Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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CADERNO DA CIDADANIA >

Manchetes para o comandante

Por Gabriel Perissé em 26/02/2008 na edição 474

Muitos esperavam (torciam para…) que Fidel Castro falecesse em 2007. Ou no início de 2008. A surpresa foi sua decisão de renunciar ao cargo supremo em Cuba, agora que o presidente norte-americano também se prepara para sair. O mundo, atento às campanhas políticas na grande potência, voltou os olhos para a pequena ilha.

Manchetes nas primeiras páginas de jornais dos cinco continentes, na quarta-feira (20/2), registraram a relevância do acontecimento histórico. Para não ir muito longe, o Daily News (Nova York) usa palavras em espanhol – ‘No más!’ –, com foto de Fidel contrastando com a do presidenciável democrata Barack Obama. ‘What next?’, pergunta-nos o The Miami Herald. O Orlando Sentinel também pergunta sobre o futuro: ‘Will Cuba change?’. Já El Universal (Caracas) expressa outro ponto de vista: ‘Cubanos esperan cambios tras la renuncia de Castro’. Em Bogotá, o jornal El Tiempo se põe no lugar do próprio Fidel: ‘Adiós a medio siglo en el poder’. La Hora, jornal equatoriano, relativiza a idéia de que o ditador renuncia à ditadura: ‘Fidel dice no a reelección’.

No Brasil, muitos jornais recorreram ao título-clichê: ‘Fidel sai de cena’ (lembrando eufemismo para ‘morrer’). O Estado de Minas, O Dia (Rio de Janeiro), o Diário Gaúcho (Porto Alegre) e vários outros, de norte a sul. O protagonista abandona o palco político. O Diário da Região (São José do Rio Preto), o Jornal da Tarde (São Paulo) e o ValeParaibano (São José dos Campos) adotaram uma outra solução imediata e óbvia: anunciar que estamos assistindo ao fim de uma era.

O Diário de S.Paulo banaliza a despedida com a informalidade: ‘Tchau, Fidel’. A Gazeta do Povo (Curitiba) fez outra interpretação: ‘Troca de comando’, com um Fidel Castro em foto menos recente, olhando o relógio como quem receia perder a hora. Não é o fim de uma era, mas apenas nova etapa dentro da mesma história. Já O Globo pareceu otimista: ‘Saída de Fidel abre espaço para transição em Cuba’. O Estado de S. Paulo fez questão de frisar que foram 49 anos no poder. O Zero Hora, com ‘A renúncia de Fidel’, solenizou.

Os que detêm o poder têm igualmente o poder de virar notícia. Eis mais um lance de Fidel Castro, agora no jogo da Idade Mídia. Sua saída, voluntária ou não, celebrada ou não, tornou-se manchete praticamente obrigatória.

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

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