Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CADERNO DA CIDADANIA > MOHAMMED AL-DURA

Israelense acusa emissora francesa de forjar vídeo polêmico

03/10/2007 na edição 453

O diretor do setor de imprensa do governo de Israel acusou a emissora
francesa France 2 de forjar a filmagem de um tiroteio ocorrido há sete anos para
culpar o Exército israelense pela morte de um menino palestino. O jovem Mohammed
al-Dura, de 12 anos, ficou conhecido no mundo todo ao ter seus momentos de
desespero em meio ao fogo cruzado entre palestinos e israelenses transmitido
pela TV.


Na ocasião do tiroteio, o Exército conduziu uma investigação que concluiu que
seria difícil, pela posição dos soldados israelenses, que eles tivessem acertado
o garoto. O relatório oficial, entretanto, não descartava esta possibilidade e
não fazia acusações quanto à credibilidade da filmagem.


Fogo cruzado








Exibido no fim de setembro de 2000, o vídeo
mostrava Mohammed al-Dura e seu pai encolhidos em um muro durante uma violenta
troca de tiros entre soldados israelenses e militantes palestinos na Faixa de
Gaza. O garoto grita e chora de medo, enquanto seu pai tenta protegê-lo dos
tiros. A cena é cortada e Mohammed é mostrado inerte no colo do pai.

A
filmagem tornou-se símbolo do conflito cruel entre palestinos e israelenses, e
provocou muita polêmica nos anos seguintes.Há quem questione
sua veracidade, alegando que a comovente cena pode ter sido
encenada. Um grupo de advogados
israelenses chegou a pedir que o setor de imprensa do governo de Israel
revogasse as credenciais do canal francês.

O diretor do órgão governamental, Danny Seaman, refutou o pedido, mas, em
resposta aos advogados, acusou a France 2 de manipular o vídeo e colocar Israel
em perigo. ‘Os incidentes daquele dia não podem ter ocorrido da forma como foram
descritos pelo repórter da emissora, Charles Enderlin, já que contradizem as
leis da física’, escreveu Seaman em uma carta, no mês passado. ‘Estes eventos
foram, de fato, forjados pelo cinegrafista da emissora em Gaza, o senhor Talal
Abu Rahma’. Segundo o diretor, a suposta mentira teria ‘provocado o Mundo Árabe
e levado a muitas vítimas em Israel e em todo o mundo’. Em entrevista, Seaman
afirmou que a posição dos soldados israelenses não permitiria que suas balas
atingissem pai e filho. Ele ressaltou que a filmagem não mostra o momento exato
da morte do menino.


Troca de acusações


Enderlin declarou que as acusações do diretor israelense são falsas. ‘Nós
mantemos nossa história’, afirmou o repórter. O gabinete do primeiro-ministro
Ehud Olmert, citado no jornal Haaretz, negou saber da carta de Seaman,
completando que ela não foi autorizada oficialmente.


Apesar de já haver um relatório oficial, em setembro o Exército israelense
reacendeu a discussão sobre o incidente ao pedir que a France 2 entregasse
a filmagem
sem edição da morte do menino palestino. O pedido foi feito
por causa de uma disputa legal entre a emissora francesa e um observatório de
mídia que a acusa de ter produzido a cena. O vídeo deve ser exibido no tribunal
em novembro, e uma decisão final sobre o caso não é esperada para antes de
fevereiro de 2008. Informações de Amy Teibel [AP, 1/10/07].

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