Sexta-feira, 18 de Agosto de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº954

CADERNO DA CIDADANIA > IMPRENSA SEQÜESTRADA

Italiano viu assassinato de motorista no Afeganistão

21/03/2007 na edição 425

O jornalista italiano Daniele Mastrogiacomo, libertado após duas semanas em poder de insurgentes talibãs no Afeganistão, seguiu para Roma na terça-feira (20/3) em um avião do governo da Itália. O dia foi dramático em frente ao hospital onde o jornalista havia passado a noite, com cerca de 200 parentes e amigos do motorista afegão Sayed Agha – que o acompanhava no momento do seqüestro e foi morto pelo Talibã – exigindo saber detalhes sobre seu assassinato.


Mastrogiacomo foi capturado quando viajava pela província de Helmand, junto com Agha e o tradutor Ajmal Nakshbandi. Ao contrário do que foi divulgado inicialmente, o tradutor continuaria em poder dos seqüestradores. A principal associação de jornalistas do Afeganistão fez um apelo por sua libertação. ‘Nossa mensagem é clara. Nós estamos muito preocupados por sua vida e seu futuro’, afirmou o porta-voz Halim Fedaye.


‘Eles cortam sua garganta’


Correspondente do La Repubblica, Mastrogiacomo descreveu, no jornal, que foi obrigado a assistir à morte do motorista, na semana passada. ‘Eu ainda posso ver. Ele fica de joelhos. Quatro homens jovens o agarram e enfiam sua cabeça na areia. Eles cortam sua garganta e continuam a fazê-lo até cortar a cabeça inteira. Ele não consegue nem dar um suspiro. Eles limpam a faca na túnica dele. Eles juntam a cabeça ao corpo. Levam ao rio e o deixam ir’. Agha foi condenado pelo Talibã por espionagem. Em entrevista a uma emissora italiana, Mastrogiacomo afirmou que, no momento do crime, pensou que fosse ser o próximo a morrer. ‘Eu estava tremendo’, contou.


No artigo sobre o seqüestro, o jornalista não explicou o que fazia em um local bastante temido por jornalistas estrangeiros ou o que estava sendo feito pela libertação de Nakshbandi. O jornalista, que era acusado de espionar para tropas britânicas, teria sido solto, segundo o Talibã, porque o governo afegão concordou em libertar alguns líderes insurgentes. Um porta-voz do governo afirmou que foi feito um acordo, mas não forneceu maiores detalhes.


Na Itália, a imprensa questionou se o governo não pagou um preço muito alto pelo seqüestro. ‘Repórter libertado em troca de 5 talibãs’, dizia a manchete do Corriere della Sera. ‘Se este é o preço justo escolhido para salvar a vida de Mastrogiacomo, cabe ao governo mostrar que a Itália ainda é capaz de cumprir seu papel no Afeganistão sem se tornar o elo fraco na aliança internacional’, afirmou o La Stampa. Hoje, há cerca de 1.800 soldados italianos na missão da Otan com o objetivo de garantir a segurança no país após a derrubada do Talibã em 2001. Informações de Maria Sanminiatelli [AP, 19/3/07] e Abdul Qodous [Reuters, 20/3/07].


 



BBC divulga apelo por correspondente em Gaza


A BBC divulgou um apelo, na segunda-feira (19/3), pela libertação do jornalista Alan Johnston, seqüestrado na Faixa de Gaza há uma semana. Principal correspondente da rede britânica na região, Johnston foi arrancado de seu carro por homens armados quando seguia ao trabalho, em 12/3. Desde então, não se soube notícias dele.


‘Nós pedimos a todos com influência sobre esta situação… é hora de redobrar nossos esforços, todos nós, agora que Alan está desaparecido há mais de uma semana’, afirmou o chefe da sucursal da BBC no Oriente Médio, Simon Wilson, em uma coletiva de imprensa em Gaza. ‘Apesar não termos sido capazes de determinar exatamente o que aconteceu com Alan, parece certo que ele foi abduzido e é mantido em algum lugar na Faixa de Gaza. Com o passar do tempo, ficamos cada vez mais preocupados com sua segurança’, lia-se em declaração divulgada pela rede em Londres.


O jornalista, de 44 anos, é experiente em reportar de regiões em conflito, tendo atuado no Uzbequistão e Afeganistão. Em Gaza há três anos, ele é um dos poucos profissionais de imprensa ocidentais a permanecer no cada vez mais perigoso território. O presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o Hamas, facção que tem maioria no governo, condenaram o seqüestro. Informações da AFP [19/3/07].

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