Sábado, 18 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CADERNO DA CIDADANIA > FIM DE SEMANA, 1 E 2/04

Jornal do Brasil

04/04/2006 na edição 375


LÍNGUA PORTUGUESA
Deonísio da Silva


O nome das coisas, 29/03/06


‘Por mais contrário que seja aos neologismos, ninguém se atreverá a instruir
que se comprima o camundongo sobre a figura para abrir um arquivo. Nós já nos
acostumamos a palavras estranhas à língua portuguesa. Windows, janelas em
inglês; word, palavra; mouse, rato. Com ele mexemos a flecha de lá para cá, como
o gato faz com o rato, mediante um simples clique, do inglês click, palavra de
origem onomatopaica que inicialmente designava sinais de som e depois de luz.


Outras palavras já esconderam para sempre a antiga origem. Teclado e teclar
vieram de tecla, de origem controversa, mas provavelmente do árabe têqra ou do
latim tegula, telha. Reunidas, as teclas de pianos e órgãos semelharam um
telhado ao olhar de quem primeiro as denominou. Tecla é também nome de uma
santa, convertida ao cristianismo por São Paulo, depois de abandonar o noivo.
Denunciada pela própria mãe, foi condenada à fogueira, mas súbito e violento
temporal apagou o fogo. Foi então jogada às feras, mas refugiou-se numa caverna,
cuja entrada fechada por uma porta que se abriu para ela entrar.


O sistema de buscas Yahoo, brutamontes em inglês, nasceu de palavra criada
pelo escritor irlandês Jonathan Swift nas Viagens de Gulliver para designar
besta-fera ou animal com forma humana. Swift não foi um Joyce ou um Guimarães
Rosa, mas criou também houyhnhnm para grafar em inglês o rincho do cavalo.


Olhemos ao redor. Todas as palavras do nosso cotidiano, assim como as
pessoas, têm sua própria história. Alguém pensou muito antes de dar nome aos
inventos. Motorola recebeu este nome porque os fabricantes, antes de produzirem
celulares, fabricavam rádios para automóveis. Juntaram motor e vitrola. É tão
familiar que parece palavra portuguesa, afinal motor e vitrola entraram para
nossa língua sem alteração na escrita.


Outra marca famosa, a Samsung, nome criado a partir de expressão da língua
coreana para três estrelas, está presente, entre tantos outros produtos, em
televisores. Mas seu fundador mudou radicalmente os negócios. Ele começou
exportando peixe seco, vegetais e frutas.


A expressão ‘três estrelas’ é indicadora de qualidade em hotéis: muitos
chegam a quatro, poucos a cinco e são ainda mais raros os que ultrapassam este
número. Quem já se hospedou num seis estrelas, sabe que acima de cinco é puro
refinamento no atendimento, como ocorre com os poucos hotéis que alcançaram este
número, quase todos em países árabes, que primam por oferecer os maiores
contrastes entre luxo e pobreza.


Quando você abastece num posto Shell, certamente não é informado de que o
fundador da empresa começou vendendo conchas a colecionadores. Shell é concha em
inglês. Certo dia, seu filho, catando conchas no Mar Cáspio, meditou e resolveu
mudar de ramo, passando a exportar derivados de petróleo para aquela região. E
depois para o mundo inteiro.


No café da manhã, quando você come sucrilho, palavra que os dicionários ainda
não acolheram, ignora que foi formada a partir do inglês sugar, açúcar; de
crocante, do francês croquant, inicialmente Croquant, sobrenome de camponeses
revoltados, e de milho, do latim milium, mil. A multiplicidade dos grãos
substituiu o nome original, do taino mahís, que no espanhol é maíz.


A generosa língua portuguesa acolhe muitas palavras estrangeiras, mas precisa
disciplinar-lhes a entrada, não a ponto de exigir vistos, mas para melhor
convivência.


P.S. – Eduardo Nicholas Silva, formado em Comunicação Social e agora cursando
História, mantém uma página na Internet sobre o tema:


www.dicionariodasmarcas.com.br’




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