Sexta-feira, 15 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº970

CADERNO DA CIDADANIA > CUBA SEM FIDEL

Manchetes para o comandante

Por Gabriel Perissé em 26/02/2008 na edição 474

Muitos esperavam (torciam para…) que Fidel Castro falecesse em 2007. Ou no início de 2008. A surpresa foi sua decisão de renunciar ao cargo supremo em Cuba, agora que o presidente norte-americano também se prepara para sair. O mundo, atento às campanhas políticas na grande potência, voltou os olhos para a pequena ilha.

Manchetes nas primeiras páginas de jornais dos cinco continentes, na quarta-feira (20/2), registraram a relevância do acontecimento histórico. Para não ir muito longe, o Daily News (Nova York) usa palavras em espanhol – ‘No más!’ –, com foto de Fidel contrastando com a do presidenciável democrata Barack Obama. ‘What next?’, pergunta-nos o The Miami Herald. O Orlando Sentinel também pergunta sobre o futuro: ‘Will Cuba change?’. Já El Universal (Caracas) expressa outro ponto de vista: ‘Cubanos esperan cambios tras la renuncia de Castro’. Em Bogotá, o jornal El Tiempo se põe no lugar do próprio Fidel: ‘Adiós a medio siglo en el poder’. La Hora, jornal equatoriano, relativiza a idéia de que o ditador renuncia à ditadura: ‘Fidel dice no a reelección’.

No Brasil, muitos jornais recorreram ao título-clichê: ‘Fidel sai de cena’ (lembrando eufemismo para ‘morrer’). O Estado de Minas, O Dia (Rio de Janeiro), o Diário Gaúcho (Porto Alegre) e vários outros, de norte a sul. O protagonista abandona o palco político. O Diário da Região (São José do Rio Preto), o Jornal da Tarde (São Paulo) e o ValeParaibano (São José dos Campos) adotaram uma outra solução imediata e óbvia: anunciar que estamos assistindo ao fim de uma era.

O Diário de S.Paulo banaliza a despedida com a informalidade: ‘Tchau, Fidel’. A Gazeta do Povo (Curitiba) fez outra interpretação: ‘Troca de comando’, com um Fidel Castro em foto menos recente, olhando o relógio como quem receia perder a hora. Não é o fim de uma era, mas apenas nova etapa dentro da mesma história. Já O Globo pareceu otimista: ‘Saída de Fidel abre espaço para transição em Cuba’. O Estado de S. Paulo fez questão de frisar que foram 49 anos no poder. O Zero Hora, com ‘A renúncia de Fidel’, solenizou.

Os que detêm o poder têm igualmente o poder de virar notícia. Eis mais um lance de Fidel Castro, agora no jogo da Idade Mídia. Sua saída, voluntária ou não, celebrada ou não, tornou-se manchete praticamente obrigatória.

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

Todos os comentários

  1. Comentou em 27/02/2008 Paulo Bandarra

    “controlado por um único partido”, imprensa controlada pelo partido, “precisa ser aprovada por um parlamento” do partido único, membros filtrados pelos CDR (Comitês de Defesa da Revolução), presentes em todos os quarteirões e áreas rurais, “Acredito que no futuro, as mudanças em Cuba ocorrerão … mas não na área política”. Bom, destes critérios podemos dizer que a Alemanha nazista e a Itália fascistas eram estados democráticos controlado pelos partidos únicos! Sem falar nos milhares de exilados, nos afogados tentando fugir, e nos presos políticos e de opinião! Para quem gosta do fascismo, um lugar ideal para quem está por cima. Maravilha de lugar. Para passar as férias, é claro, em Varadero!

  2. Comentou em 26/02/2008 Marco Antônio Leite

    Doutor Paulo Bandarra quanta insensatez tens com o sistema socialista cubano, como também entende que seus lideres são ditadores, ledo engano, são democratas da melhor qualidade. Vale dizer aqui neste quintal da bagunça administrativa, da corrupção, do racismo e da descriminação social vivemos em dois regimes, ou seja, o democrata para meia dúzia de malandros e uma ditadura raivosa na qual esta inserida uma parcela considerável da população brasileira. Liberdade de expressão e de pensamento não ganha jogo, o povo necessita de emprego, salário digno, cultura, saúde entre outras necessidades básicas, coisa que não existe. Será que a democracia cubana não é melhor que esta ditadura burguesa, eleição, imprensa livre, troca de governo não diz absolutamente nada, pois toda essa gente trabalha para o bem estar e social dos banqueiros, empresário nacional e internacional, especuladores e malandros das mais variadas tendências sociais. Abraços socialistas…

  3. Comentou em 26/02/2008 Marco Antônio Leite

    Com ou sem o grande líder Fidel Castro Cuba continuará a mesma. A democracia na ilha será a mesma, a qual o povo aprova categoricamente e exige que o grande DEMO não ponha suas patas naquele solo sagrado. Porque tanto olho gordo contra uma liderança que rechaça os ladrões democratas, a fim de que o povo da ilha viva em harmonia. Vale lembrar, na ilha existe pobre, mas não tem miseráveis como temos em abundância aqui no pasto Norte Americano.

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