Terça-feira, 17 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CADERNO DA CIDADANIA > MORTE MATADA

Jornalista que apontou exploração sexual é morto

Por Maurício Simionato / FSP em 08/05/2007 na edição 432

O jornalista Luiz Carlos Barbon Filho, 37, que denunciou em 2003 um esquema de exploração sexual de meninas em Porto Ferreira (228 km de São Paulo), foi assassinado a tiros.

Ele foi baleado em um bar no centro de Porto Ferreira, por volta das 21h de sábado. Foi socorrido com vida, mas morreu por volta da 1h de ontem.

A Polícia Civil apura a hipótese de a morte do jornalista estar ligada a reportagens feitas por ele para jornais e para uma rádio do município.

O caso de aliciamento e abuso sexual de meninas envolveu políticos e empresários da cidade. A polícia não descarta relação do assassinato de Barbon com esse episódio, mas também investiga uma possível ligação do crime com outras reportagens.

O jornalista tinha vários desafetos na cidade, segundo o delegado Eduardo Campos. A polícia não informou o conteúdo das reportagens que poderiam ter motivado a morte dele.

O ataque ocorreu por volta das 21h de anteontem. Barbon Filho estava em um bar com um amigo quando dois homens em uma moto chegaram. O garupa desceu e disparou duas vezes contra o jornalista, com uma espingarda calibre 12. O segundo tiro o atingiu quando ele já estava caído.

Um tiro acertou a perna e o outro a região lombar e atravessou o corpo do jornalista. Ele foi socorrido, mas morreu por volta da 1h.

Alvo de denúncias

Alcides Catarino, que estava com o jornalista no bar, foi ferido no braço e não corre risco de morte. Até a conclusão desta edição, ao menos quatro testemunhas haviam sido ouvidas. Nenhuma delas havia anotado a placa da moto ou reconhecido os criminosos.

Minutos depois do ataque a Barbon Filho, outro homem foi morto, em um crime com as mesmas características, também cometido por dois homens em uma moto.

Para a polícia, esse segundo crime pode ter sido praticado para dificultar as investigações.

A mulher de Barbon Filho, Kátia Barbon, disse ontem, no velório do jornalista, que ele recebia, por telefone e por carta, ameaças de morte devido às denúncias que fazia contra autoridades. O enterro foi ontem em Tambaú (257 km de SP).

Em agosto de 2003, a polícia começou a investigar -a partir da denúncia de Barbon Filho- esquema de aliciamento de meninas envolvendo quatro empresários, cinco vereadores e um garçom. Os envolvidos foram condenados a penas de mais de 40 anos de reclusão.

Só o garçom, que organizava o esquema, continua preso. Um dos condenados, o então vereador cassado Luís César Lanzoni (PTB), conseguiu se reeleger vereador. O delegado do caso, Maurício Rasi (PT), se elegeu prefeito e passou a ser alvo de denúncias do jornalista. Eles não foram localizados.

Nos últimos meses, Barbon Filho dava sinais de que recuara em suas denúncias. Conduzira recentemente, em uma rádio, entrevista na qual um tio de uma das meninas envolvidas dizia que os depoimentos delas já estavam prontos antes de seus testemunhos à polícia. [Colaborou Regiane Soares , da Folha Online]

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