Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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Jornalista é assassinado dentro de redação em Chihuahua

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 06/10/2009 na edição 558

O México deve pôr fim à impunidade nos crimes contra jornalistas e processar todos os responsáveis pelo brutal assassinato de Norberto Miranda Madri, na quarta-feira [23/9], declarou hoje o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ). Miranda, um forte crítico da situação da segurança na região, foi baleado em seu local de trabalho, em Nuevo Casas Grandes, no estado de Chihuahua, no norte do país, de acordo com as autoridades locais.

Por volta das 23h00, dois homens usando máscaras invadiram o escritório da estação local Radio Visión, onde Miranda e seu irmão José estavam trabalhando, disseram ao CPJ repórteres locais. Os agressores atiraram várias vezes contra o pescoço de Miranda, informou ao CPJ o porta-voz da procuradoria estadual de Chihuahua Julio César Castañeda. Segundo a imprensa, o jornalista morreu no local. Seu irmão não foi ferido.

Miranda, de 44 anos, conhecido como El Gallito, escrevia a coluna ‘Cotorreando con el Gallito‘ na internet e era apresentador da Rádio Visión. Repórter com 15 anos de experiência, Miranda era conhecido por sua abordagem direta sobre temas sociais, segundo o jornal El Universal. Em seus artigos mais recentes, criticou veementemente a falta de segurança em Nuevo Casas Grandes e região. Sua última coluna, postada na terça-feira [22/9], abordou uma série de 25 assassinatos ocorridos neste mês. Miranda descreveu estes homicídios como execuções e apontou que grupos do crime organizado local seriam os autores.

Braço armado de Los Zetas

As autoridades disseram a jornalistas mexicanos que estão revisando as colunas mais recentes de Miranda para encontrar um motivo.

‘Norberto Miranda Madrid é o quinto jornalista assassinado no México este ano, em uma alarmante série de homicídios que converteram o México em um dos países mais perigosos do mundo para o exercício do jornalismo’, explicou Carlos Lauría, coordenador sênior do Programa das Américas do CPJ. ‘As autoridades mexicanas devem pôr fim à impunidade nos homicídios de jornalistas ao levar à justiça os assassinos de Miranda.’

Segundo o relatório anual do CPJ Ataques à Imprensa, 29 jornalistas – incluindo Miranda – foram assassinados desde o ano de 2000, ao menos 10 deles em decorrência direta de seu trabalho informativo. Sete jornalistas desapareceram desde 2005. A maioria cobria o crime organizado ou corrupção governamental.

Em 25 de maio, agressores não identificados sequestraram o repórter Eliseo Barrón Hernández de sua casa em Torreón, estado de Durango. Seu corpo foi encontrado no dia seguinte, em uma vala. Em junho, a Procuradoria Geral da República anunciou que um dos cinco detidos pelo exército mexicano havia confessado ser o assassino de Barrón e implicado os demais. O suposto agressor, que, segundo os funcionários púbicos, era parte do braço armado do cartel do Golfo Los Zetas, teria explicado aos investigadores que Barrón havia sido assassinado para ensinar outros jornalistas a não falarem sobre Los Zetas.

Asilo político

Três outros jornalistas foram mortos em 2009. Em 12 de janeiro, o fotógrafo Jean Paul Ibarra foi morto a tiros na cidade de Iguala, em Guerrero. Em 3 de maio, agressores retiraram o repórter Carlos Ortega Samper de sua caminhonete e o assassinaram a tiros nas montanhas de Durango. Em 28 de julho, as autoridades encontraram o corpo do apresentador de rádio de Acapulco Juan Daniel Martínez Gil, que havia sido agredido e asfixiado. O CPJ continua investigando estes crimes para determinar se estão vinculados ao trabalho informativo dos três jornalistas.

Em 2008, o jornalista de Chihuahua Emilio Gutiérrez Soto e seu filho, de 15 anos, fugiram de sua casa em Ascensión, próximo de Nuevo Casas Grandes, para os Estados Unidos, alegando que sua vida estava em perigo. Gutiérrez, correspondente do El Diario del Noroeste, de Nuevo Casas Grandes, disse que havia recebido ameaças de morte de pessoal militar depois de publicar notas sobre abusos de militares contra os direitos humanos. Atualmente, aguarda a resposta a seu pedido de asilo político nos Estados Unidos.

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O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

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