Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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CADERNO DA CIDADANIA >

Jornais indenizam suspeito de seqüestro por difamação

17/07/2008 na edição 494

Quatro grupos de jornais no Reino Unido tiveram que pedir desculpas formais por publicar alegações falsas de que o britânico Robert Murat e outras duas pessoas estariam envolvidas no suposto seqüestro da menina Madeleine McCann. Eles deverão pagar 600 mil libras em danos por calúnia e difamação. O pedido de desculpas dos grupos News International, Mirror Group Newspapers, Express Newspapers e Associated Newspapers foi lido no tribunal. Onze jornais que pertencem às companhias também devem publicar notas com desculpas nos próximos dias.


Os jornais envolvidos no processo são o Daily Express, Sunday Express e Daily Star, da Express Newspapers; Daily Mail, Evening Standard e Metro, da Associated; Daily Mirror, Sunday Mirror e Daily Record, do Mirror; e Sun e News of the World, do News International. Juntos, eles – que atingem mais de 15 milhões de leitores – publicaram quase 100 artigos mencionando Murat ou os outros dois suspeitos, Sergey Malinka e Mikala Walczuch.


Madeleine desapareceu de um quarto de hotel na Praia da Luz, em Portugal, em maio de 2007. Os pais da menina, que tinha apenas três anos na ocasião, deixaram-na sozinha com seus dois irmãos menores para ir a um restaurante no resort onde passavam as férias. Murat, que mora perto do hotel, foi considerado suspeito pela polícia portuguesa, e sempre alegou inocência. No início deste mês, a investigação foi encerrada sem acusados formais.


Desrespeito


Em abril, Murat entrou com a ação contra os 11 jornais por conta de ‘quase 100 artigos seriamente difamatórios’. Seu advogado, Louis Charalambous, confirmou o valor do acordo com as companhias e ressaltou que o comportamento dos jornalistas neste caso foi ‘completamente irresponsável’ e que eles demonstraram ‘desrespeito total pela verdade’. ‘Os réus admitiram que nenhum dos queixosos tem envolvimento com o seqüestro de Madeleine McCann. […] Aceitaram que nenhum dos queixosos tem qualquer tendência à pedofilia ou ligação com pedófilos ou sítios pedófilos e que nenhum deles mentiu à polícia ou obstruiu as investigações. […] Admitiram que as ações do senhor Murat após o seqüestro foram inteiramente apropriadas e motivadas pelo desejo de ajudar a encontrar Madeleine McCann. Ele se tornou tradutor voluntário para a polícia portuguesa e fez tudo o que podia para ajudar na investigação. A senhora Walczuch nunca foi suspeita ou acusada de qualquer envolvimento no seqüestro de Madeleine. O senhor Malinka não foi acusado de nenhuma conduta imprópria e não tem nenhuma condenação criminal’, declarou.


Os pais de Madeleine, Kate e Gerry McCann, também foram considerados suspeitos no caso pela polícia portuguesa, e também viraram alvo das especulações da imprensa. Em março, dois jornais britânicos foram obrigados a publicar, em suas capas, pedidos de desculpa ao casal, e tiveram de pagar uma indenização significativa a ele. Kate e Gerry entraram na justiça porque a cobertura dos jornais sugeria que eles seriam responsáveis pelo desaparecimento da filha. Informações da AFP [15/7/08] e de Oliver Luft e John Plunkett [The Guardian, 17/7/08].

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