Sábado, 23 de Setembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº958

CADERNO DA CIDADANIA > AIDS, IGREJA & PROPAGANDA

Lisandra Paraguassú

03/02/2004 na edição 262

‘A campanha de combate à Aids que será lançada no carnaval terá como objetivo mostrar que os preservativos masculinos funcionam, ao contrário do que afirmam dirigentes da Igreja Católica no Brasil e no exterior. A campanha ainda não está totalmente pronta, mas o slogan e a idéia central já foram aprovadas pelo ministro da Saúde, Humberto Costa, e dizem: ‘Por aqui não passa nada. Bote fé, use camisinha’.

O filme, que ainda está sendo feito, mostra dois homens conversando num baile de carnaval. Um diz que não acredita na eficácia do preservativo. O outro pega uma camisinha e põe o conteúdo de uma latinha de bebida no preservativo, mostrando para o outro que o líquido não passa. Os cartazes da campanha mostrarão um peixe nadando dentro de uma camisinha. A intenção é mostrar que, se nenhum líquido passa, o preservativo não vai permitir a transmissão do vírus da Aids.

Desta vez, a campanha tem como público alvo os homens entre 18 e 39 anos. Em campanhas anteriores, a propaganda se dirigia às mulheres – para que elas exigissem o uso do preservativo – ou aos jovens, reforçando a idéia de evitar o sexo casual, especialmente sem proteção.

Ministério garante que quer evitar polêmica

Apesar de estar tentando evitar entrar em confronto com a Igreja Católica, a Coordenação de DST/Aids do Ministério da Saúde optou pelo tema justamente para tentar minimizar o impacto de declarações feitas por religiosos. Historicamente contra o uso de meios para o controle da natalidade que não seja a abstinência, dirigentes da Igreja Católica têm tentado divulgar a idéia de que não há provas concretas de que a camisinha seja uma proteção eficaz contra a Aids.

A campanha, porém, está atrasada. O filme ainda está em produção, assim como os cartazes, folhetos e bandeirolas que o ministério prepara para serem distribuídos durante o carnaval. A propaganda deverá ser apresentada oficialmente em duas semanas.

Além disso, a equipe da Coordenação de DST e Aids do Ministério da Saúde vai participar mais efetivamente do carnaval carioca. Desfilará em uma ala da escola Grande Rio, cujo tema é ‘Vamos vestir a camisinha, meu amor’. Em uma outra ala, os foliões usarão camisetas da campanha Fique Sabendo, que o ministério preparou para incentivar a realização de testes de Aids.’

 

DIRECTV
Talita Moreira

‘Bispo Macedo quer ir à Justiça contra DirecTV’, copyright Valor Econômico, 28/01/01

‘O bispo Edir Macedo declarou guerra à DirecTV, empresa de TV por assinatura recém-adquirida por Rupert Murdoch, dono de um dos maiores impérios de comunicações do mundo. As emissoras Rede Mulher e Rede Família – que têm a Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Macedo, entre seus principais acionistas – ameaçam entrar na Justiça contra a DirecTV, acusando-a de quebra de contrato.

Em comunicado, as emissoras de Macedo dizem que foram tiradas da programação da DirecTV no dia 15 sem terem sido avisadas, e até ontem permaneciam fora do ar.

Segundo a nota, a DirecTV não informou o porquê da decisão e teria insinuado que a desistência partiu das emissoras. O caso veio à tona na madrugada de sexta-feira para sábado, durante o programa ‘Fala, que eu te escuto’, da TV Record (também ligada à igreja). Na ocasião, o apresentador Darlan Ávila exibiu um quadro onde, disfarçado de assinante da DirecTV, perguntava a um atendente da empresa por que a Rede Mulher e a Rede Família não estavam no ar. Segundo a assessoria das emissoras, o atendente respondeu que elas não haviam feito a renovação do contrato com a DirecTV.

Ontem, o departamento jurídico das emissoras ainda discutia a estratégia a ser adotada. Mas, segundo uma fonte que acompanha o processo, elas devem apelar a uma corte nos Estados Unidos, onde fica a sede da DirecTV Latin America.

Procurada, a DirecTV informou que divulgaria um comunicado, mas não o fez até o fechamento desta edição.’

 

Carlos Coelho

‘Directv se pronuncia sobre Redes Mulher e Família’, copyright MMonline (www.mmonline.com.br), 29/01/01

‘Segundo a operadora, inúmeras tentaivas de contato foram feitas para justificar a exclusão das emissoras de sua grade

A Directv emitiu comunicado nesta quinta-feira, dia 29, dando sua versão sobre a crise entre ela e as Redes Mulher e Família, onde teria ocorrido possível quebra de contrato operacional. No início desta semana, as duas emissoras haviam emitido um comunicado informando que a Directv havia quebrado um acordo ao encerrar as transmissões de ambos os canais em sua grade sem prévio aviso. Segundo a Directv, inúmeras tentativas de contato foram feitas, sem nenhum resultado. A operadora afirma ainda que entrará com medidas judiciais cabíveis por ‘divulgação distorcida dos fatos’. Veja o comunicado na íntegra:

QUEBRA DE CONTRATO – A VERDADE DOS FATOS

São Paulo, 28 de janeiro de 2004 – Com relação ao anúncio realizado pelo Departamento de Comunicação das Redes Mulher e Família de Televisão, em 27 de janeiro de 2004, a respeito da quebra de contrato da DIRECTV, segue abaixo o esclarecimento dos fatos.

A DIRECTV, por ser uma operadora de TV por assinatura, tem como característica própria a preferência na transmissão de canais pagos. Desta forma, em função do momento atual da empresa de escassez da capacidade do satélite responsável pela retransmissão dos seus canais, foi necessária a retirada de alguns canais de sua grade de programação. As Redes Mulher e Família, por serem canais abertos, não dependem da DIRECTV para serem transmitidas, não havendo, desta forma, prejuízo aos telespectadores brasileiros.

No comunicado oficial das Redes Mulher e Família, foi afirmado que as emissoras foram retiradas da grade da DIRECTV sem prévio aviso ou explicação dos motivos que levaram a esta decisão. A verdade dos fatos é:

Em 3 de dezembro de 2003, a DIRECTV comunicou através de contato telefônico o Diretor de Marketing da Rede Record (Sr. Hilton Madeira) sobre a saída dos canais Rede Mulher e Rede Família da sua grade de programação em virtude da escassez da capacidade de satélite responsável pela retransmissão dos canais da DIRECTV;

Em 11 de dezembro de 2003, novo aviso foi feito via carta, cujo recebimento foi negado pela área jurídica da Rede Record (Dr. Carlos Nunes);

Devido a recusa da carta, em 11 de dezembro de 2003, a DIRECTV enviou um fax ratificando o que já havia sido dito no contato telefônico de 3 de dezembro;

Em 12 de dezembro de 2003, uma nova tentativa de contato foi feita, sem sucesso. Foi enviada uma carta com aviso de recebimento dos Correios. O recebimento desta carta, também, foi recusado pela Rede Record;

Em 12 de dezembro de 2003, devido às repetidas recusas de comunicação, a DIRECTV optou por notificar a Rede Record formalmente via cartório, com nova recusa;

Finalmente, em 14 de janeiro de 2004, a Rede Record foi novamente notificada via fax sobre a saída dos canais Rede Mulher e Rede Família da grade de programação da DIRECTV em 15 de janeiro de 2004.

A DIRECTV informa que serão tomadas medidas judiciais cabíveis em razão dos danos sofridos pela empresa devido à divulgação distorcida dos fatos, ocasião em que serão apresentados todos os documentos que respaldam os fatos acima apresentados.’

 

Samuel Possebon

‘Cisneros impõe condições para eventual fusão DirecTV/Sky’, copyright PAY-TV News, 28/01/01

‘A DirecTV Latin America (DLA) entregou na terça, 27, à Bankruptcy Court de Delaware, uma nova suplementação de seu plano de reestruturação. Trata-se, desta vez, de uma parte do acordo de acionistas entre a empresa Darlene Investments e a Hughes Electronics, sócias na DLA. A Darlene é uma subsidiária do grupo Cisneros, e tem 18% da DirecTV Latin America, contra 82% da Hughes Electronics. O interessante dos termos do documento (chamado Second Amended and Restated Limited Liability Company Agreement) é que eles mostram que uma eventual fusão entre DirecTV e Sky na América Latina enfrentará, na negociação com o grupo Cisneros, um obstáculo considerável.

Está acordado entre a Hughes e a Darlene Investments, por exemplo, que nenhuma operação de fusão, consolidação ou venda entre DirecTV e Sky na América Latina pode acontecer sem que seja garantido ao grupo Cisneros uma participação mínima de 7% na empresa resultante, caso a operação envolva a NetSat (Sky no Brasil) e a Innova (Sky no México). Caso uma eventual fusão entre DirecTV e Sky não envolva as subsidiárias da Sky no Brasil e no México, o grupo Cisneros deve ter direito, a princípio, a 10% da empresa resultante, conforme o acerto com a Hughes.

O grupo Cisneros também tem garantias de que a Hughes comprará sua participação caso, em decorrência de uma consolidação ou fusão com a Sky, a sua participação seja desvalorizada por ações ou inações da empresa.

Além da possibilidade de uma operação envolvendo a Sky, o acordo entre Darlene Investments e Hughes prevê ainda a possibilidade de uma oferta pública de ações ou de uma venda integral da DirecTV Latin America nos próximos seis anos. Para esse período, estão estabelecidos valores mínimos pelos quais as participações de Hughes e Cisneros estão avaliadas e condições para que cada uma das operações possíveis aconteça.

Disputa regional

Outro aspecto interessante do acordo de acionistas entre Darlene e Hughes diz respeito à contratação de programação da Globo ou do grupo Televisa, do México, pela DirecTV Latin America. A DLA não deve contratar programação significativa destas empresas (e por significativo entende-se contratos com mais de três anos e acima de US$ 4 milhões) se estiver em processo de oferta pública de ações ou em processo de venda. Não sem o sinal verde do Comitê Executivo, uma espécie de conselho do qual o grupo Cisneros, como acionista da DLA, participa.

Note-se a quantidade de cláusulas do acordo entre a Hughes e o grupo Cisneros que fazem referência aos principais concorrentes na América Latina, Globo e Televisa, e também à Sky. É um indício que a eventual negociação para a fusão entre DirecTV e Sky será, mais do que uma operação comercial, uma complexa manobra de posicionamento dos grupos de mídia regionais (Cisneros, Televisa e Globo) frente à News Corp. A News, de Rupert Murdoch, é controladora da Sky e dá também as cartas, desde janeiro, na gestão da Hughes.

O acordo entre Hughes e Darlene Investments mostra, portanto, os passos que os venezuelanos do Cisneros estão dando para se proteger.’

 

PayTV News

‘Cade designa novo relator para processo News/Hughes’, copyright PayTV News, 28/01/01

‘Os principais casos envolvendo o setor de TV por assinatura têm novo relator no Cade. Com a Saída do conselheiro Miguel Tebar Barrionuevo, no início do mês, o ato de concentração que analisa a compra de 34% da Hughes pela News Corp. havia ficado órfão. Quem assume o caso agora é Thompson Almeida de Andrade. É ele também quem deve decidir sobre os pedidos de cautelar feitos pela associação NeoTV e pela Tecsat. No caso da NeoTV, uma audiência com o relator está prevista para a próxima semana. A associação quer a quebra de acordos de exclusividade de programação.’

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