Domingo, 27 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CADERNO DA CIDADANIA > CUBA

Jornalista do interior é expulso de Havana

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 15/04/2008 na edição 481

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) está preocupado pela detenção e expulsão de Havana, esta semana, do jornalista independente de Camagüey Ernesto Corría Cabrera.

Corría Cabrera, repórter da agência de imprensa de Miami Nueva Prensa Cubana, explicou ao CPJ que viajou no sábado de sua casa, na cidade oriental de Camagüey a Havana para imprimir o boletim de notícias El Camaguayno Libre nas instalações de informática da Seção de Interesses dos Estados Unidos, que é parte da embaixada suíça na capital cubana. Na tarde terça-feira (8/4), depois de sair do estabelecimento diplomático norte-americano, um policial parou o jornalista na frente da casa de Leonardo Buzón Ávila, presidente do grupo de oposição Movimento 24 de fevereiro. Corría Cabrera ia visitar Buzón Ávila.

‘Condenamos a detenção e expulsão de Ernesto Corría Cabrera. Não é mais que uma forma de impedir seu trabalho como jornalista em sua própria capital’, declarou o Diretor Executivo do CPJ, Joel Simon. ‘As autoridades cubanas devem permitir que todos os jornalistas se movimentem livremente pelo país’.

Após examinar a carteira de identificação de Corría Cabrera, o policial o informou que ele estava sendo detido por ter violado um decreto que requer que cidadãos cubanos residentes fora de Havana peçam permissão especial para permanecer na capital por mais de 24 horas, segundo o jornalista contou ao CPJ. O jornalista independente Oscar Espinosa Chepe disse ao CPJ que este decreto é freqüentemente utilizado para expulsar jornalistas independentes e dissidentes de Havana.

Jornalistas encarcerados

Corría Cabrera contou que foi levado imediatamente a uma delegacia de polícia de Havana, onde foi interrogado por um agente de Segurança do Estado. O agente assinalou que as autoridades sabiam quem ele era e que o que estava fazendo na capital. Acrescentou que não permitiriam que Corría Cabrera trabalhasse como jornalista independente em Havana, acrescentou o jornalista ao CPJ.

As 14h de quinta-feira (10/4), a polícia de Havana escoltou Corría Cabrera até uma estação de trem, onde ele foi obrigado a embarcar em um trem rumo a Camagüey. Segundo o jornalista, antes de ser libertado, a polícia local em Camagüey o informou de que ele teria que se apresentar a uma delegacia de polícia as 20h00 de hoje.

Corría Cabrera disse ao CPJ que durante os três últimos anos foi detido várias vezes. Agentes da Segurança do Estado lhe disseram repetidamente que caso não deixasse de trabalhar como jornalista independente, seria julgado sob a Lei 88 de Proteção à Independência Nacional e à Economia de Cuba.

Vários jornalistas estão presos atualmente em Cuba, o segundo país com maior número de jornalistas encarcerados, atrás apenas da China. Vinte deles foram detidos durante uma investida massiva contra a imprensa independente em 2003. [Nova York, 11 de abril de 2008]

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CPJ é uma organização independente sem fins lucrativos, sediada em Nova York, e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo. Para mais informações

Todos os comentários

  1. Comentou em 19/04/2008 Manuel Fonseca

    A resposta deve ser ao absurdo: ‘Vários jornalistas estão presos atualmente em Cuba, o segundo país com maior número de jornalistas encarcerados, atrás apenas da China. Vinte deles foram detidos durante uma investida massiva contra a imprensa independente em 2003’. Que sistema é este que prende por crime de opinião. Acontecesse isto em um país capitalista diriam tratar de uma ditadura. Socialismo por acaso é sinônimo de censura e repressão? Parece que é pela defesa que fazem disto os socialistas!

  2. Comentou em 17/04/2008 Ricardo Pierri

    Jornalista independente? Que trabalha para um veículo ativista, anti-Castro e imprime seus panfletos na embaixada de um país que é inimigo declarado de Cuba e q tentou assassinar Castro mais de 600 vezes? Só pode ser brincadeira! E de péssimo gosto! Se o governo cubano acreditasse nessas bobagens, Fidel já teria sido assassinado por um desses ‘independentes’…

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