Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > O POVO

Guálter George

10/02/2004 na edição 263

‘No dia 12 de janeiro passado, a Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) reuniu a imprensa para anunciar as estatísticas da violência no ano de 2003. Os números, frios como só eles conseguem ser, lá estavam para demonstrar que em vários aspectos a situação está, hoje, melhor do que aquela encontrada pelo atual governo, instalado em 1º de janeiro do ano passado. Algo quase incontestável, não fosse uma boa iniciativa do núcleo de Cotidiano, onde está a editoria de Cidades, que, antecipando-se à divulgação oficial colocara em pauta um levantamento da realidade que apresenta o setor no Ceará. Assim é que na edição do O Povo do dia 13 havia três páginas relacionadas ao tema, todas assinadas pela repórter Débora Dias. Uma contemplava o oficialismo dos números anunciados com pompa pelo titular da SSPDS, Wilson Nascimento. As outras duas expunham a realidade das delegacias regionais interioranas, a maioria delas entregue às mais terríveis condições de funcionamento. O fato do levantamento ter sido feito desde a redação, por telefone, não desmerece o excelente resultado obtido. Pelo contrário, a persistência da repórter ao pé do telefone rendeu material suficiente para fundamentar aquilo exposto na reportagem. Apenas para lembrar um dado, ela conseguiu ouvir titulares de 17 das 19 delegacias regionais hoje em funcionamento pelo Interior.

De grades abertas

Melhor ainda foi que a editoria aprofundou mais a discussão nos dias seguintes, evitando ficar apenas na divulgação oficial das estatísticas e sua repercussão imediata. Já assinadas pelo repórter Luiz Henrique Campos, outras duas matérias foram publicadas dentro da série sobre segurança pública. Uma na edição do dia 19 de janeiro último, que foi às causas do problema ao apontar a situação de sucateamento de grande parte das delegacias de Fortaleza, algumas praticamente sem condições de permanecer abertas. Apesar disso, permanecem. Outra matéria da série foi publicada no dia seguinte, 20, apresentando o mesma drama nas unidades policiais dos 12 municípios que formam o cinturão metropolitano de Fortaleza. Mais do que uma simples constatação, uma denúncia, pois O Povo relatou uma situação na qual as delegacias, na grande maioria, somente conseguem continuar funcionando, a duras penas, graças ao apoio das Prefeituras Municipais. O assunto era (é) bom, havia (há) outras abordagens importantes a serem exploradas, estávamos prestando um serviço fundamental ao leitor, diante dos dias de insegurança que enfrentamos e, de repente, ficamos nesta matéria do dia 20. Desde então, nada mais se publicou.

Parou por quê?

Desde quando O Povo abandonou o tratamento de série especial que situações episódicas relacionadas ao tema servem de mote para, nas críticas internas, se fazer uma cobrança à redação de retomada das matérias em formato de reportagem, aprofundando-se em determinados aspectos, buscando causas, efeitos, enfim, no esforço de explicar a crise de insegurança que continua a nos assustar, queiram as autoridades ou não. Precisamos, além de mostrar como está hoje a realidade, tentar entender porque chegamos até ela. Há um histórico que precisa ser levantado, há um discurso que até recentemente indicava o Ceará como modelo de uma política eficiente de segurança e, pior, há uma campanha eleitoral prestes a ser deslanchada que, com certeza, terá o tema como um dos eixos centrais do debate. Apesar de ser de âmbito municipal, especialmente se entre os candidatos estiver o deputado federal Moroni Torgan, um dos que se vangloria de ter trazido a modernidade em forma de segurança pública até nós quando ocupou o cargo de secretário, no primeiro governo Tasso Jereissati.

Por que parou?

Na última quarta-feira, dia 4, quando trouxemos a notícia de que o carro do vice-governador Maia Júnior esteve envolvido em caso de assalto a mão armada, no qual levaram cordão, celular e dinheiro do seu motorista, voltei a cobrar internamente a retomada da série. Na quinta-feira, quando também decidi trazer a questão à coluna externa, contactei o editor Demitri Túlio, do núcleo de Cotidiano, a quem pedi uma justificativa oficial quanto à mudança. Segundo ele, não há mudança e as matérias já publicadas encerraram uma etapa programada da série, adiantando que a fase seguinte encontra-se em processo de elaboração. Há um repórter pautado e, adiantou, já em campo para produção das novas matérias relacionadas ao tema. É importante que assim seja porque O Povo presta um serviço importante à comunidade quando opta por aprofundar determinadas abordagens, recusando-se a ficar na superficialidade do debate. Somente será possível mudar o estado de coisas no campo da segurança com muito debate sobre as causas, tal como está sendo feito a partir das quatro matérias já publicadas. Resta-nos esperar que a retomada venha na mesma intensidade do que até agora já chegou ao leitor.

Fora da rede

Devido a problemas técnicos o endereço eletrônico do ombudsman esteve inacessível durante boa parte da semana passada. Espero ter restabelecido a normalidade quanto aos retornos até amanhã, segunda-feira. Além, claro, de pedir desculpas pela demora em muitas das mensagens encaminhadas durante o período.’

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