Segunda-feira, 16 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1054
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CADERNO DA CIDADANIA >

Inscrições para o festival
de Cannes têm queda de 20%

Por Luiz Antonio Magalhães (seleção de textos) em 03/06/2009 na edição 540


Leia abaixo os textos de quarta-feira selecionados para a seção Entre Aspas.


 


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 3 de junho de 2009


PROPAGANDA


Marili Ribeiro


Festival de Cannes tem queda de 20% nas inscrições


‘A 56ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes, que acontece entre 20 e 27 de junho na costa francesa, teve queda de 20% no total de inscrições este ano. Repete, assim, um índice que vem marcando quase todos os eventos do setor após o estouro da crise econômica global, em setembro do ano passado. Outros festivais também tiveram queda de participação em torno de 20% em relação aos anos anteriores.


Foram 22.652 peças inscritas, de 86 países, para concorrer nas 11 diferentes categorias em disputa, que premiam os melhores trabalhos – de outdoor até filmes comerciais e propaganda online. A participação brasileira também encolheu 38% em relação ao ano anterior. Mas o País, com 1. 519 peças, permanece entre os três maiores participantes, atrás dos EUA (2.726) e da Alemanha (2.131).


A mídia tradicional, embora siga com o maior volume de inscrições, registrou as maiores quedas. A categoria que premia os anúncios impressos em jornais e revistas teve um corte de 32,2% ante o ano anterior, com 5.048 trabalhos inscritos. Já os filmes comerciais tiveram uma queda em relação a 2008 de 25,4%, com 3.453 trabalhos concorrendo. Houve crescimento apenas em design, categoria que estreou no ano passado, e promoções.’


 


 


TELEVISÃO


Keila Jimenez


Tempo para Ronaldo


‘O SBT resolveu deixar a poeira baixar e a Globo esquecer (?) que Ronaldo assinou um contrato para ser garoto-propaganda do Grupo Silvio Santos.


A emissora, que esperava gravar nos próximos dias campanha institucional com o craque, voltou atrás. Bom, voltar atrás é a ordem da vez. Ronaldo, que no papel acertou gravar duas campanhas para empresas do Grupo SS, exceto o SBT, chegou a topar, segundo executivos da rede, verbalmente, ser também garoto-propaganda do canal. Dias atrás, passou a valer só o que está no papel. Ronaldo avisou que não poderia envolver sua imagem com a da emissora de Silvio. Motivo: pressão da Globo. Apesar de a rede negar, é fato que a programação da líder parou de bombar o craque desde que a ligação dele com a rede de SS ficou mais estreita.


No SBT, a ordem é esperar a Copa do Brasil terminar – torneio disputado pelo Corinthians de Ronaldo – para só depois retomar as conversas com o jogador. Silvio quer porque quer Ronaldo com a camisa da emissora, e não só anunciando novidades do Banco Panamericano. Para isso, promete esperar, o quanto precisar, que a Globo padeça de amnésia.


No bate estaca


Luiza Tomé e Sérgio Hondjakoff inauguraram as gravações de Bela, a Feia, da Record. Luiza será Samantha, mãe de Max (Sérgio), casada com Armando (Raul Gazola), pai de Bela (Gisele Itiê). Já Max, meio-irmão de Bela (Gisele Itiê) vai se amarrar em música eletrônica.


Entre-linhas


O acidente com o Airbus da Air France fez crescer a audiência dos telejornais na noite de segunda-feira em São Paulo.


O Jornal Nacional bateu o recorde do ano, com 36 pontos de média – 2 a mais que a segunda-feira anterior – e 58% de participação entre as TVs ligadas.


O Jornal da Record, com 11 pontos de média, e o Jornal da Band, com 7 de média, também cresceram 2 pontos porcentuais cada, em relação à audiência da segunda-feira anterior.


A baixa temperatura na Grande São Paulo também poderia explicar o crescimento dos telejornais na noite de segunda, mas o crescimento no total de aparelhos ligados entre 18h e 0h foi de apenas 1 ponto porcentual, de 61% para 62%.


A Record negocia a compra do formato Who Wants to Be a Millionaire? para fazer uma versão local com Roberto Justus. Esse é um dos três formatos de game que o empresário pode apresentar na rede no segundo semestre.


Você deve estar pensando: Justus fará então uma cópia do Show do Milhão, do SBT? Não, o game apresentado por Silvio Santos era uma versão, digamos assim, extraoficial. A Record pretende comprar o formato original.


E A Fazenda não roubou ibope de Raj (Rodrigo Lombardi) e sua turma. O reality da Record registrou anteontem média de 13 pontos, ante 40 pontos de Caminho das Índias.’


 


TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO


O Estado de S. Paulo


Microsoft lança em outubro o Windows 7


‘O novo sistema operacional Windows 7, da Microsoft, será lançado em 22 de outubro, bem antes do programado e a tempo de pegar a temporada de compras de fim de ano. O novo sistema operacional, que substitui o impopular Windows Vista, estava programado para ser lançado no começo do ano que vem. A empresa disse ontem que vai enviar o código do Windows 7 para fabricantes de PCs, para instalação em novas máquinas, até o final de julho.’


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 3 de junho de 2009


CASO SIMONAL


Marcelo Coelho


Simonal, de alto a baixo


‘COM MUITA categoria, e sem espírito de pilantragem, o documentário ‘Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei’ faz com o espectador aquilo que o cantor fazia com o público: leva-o de um lado para o outro, balançando para a esquerda ou para a direita, conforme a música.


Durante a primeira metade do filme, não há quem não se renda ao charme de Simonal. Mas a palavra ‘charme’ não expressa bem suas qualidades.


Um cantor como Yves Montand, por exemplo, tem o maior charme do mundo. Seduz o público com uma mistura de gentileza com despreocupação, de muito magnetismo com certo desligamento também.


Mas Simonal parece ‘metido’ demais para ser charmoso; está tão convicto do próprio sucesso que não se curva à necessidade de ‘seduzir’ o público.


Age como se todo mundo já estivesse seduzido. Ele surge no palco como se desfrutasse de um privilégio -o de ser Simonal- que, generosamente, resolve então oferecer à admiração dos espectadores. As pessoas não ficam apenas encantadas com o cantor: parecem gratas a ele, simplesmente porque Simonal, como um príncipe, deu-se ao luxo de aparecer.


Mesmo nas cenas a que o passar do tempo confere uma aura de ridículo (Simonal dançando o cha-cha-cha, por exemplo), a superioridade do cantor não cede um milímetro. Uma espécie de soberania psicológica parece autorizá-lo a fazer qualquer bobagem.


Um silêncio de incredulidade e de admiração se impõe na sala do cinema quando se alcança o ponto alto dessa primeira metade do filme. Numa cena histórica, vemos Simonal cantando ao lado de ninguém menos que Sarah Vaughan.


E é a grande diva americana quem parece quase uma caloura encabulada, mal e mal ocupando o palco diante daquele brasileiro que, sem nunca ter aprendido inglês, conversa com ela com uma intimidade, com uma autoconfiança irresistíveis.


O lugar muito específico da ‘pilantragem’ de Simonal, entre as décadas de 60 e 70, talvez se explique a partir desse encontro entre a jazzista americana e o mulato carioca.


O tropicalismo exacerbava, por assim dizer, o nosso próprio exotismo -fazendo da cultura brasileira, com suas bananas, carnavais e Chacrinhas, uma espécie de caricatura crítica daquilo que os americanos viam em nós, através de Carmen Miranda e do Zé Carioca.


No ‘patropi’ de Simonal, o tropicalismo se inverte. Negro sem ser sambista, namorando loiras e passeando de carrão no Leblon, é como se ele fosse um grande ‘entertainer’ americano ‘tropicalizado’, ‘canibalizado’ pelo ambiente carioca. Ele açucarou a imagem (que intimidava os brasileiros de 60) de um negro no topo da pirâmide social.


O que ele tinha de ‘metido’ e arrogante, aos olhos da época, era contrabalançado por essa atitude de deboche, de não estar levando o papel a sério, que é tão clara nas suas apresentações. Não por acaso, ele cantava músicas tradicionais, como ‘Meu Limão, Meu Limoeiro’, com ginga americana.


O equilíbrio entre ‘vir de baixo’ e ‘estar por cima’, obtido genialmente por Simonal em sua carreira, transforma-se em colapso ético e em tragédia individual depois.


A segunda metade do filme tem seu ponto mais impressionante no depoimento do antigo contador de Simonal. Torturado no Dops a mando do cantor, é hoje um homem velho e pobre; e o espectador, sensibilizado pelo implacável ostracismo de mais de 20 anos sofrido pelo astro, sensibiliza-se igualmente pelo destino desse cidadão anônimo, que os diretores do documentário tiveram o mérito e a sorte de redescobrir.


Julgar é fácil, ter pena é fácil, e sem dúvida é mais difícil perdoar alguém que, ao que parece, não teve o senso político ou a disposição de arrepender-se a tempo. Pensando nos inúmeros e muito calibrados depoimentos do filme, acho que Simonal associou o seu sucesso profissional a uma atitude de onipotência; andar de Mercedes era equivalente a se dizer favorável à ditadura, amigo dos homens do SNI… Não era isso, afinal, estar no alto da pirâmide?


Ensinaram-lhe que não. Uma pessoa mais equipada politicamente talvez tivesse meios de reconfigurar a própria imagem. Isso não aconteceu; depois de tanto sucesso, Simonal teve de voltar para o lugar de onde veio: o lugar de baixo. Mas não sem ter marcado, também, sua presença na história da música (e da sociedade) do Brasil.’


 


 


MÍDIA & ECONOMIA


Vinicius Torres Freire


‘A Cebola’, a bolha e dólar frito


‘‘A CEBOLA’ , ou ‘The Onion’, em inglês, é um site de humor popular entre gente de universidade, imprensa e ‘nerds’ nos EUA. Em forma de jornal sério, imita sarcasticamente o noticiário regular da mídia. Caricatura nossos clichês (de nós, jornalistas) e a torrente de estudos econômicos que ‘provam’ isso ou aquilo. Manchete do ‘Onion’ já deu que o ‘custo de vida supera o benefício de viver, revela estudo estatístico’ (‘Life isn’t worth living’ era um comentário da matéria). Em julho de 2008, o ‘Onion’ manchetava: ‘Nação devastada pela recessão exige outra bolha na qual possa investir’. Na época, o governo Bush ainda esperava ‘recuperação no fim do ano’.


A recessão só foi declarada ‘oficialmente’ em dezembro de 2008 pelo NBER, o comitê americano de economistas que faz a datação das recessões (é o ‘comitê do carbono-14’, método de datação de objetos arqueológicos ou paleontológicos, tal o atraso com que o NBER anuncia recessões). O ‘Onion’ deu, pois, um ‘furo’. Os americanos ainda não foram agraciados com uma nova bolha, mas um zunzum intenso continua a inflar pelo menos a bolha de notícias sobre a bexiga financeira das commodities, soprada dos EUA.


No caso de açúcar e soja, por exemplo, os preços foram inflados por problemas em países produtores. No mais, porém, o movimento é gerado pelo ‘otimismo’ com a economia e pela desconfiança do dólar.


Investidores vendem títulos de longo prazo dos EUA, bancos centrais compram mais títulos curtos; os juros de longo prazo sobem. Liquidam-se posições em dólar, que perde valor. Há dólares sobrantes, cortesia do Fed, mas não há consumo ou investimento. Os investidores que saem de ativos americanos ‘seguros’ investem em commodities. E cá estamos numa situação parecida com a da bolha de meados de 2008, chamada ontem literalmente de bolha até pelo regulador do mercado de futuros de commodities nos EUA. Foi a bolha do Bovespa a 70 mil pontos e do real a R$ 1,50. Sim, toda essa história de juros e moeda dos EUA nos atinge diretamente.


Para ajudar a desconfiança em títulos americanos e no dólar, a expectativa de inflação nos EUA voltou ontem ao nível de setembro de 2008, AC (antes do colapso). É uma expectativa de nada, 2% no médio prazo. Mas faz pouco o medo era de deflação; a expectativa de inflação de médio prazo era ZERO em dezembro. Paul Krugman, o Nobel da moda, escarnece da ideia de medo de inflação nos EUA. Mas juros de títulos americanos longos sobem, o petróleo morde a cotação de US$ 70 o barril (o dobro de fevereiro), o ouro ameaça voltar a US$ 1.000 a onça, e as moedas commodities (de países produtores) se valorizam.


As maiores Bolsas do mundo ainda estão a uns 30% do pico da loucura de 2008. Tudo bem, mas há indícios de que as indústrias de EUA, Europa e Japão ainda estavam encolhendo em maio. Gente vivida dos mercados de moedas, commodities e juros avalia que os investidores se comportam como se o mundo estivesse à beira de voltar ao ‘business as usual’ de antes da explosão da crise. Gente vivida na análise da economia real diz que tal retorno será lento, com pedras no caminho.


É bolha ou não é?’


 


 


TODA MÍDIA


Nelson de Sá


Do ‘NYT’ ao ‘China Daily’, a mesma foto para o ícone Americano


‘O ‘New York Times’ trazia à noite, em manchete, as boas novas sobre General Motors e Ford, ‘o melhor mês em vendas no ano’, em maio.


Logo abaixo, porém, ‘Empresa chinesa compra Hummer’. No ‘Financial Times’, a venda da ‘marca da GM’ para a chinesa Sichuan era até manchete. Versão civil do Humvee, o utilitário que simboliza a força militar americana em Hollywood, o Hummer acabou se tornando símbolo do fracasso da indústria automobilística, por seu preço e consumo elevados. Foi eleito, na mídia setorizada, um dos responsáveis pela concordata da GM.


O ‘China Daily’, de sua parte, trazia na manchete on-line a promessa da GM de não vender as operações no país _como se destacava também no Brasil. Logo abaixo, a venda do Hummer. A GM ainda ‘busca comprador para Saturn e Saab’, anuncia o ‘FT’, a quem interessar.


SUPERCOMPETITIVO


Em meio às notícias sobre a GM, um leitor postou em comentário no blog de Luis Nassif a sugestão:


‘Se juntarmos Fundição Tupy, Randon, Baterias Moura, Weg para motores elétricos e mais algumas fornecedoras brasileiras, talvez com sistemas de distribuição internacional como a Marcopolo, e mais 40% do BNDES, poderíamos construir uma empresa supercompetitiva’.


MAL INFORMADO


O ‘Wall Street Journal’ deu editorial criticando o governo Obama por querer agora, além dos subsídios atuais ao etanol de milho, como a tarifa do etanol de cana, aumentar a mistura à gasolina. Por aqui, por outro lado, o blog de Reinaldo Azevedo criticou o ‘mal informado’ Bill Clinton, que cedeu aos argumentos ambientais contra o etanol do Brasil, em palestra no evento do lobby da cana paulista.


SOJA, A EXPLOSÃO


O ‘FT’ adiantou ontem e publica hoje o alerta ‘Risco de alta explosiva nos preços da soja’. É a previsão para este meio do ano, devido à ‘forte demanda da China’, cujas importações aumentaram 36,2% nos primeiros quatro meses do ano. Por outro lado, a Argentina, terceiro maior produtor, enfrenta ‘redução dramática na capacidade de exportação’. Daí por que ‘o mercado está em missão de reconhecimento’, no momento.


PARA O BANCO MUNDIAL?


Lula posa na ‘Foreign Policy’


A ‘Foreign Policy’ iniciou o jogo há duas semanas, com texto sobre a possibilidade de Lula ser presidente do Banco Mundial em 2011. A nova edição da ‘Exame’ acrescenta que ‘representantes do presidente americano teriam consultado informalmente pessoas próximas a Lula para saber qual seria a reação do brasileiro a um convite’. Os EUA, maior acionista, dominam a instituição financeira multilateral sediada em Washington.


Ontem também, o britânico ‘Guardian’, o espanhol ‘El País’ e outros traziam enunciados como ‘Obama quer que Lula seja o próximo presidente do Banco Mundial’. O Planalto diz que é só ‘rumor’.


FORTE


A Reuters despachou que o secretário do Tesouro dos EUA, ao ser questionado na China pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, respondeu que Pequim ‘pode dormir em paz com seu grande volume de dívida do Tesouro’ porque Washington se compromete a ‘manter o dólar forte’.


SUPERSOBERANO


Ontem também, a Rússia espalhou que o encontro de cúpula dos Brics, no fim do mês, ‘pode discutir a criação de moeda supersoberana’. O secretário do Tesouro dos EUA reagiu dizendo acreditar que, para a China, o dólar será ‘a principal moeda de reserva por muito tempo’.


BUSCAS LÁ E CÁ


Por ‘Le Monde’, ‘Le Figaro’, ‘NYT’, ‘WSJ’, a foto dominante nas páginas iniciais, das buscas, foi da France Presse. Por aqui, em sites como UOL e Agência Brasil e noticiários como o ‘Jornal Nacional’, a imagem recorrente foi o mapa distribuído pela Força Aérea Brasileira, localizando os destroços do voo AF-447.’


 


 


PROPAGANDA OFICIAL


Painel do Leitor


Bolsa-Mídia


‘‘O jornalista Fernando de Barros e Silva provavelmente advoga em causa própria em sua coluna intitulada ‘O Bolsa-Mídia de Lula’ (Opinião, 1º/6). Não estaria ele preocupado com a eventual evasão de verbas publicitárias governamentais da grande mídia como esta Folha para a mídia ‘de segundo e terceiro escalão’, como ele arrogantemente coloca?’ JORGE VINICIUS DA SILVA NETO (São Paulo, SP)’


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