‘despotismo não esclarecido’, navegando na política econômica que herdou do FHC (e que ele não é bobo de mexer) e na sorte imensa de governar com o mercado mundial com imensa liquidez. Ele quer curtir seu mandato, com calma, luxo e volúpia. Aceita a tutela do PMDB e usa uma linguagem com resquícios de esquerda; exala tranqüilidade britânica, saboreando as delícias de seus mandatos.


Lula é responsável, sim, pelo caos do Senado. Sua forma displicente de governar, de não fazer marola, contamina a política toda. Na prática, o País está sendo governado por um ‘bonapartismo’ cordial, de vaselina, em que um símbolo operário mantém seu charme de marketing sobre a vida social, anulando a vida política.


Os políticos são todos uns ladrões’ – pensa o povo – ‘mas nosso Lula está acima da política…’


Para além do oportunismo de Lula e do PT, há também neste governo o mesmo ‘rationale’ que explicava a distribuição de dinheiro do mensalão. Há um gélido desprezo de homens ‘superiores’ do PT e Lula, em seu narcisismo sindicalista, pela ‘ética burguesa’, o que permite, de cara limpa, numa boa, beijar a mão do Barbalho ou dar força para Renan. ‘Estamos acima disso tudo que está aí… pois miramos a uma ‘coisa’ maior!’ Aquilo que já foi o slogan utópico dos comunas virou o sujo lema da permissividade atual, pois, como não têm utopia nenhuma, a não ser seus 100 mil cargos no Estado, usam-no para manter limpas suas ‘boas consciências’ irresponsáveis que estimulam a corrupção. Assim como os comunas acham que os fins justificam os meios, Lula pensa: ‘Eu justifico os meios!’


Lula descobriu que não precisa governar. Basta pairar no ‘Ibope’. Lula recusa qualquer reforma política ou econômica. Em quase cinco anos, ele não fez absolutamente nada, a não ser mamar na herança bendita do FHC (que está sendo dilapidada com petistas invadindo o Estado como uma porcada magra no batatal) e prometer planos de crescimento, como o PAC que, pelo jeito, não sairá do papel, dada a lentidão patológica da administração e a falta de garra.


Parafraseando Dora Kramer: quando acabar o mandato, Lula será louvado pelas coisas boas que não fez (e sim FHC) e não será criticado pelas péssimas coisas que fez (explosão de gastos, imprevisão, falta de projetos, etc…), que vão explodir no colo do sucessor.


Lula quer o êxtase da aceitação total e vale tudo para isso. Ele substituiu o atraso tradicional por um atraso travestido de novo, um ensopadinho de slogans populistas com um estatismo inchado e falido. Bela vitória do atraso nacional, apoiado por massas que não entendem nada. Lula desmoralizou os escândalos, vulgarizou as alianças.


Que fazer quando Lula apóia o Renan e põe a mão em sua cabeça, enquanto verbera contra a PF e o Ministério Público? Quando o Collor caiu, ainda existia o escândalo. Havia ainda os ‘homens de bem da República’, havia Barbosa Lima Sobrinho, gente assim, ainda havia o susto, a indignação. E agora? Como vamos protestar? Com as cartas dos leitores? Por um idiota solitário como eu e outros jornalistas ‘fascistas’, como nos apelidou o Renan? Está havendo uma espécie de ‘chavismo’ molenga e disfarçado de Lula que estimula essa mixórdia e lucra com ela.


Há um caos se armando por aí. Não há instrumentos que a opinião pública possa usar para pôr fim, pôr ‘cobro’, como se dizia, a essa espantosa desmoralização da democracia. Alguma coisa de muito grave está se gestando, uma doença, uma terrível crise no ventre do País. Um autoritarismo virá? De quem? Os militares foram na época motivados pela guerra fria, pelo medo do comunismo. Um autoritarismo civil? Com quem? Onde está esse homem? Uma onda plebiscitária irrefreável? Mas, movida por que maremoto de opiniões? O grave é que os políticos não estão mais se escudando e protegendo apenas por saberem da impunidade que o Poder Judiciário lhes garante. Não. Eles estão adorando nos anestesiar para sempre, eles estão percebendo que, além da impunidade, há o tédio, a banalização do horror, eles descobrem maravilhados a segurança suprema: a permissividade concedida pelo povo. E apoiada pelo Lula. E nós estamos aprendendo a querer pouco.


A Veja de anteontem nomeou os cinco mosqueteiros da ética: Gabeira, Simon, Jarbas Vasconcelos, Demostenes e Jefferson Peres. Deve haver mais, no Congresso. Temos de fazer a lista das pessoas que podem ajudar em um mutirão contra esse horror. Dentro e fora do Congresso. Quem?


Hoje temos um país deprimido e impotente para reagir, assistindo a um festival horrendo de mentiras (quem viu o show psicótico melodramático de Roriz na TV), em que nada de bom acontece nem consola; em suma, um país perfeito para a crise que virá, com o primeiro retrocesso que houver na economia mundial.


Só Lula e o poder que 65 por cento do povo lhe dá poderiam fazer alguma coisa. Mas ele não quer aporrinhação. Os crimes do Congresso ficarão sob seu beneplácito de sua ‘realpolitik’, nome de guerra para sua preguiça e seu desinteresse. Lula não lutará contra nada. A reforma política não virá, reforma nenhuma virá. O fim da Comissão de Orçamento não virá. As emendas individuais ou de guarda-chuva não acabarão jamais, o Judiciário continuará como está, jamais condenando ninguém. Ele não lutará por sua mudança, razão maior de nossas roubalheiras endêmicas. Nada virá, só o imprevisível e, como sempre, tarde demais.’


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Folha de S. Paulo


Terça-feira, 3 de julho de 2007


DIREITOS AUTORAIS
Ronaldo Lemos


TV digital e a cópia da programação


‘UMA DECISÃO importante está para ser tomada pelo governo federal. Ela irá definir se a TV digital brasileira adotará ou não o sistema de restrição anticópia. Parece questão menor, mas não é. Se esse sistema (chamado DRM) for implementado no Brasil, o direito de decidir como usar o sinal da televisão sai da mão do consumidor e passa a ser das emissoras. Em outras palavras, caberá às emissoras decidir se o consumidor tem ou não o direito de gravar os programas que passam na TV. Elimina, na prática, uma liberdade que sempre existiu.


A medida tem um impacto negativo que não pode ser ignorado. O primeiro é econômico. Para incorporar a tecnologia anticópia, os fabricantes dos conversores da TV digital deverão pagar anualmente para usar a tecnologia, que pertence a um consórcio internacional de empresas. Esse valor é repassado para os consumidores ou contribuintes na forma de subsídios fiscais concedidos aos fabricantes.


No entanto, o custo não se reverte em benefício. O consumidor ou contribuinte acaba financiando um sistema que não lhe interessa, que, na verdade, reduz a utilidade da TV digital. Paga para levar menos. Mesmo que os fornecedores do produto se disponham a subsidiar os custos da medida, estão comprando uma liberdade que não foi negociada e que não está à venda.


Isso leva ao segundo impacto, que é jurídico. Nos Estados Unidos, país no qual a TV digital se encontra mais disseminada, a adoção do sistema anticópia foi firmemente repelida, inclusive judicialmente, sob o argumento de inconstitucionalidade.


No Brasil, a inconstitucionalidade é a mesma. A televisão aberta é um serviço que compete à União. A nossa Constituição Federal utiliza as palavras ‘livre e gratuita’ para qualificá-la, concedendo inclusive isenção fiscal quanto ao imposto sobre comunicações. Dessa forma, com a instalação do sistema anticópia, a televisão pode até continuar a ser gratuita, mas deixa de ser ‘livre’.


Além disso, a lei de direitos autorais permite expressamente modalidades de utilização legítima da programação de TV. Com o sistema anticópia, a tecnologia não tem como distinguir a natureza da utilização a ser feita dos programas. Os bons e os maus usos são tratados da mesma forma: são igualmente impedidos.


O terceiro e talvez mais importante impacto é político. Mecanismos de restrição tecnológica, como esse que se propõe adotar para a TV digital no país, são sabidamente ineficazes. O sistema que impede a cópia de DVDs é resultado de um consórcio de empresas que investiu vários anos e vultosos recursos em sua criação. Foi eliminado por um garoto de 16 anos. E a história se repete agora com a nova geração de discos de alta definição (Blu-ray e HD DVD), cuja proteção também já foi quebrada.


Por isso, empresas de todo o mundo estão abandonando a utilização desses mecanismos, por perceberem que se trata de dinheiro jogado fora. Em outras palavras, quem de fato deseja distribuir conteúdo ilegalmente com fins comerciais continua a poder fazê-lo. O consumidor de boa-fé acaba sendo o único afetado.


No Brasil, o serviço de televisão é regido pelo interesse público. Um sistema político que permite a adoção de um sistema sabidamente ineficaz, que implica custos para o consumidor e nenhum benefício a ele é um sistema político defeituoso. Ou, ao menos, está dando importância demasiada a poucos interlocutores.


Em tal situação, caberá ao Poder Judiciário decidir sobre a legalidade da medida em eventuais ações propostas por consumidores e contribuintes.


RONALDO LEMOS, mestre em direito pela Universidade Harvard (EUA) e doutor em direito pela USP, é professor da Escola de Direito da FGV-RJ, onde é diretor do Centro de Tecnologia e Sociedade. É autor, entre outras obras, de ‘Direito, Tecnologia e Cultura’.’


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


‘Reocupar nossa cidade’


‘Surge Fátima Bernardes, ‘o presidente Lula está lançando agora parte do PAC, com investimentos em saneamento e habitação de quase R$ 3 bilhões’. Entra o repórter ao vivo, ‘o projeto será para comunidades carentes, principalmente favelas, e o maior valor será para o morro do Alemão, principal ponto dos conflito atualmente na cidade’. Vai ter ‘até teleférico’.


A mesma Fátima Bernardes, ‘carioca do Méier, três filhos’, deu entrevista ao G1, da mesma Globo. Para ela, com o Pan ‘vamos ter a oportunidade de reocupar nossa cidade, que é algo que nós estamos deixando de fazer por causa da violência’. Sobre as ausências do ‘JN’, ‘estou com uma crise de labirintite… já estou com a medicação certinha, está tudo tranqüilo’.


BRASIL REAL


No topo das notícias de Brasil no Yahoo News, ‘Atração turística: as favelas do Rio’. Abrindo a longa reportagem da AP, ‘as favelas nas costas dos morros ao redor da luxuosa praia de Ipanema são lugares a que brasileiros de classe média jamais iriam, mas um número crescente de turistas se afasta da areia para sentir o gosto do Brasil real, que os estrangeiros raramente vêem de perto’.


Um americano na Rocinha diz que ‘aqui é muito divertido, tem roda de samba, funk, é área sem polícia [cop-free]’. Um inglês na Tavares Bastos (foto acima) ironiza o temor dos brasileiros, ‘eu não poderia viver em outra parte’.


‘ESCRAVIZADOS’


Na Reuters, ‘Operação liberta 1.100 trabalhadores escravizados no Pará’. Em seu blog, Míriam Leitão postou que ‘o Brasil precisa -mesmo- se preocupar com suas ultrapassadas maneiras de negócio se quer ser player internacional de álcool’.


Registre-se que a mesma usina Pagrisa rendeu notícia semelhante na Folha Online -em 23 de abril de 2003.


‘NIÑOS NEGROS’


Da agência Efe, ‘Crianças negras do Brasil pedem apoio institucional’. Cem ‘niños quilombolas, de comunidades conhecidas por quilombos’, foram ao Palácio do Planalto para pedir o fim do racismo, ‘educação, saúde e terra’.


Declarou uma delas, 10 anos, ‘não viemos brincar, mas resgatar o nosso lugar’. Porém, notou a Efe, ‘faltaram autoridades do governo’.


QUER APOSTAR?


O ‘Wall Street Journal’ deu especial sobre o trimestre nas bolsas, com o destaque de que ‘Mercados emergentes comandam ganhos globais’. A começar dos Brics, com o Brasil e seu ‘desempenho top’ na América Latina sendo creditado, em parte, aos preços do petróleo. Um analista avalia que não é mais efeito de ‘dinheiro de fora’: ‘O equilíbrio do crescimento mudou’. A ‘Forbes’ também foi por aí na sua revisão do trimestre: ‘Quer lugar para apostar agora? Brasil’. Ontem, na home da Folha Online, ‘Bovespa bate recorde e fecha acima dos 55 mil pontos’.


ATOR GLOBAL


Enquanto a agência chinesa Xinhua dizia que a Europa, sob a chefia de Portugal, agora prioriza a China, a Agência Brasil adiantou documento a ser levado pelos europeus à cúpula com o Brasil -descrito como ‘um importante global player’, ‘interlocutor-chave’.


LAÇOS FORTES


Depois das pressões por conta do ‘colapso’ de Doha, os EUA anunciaram no site do Departamento do Tesouro e agências tipo Dow Jones que o secretário Henry Paulson vêm aí ‘reforçar nossos fortes laços’ e ‘enfatizar a nossa aposta no sucesso da região’.’


CASO PLAME
Folha de S. Paulo


Bush livra ex-chefe-de-gabinete de Cheney de passar 30 meses na prisão


‘O presidente dos EUA, George W. Bush, usou ontem a prerrogativa do perdão presidencial para comutar a pena de Lewis Libby, ex-chefe-de-gabinete do seu vice-presidente, Dick Cheney, e impedir que ele passasse 30 meses na prisão.


Libby foi condenado em março por perjúrio e obstrução da Justiça no caso do vazamento do nome da espiã da CIA Valeria Plame, em 2003. O nome de Plame foi passado à imprensa -o que é crime nos EUA- depois que o marido dela, o diplomata Joseph Wilson, questionou as provas que a Casa Branca apresentou, antes da invasão do Iraque, para alegar que Saddam Hussein tinha armas de destruição em massa.


Além do tempo em reclusão, o juiz determinou que Libby pagasse multa de US$ 250 mil. ‘Eu respeito o veredicto, mas concluí que a sentença dada era excessiva. Por isso estou comutando a parte que o obriga a passar 30 meses na prisão’, disse o presidente. ‘Ele continuará em condicional. A multa imposta pelo juiz continuará em vigor’, acrescentou.


Um perdão total por parte do presidente -o que pediam alguns conservadores- teria limpado a ficha criminal do ex-assessor. ‘Libby não merecia ir para a prisão e estou feliz que o presidente tenha tido a coragem de fazer isso’, disse o ex-embaixador Richard Carlson, que ajudou a arrecadar fundos para a defesa de Libby.


A atitude de Bush foi criticada pela oposição democrata. ‘A condenação de Libby foi o primeiro ato contra os esforços da Casa Branca de manipular a inteligência e silenciar críticas sobra a Guerra do Iraque. Nem esse pequeno ato de justiça pôde se concretizar’, disse Harry Reid, líder democrata no Senado. A presidente do Congresso, Nancy Pelosi, disse que a decisão de Bush mostra que ele ‘perdoa conduta criminosa’.


Com agências internacionais’


CRÔNICA
Carlos Heitor Cony


Outros tempos


‘‘Não resta a menor dúvida de que o Brasil…’ -as primeiras palavras saíram fáceis, mas o texto embatucou. Dono do jornal e principal editorialista, arrancou a lauda da máquina de escrever, amassou-a e jogou-a na cesta. Suspirou, botou nova folha na velha Remington que herdara do pai junto com o jornal, a rotativa e um sítio em Campo Grande onde criava galinhas.


‘Indubitavelmente, a fase que o Brasil atravessa…’ -pensou que desta ia, mas não foi. Estancou novamente. Pensou, pensou, acendeu um cigarro, olhou em volta, a redação vazia, somente o rapaz da oficina que esperava o editorial para fechar a página dedicada à opinião. Arrancou a lauda, não a rasgou, apenas a amassou e a jogou na cesta.


‘Se havia qualquer dúvida na capacidade de o Brasil…’ -achou bom o início, encontrara o estilo famoso que demolira ministros, denunciara escândalos e cobiças do capital internacional em nossas reservas de minério de ferro.


Foi ao bebedouro junto aos banheiros, bebeu dois goles e um terceiro para garantir que não teria sede nos próximos 30 minutos, tempo que julgava adequado para terminar o editorial. Voltou à Remington, caprichou no alinhamento da nova lauda e de um jato obteve a frase inicial do texto definitivo:


‘As dúvidas finalmente acabaram, substituídas pelas certezas de que o Brasil pode…’ -aparentemente parou não por falta de inspiração, mas para quebrar a cinza do cigarro no cinzeiro que ganhara de um agência de publicidade.


Leu o que escrevera e não aprovou. Arrancou a lauda com certa raiva, não de si mesmo, mas do rapaz da oficina que esperava o artigo para fechar a página. Ordenou:


– Mande botar no lugar aquele anúncio do homem carregando um peixe nas costas… o óleo de fígado de bacalhau…’


TELEVISÃO
Marcelo Bartolomei


Record estréia reality que faz atrizes largarem luxo


‘Seis malas de roupas nas mãos; cinco de outro lado. A primeira, da atriz Karina Bacchi, 30, tinha 50 pares de sapatos; a segunda, da modelo e atriz Ticiane Pinheiro, 31, escondia dez bolsas e guloseimas.


Pode parecer que elas se preparavam para uma temporada na Europa, mas não: embarcavam para Analândia, município a 222 km de São Paulo, onde passariam 45 dias gravando a versão brasileira do reality show ‘Mudando de Vida’, que a Record estréia hoje, às 23h, em 16 capítulos semanais.


Como no original da Fox, ‘Simple Life’, que levou as patricinhas Paris Hilton e Nicole Richie à vida no campo, o programa tirou das atrizes cartões de crédito, celulares, baladas e qualquer tipo de luxo.


Elas foram obrigadas a acordar às 5h, dividir uma cama de casal e encarar tarefas como dar comida a porcos e fazer inseminação em vacas, tudo para contribuir com o orçamento da família que as abrigou.


Karina não gostou de ver os animais sendo abatidos. ‘A gente teve de marcar o avestruz, e não era por enfeitinho. É natural para eles, mas é tocante. Sou vegetariana há 12 anos.’


Ticiane não se deu bem com a comida. ‘Fiquei com medo de passar fome. Quando fui para o Japão, aos 16 anos, levei uma mala cheia de miojo. Para Analândia, fiquei com medo de ter desejos e levei biscoitos recheados, pirulitos e chocolates. A gente ganhava R$ 30 por trabalho. Daí eu comprava sucrilhos e azeite de oliva, porque eles só usam óleo de soja na salada.’


Como salto e bolsa de grife não combinam com o campo, elas abdicaram do luxo. ‘Não usei nem metade dos sapatos. Queríamos ficar arrumadinhas para fazer serviços na cidade, mas depois ficamos cansadas e passamos a usar galochas e chinelos’, disse Karina.


Sobre a ‘musa inspiradora’ de ‘Simple Life’ e suas polêmicas, Ticiane dá a sentença: ‘Ela [Paris] é jovem e acho que está no caminho errado. É artista, tinha que dar bons exemplos’.’


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