Sábado, 17 de Novembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1013
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CADERNO DA CIDADANIA >

Jornalista é assassinado a tiros

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 01/07/2008 na edição 492

O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) insta as autoridades equatorianas a investigarem a morte de Raúl Rodríguez Coronel, que foi assassinado a tiros na manhã de hoje (23/06) em Guayaquil. O CPJ está investigando os possíveis vínculos entre o trabalho jornalístico de Rodríguez e sua morte.

Rodríguez, vice-presidente de notícias e apresentador do programa diário de notícias e opinião Buenos Días Ecuador, na Radio Sucre de Guayaquil, saiu dos escritórios da emissora pouco depois das 7h00 de hoje, informou ao CPJ o gerente da rádio, Gabriel Arroba. De manhã, após finalizar o programa, Rodríguez dirigiu até Guayacanes, no norte da cidade, para buscar alguns parentes, explicou Arroba. Quando chegou à casa de seu primo, por volta das 7h15, um homem não identificado usando um chapéu se aproximou dele e atirou, conforme narraram testemunhas a repórteres da rádio Sucre. Segundo Arroba, as testemunhas declararam que Rodríguez se escondeu atrás de um carro, mas seu agressor o seguiu e continuou atirando antes de fugir em um táxi conduzido por uma mulher não identificada. Rodríguez foi levado à clínica Kennedy, nas proximidades, onde morreu uma hora mais tarde devido aos ferimentos à bala na perna, pélvis e no tórax, acrescentou Arroba ao CPJ.

Jornalistas locais disseram ao CPJ que acreditam que Rodríguez foi atacado em represália por suas fortes críticas no Buenos Días Ecuador. Arroba explicou que Rodríguez criticava freqüentemente as atividades criminais locais, a corrupção na alfândega e, ultimamente, a Assembléia Constituinte, por sua posição sobre o casamento entre homossexuais e o aborto. Rodríguez, que havia recebido múltiplas ameaças anônimas por suas reportagens sobre corrupção alfandegária em anos anteriores, não havia sido ameaçado nos últimos quatro meses, informou Arroba.

Gangues e inação da polícia

A Rádio Sucre divulgou que a polícia judicial de Guayas abriu uma investigação. No entanto, segundo informou Arroba ao CPJ, a polícia ainda não tornou pública nenhuma informação.

‘Estamos entristecidos pelo assassinato de Raúl Rodríguez Coronel e apresentamos nossas condolências à família, amigos e colegas’, declarou Carlos Lauría, coordenador-sênior do Programa das Américas do CPJ. ‘Instamos as autoridades equatorianas a conduzirem uma investigação pronta e exaustiva e a levar os responsáveis por este assassinato à justiça.’

Desde que assumiu seu mandato, em janeiro de 2007, o presidente Rafael Correa atacou regularmente os meios de comunicação em um contexto de tensões crescentes entre seu governo socialista e grupos empresariais que controlam os meios de comunicação. No entanto, a violência letal contra a imprensa não é comum, conforme apontam as investigações do CPJ.

José Luis León Desiderio, apresentador do programa diário de notícias Opinión na emissora local Rádio Minutera, foi assassinado a tiros em Guayaquil em fevereiro de 2006. León freqüentemente denunciava a violência das gangues e a falta de ação da polícia em Guayaquil. Em junho de 2006, três homens foram acusados pelo homicídio. Mas, num relatório divulgado em 27 de outubro de 2006, a promotora local Miriam Rosales Riofrío alegou falta de provas ao liberar dois dos homens. O jornal El Universo informou que o terceiro homem, Medardo Bone Bone, continuava sob custódia depois de ser identificado por duas testemunhas como a pessoa que efetuou os disparos. Os motivos não foram estabelecidos de imediato. [Nova York, 23 de junho de 2008]

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CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

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