Matem os escravistas | Observatório da Imprensa - Você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito
Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DA CIDADANIA > AÇÕES AFIRMATIVAS

Matem os escravistas

Por Demétrio Magnoli em 03/11/2009 na edição 562

Muniz Sodré é um curioso ‘observador da imprensa’. O método que utiliza no artigo ‘É necessária uma nova Abolição?‘ consiste em estabelecer um pressuposto factual falso para, em seguida, insurgir-se contra a injustiça inexistente.


O pressuposto:




‘Há uma questão atravessada na garganta de grupos empenhados na defesa das políticas afirmativas da cidadania negra. Trata-se de saber por que os jornalões (nome talvez mais palatável do que `grande mídia impressa´) brasileiros não dão voz alguma a quem se manifesta favorável a medidas como a instituição das cotas ou ao Estatuto da Igualdade Racial.’


É mesmo?


A afirmativa não é só dele, nem a pergunta. Escreve Sodré:




‘Foi essa a questão debatida nos dias 14 e 15 de outubro, durante o seminário `Comunicação e Ação Afirmativa: o papel da mídia no debate sobre igualdade racial´, realizado na Associação Brasileira de Imprensa por entidades como Comdedine, Cojira e Seppir.’


Deixo de lado o fato de que ele se refere à Seppir como uma ‘entidade’, quando se trata de um ministério. Anoto, porém, que o governo, por meio da Seppir, acusa os principais jornais do país de não dar ‘voz alguma a quem se manifesta favorável a medidas como a instituição das cotas ou ao Estatuto da Igualdade Racial’. Quando o Estado se torna ‘observador da imprensa’, algo vai mal. Quando intelectuais como Sodré veiculam as opiniões de um Estado convertido em ‘observador da imprensa’, sente-se de longe o antigo desejo stalinista de calar a opinião divergente.


Opinião editorial é livre


Na dupla qualidade de jornalista e professor titular de uma universidade pública, Sodré deveria se preocupar com certos detalhes, como a consistência interna de seu texto. Mas a ideologia fala mais alto e ele, poucas linhas depois de enunciar seu pressuposto, admite a falácia. Está lá:




‘É bem sabido que há vozes discordantes das opiniões oficiais dos jornalões, por parte de jornalistas de peso, alguns dos quais pertencentes aos quadros desses mesmos jornais. É o caso de Elio Gaspari, Miriam Leitão e Ancelmo Gois.’


Ah, sim? Então?


Então, para formular uma hipótese benigna, talvez Sodré queira dizer coisa diversa daquela que escreveu. Não haveria, por exemplo, um desequilíbrio no material opinativo dos ‘jornalões’ sobre a introdução de leis raciais no país? Imagino que Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S.Paulo, os maiores jornais do país, sejam os ‘jornalões’ de Sodré. Entre os três jornais, há apenas quatro colunistas fixos que abordam com alguma frequência o tema das políticas raciais: os próprios Gaspari, Leitão, Gois, além de Ali Kamel e eu mesmo. A seção da Folha de S.Paulo dedicada a artigos externos de opinião mantém o critério de dividir meio a meio seu espaço entre defensores e críticos do racialismo. O Globo e O Estado de S.Paulo não têm seções similares, mas adotam critério idêntico para artigos opinativos sobre o assunto que acompanham eventualmente o noticiário. Desafio Sodré a provar objetivamente que há desequilíbrio.


Ele não provará, pois não pode, mas isso em nada alterará a sua posição – nem a da Seppir e das demais ‘entidades’ da sopa de letrinhas congregada para acusar a ‘mídia’ de parcialidade. É que o problema deles com os principais jornais é outro: a opinião expressa nos editoriais. Os três ‘jornalões’ posicionaram-se editorialmente contra a introdução de leis raciais – opinião, aliás, compartilhada pela maioria esmagadora dos brasileiros de todas as cores, como indica pesquisa encomendada por uma entidade favorável à introdução dessas leis. A opinião editorial é livre, numa sociedade democrática. Então, qual é o sentido do ataque de Sodré (que, sempre é bom lembrar, emana de um evento com participação estatal)?


Inimigos externos


A resposta está na conclusão do artigo de Sodré. Eis o trecho:




‘(…) os jornalões, intelectuais coletivos das classes dirigentes, não fazem mais do que assim se confirmarem ao lhes darem voz exclusiva em seus editoriais e em suas páginas privilegiadas, ao se perpetuarem como cães de guarda da retaguarda escravista’.


Fica-se sabendo assim que: 1) os intelectuais e ativistas críticos da introdução de leis raciais, pessoas de todas as cores e das mais variadas preferências partidárias e ideológicas, constituem a ‘retaguarda escravista’; 2) os ‘jornalões’ são os ‘cães de guarda’ dos escravistas. O que faria Sodré se estivesse no poder?


Um jornalista não está isento da exigência de rigor histórico, quando aborda temas históricos. Mas Sodré olha para o passado como quem duela ideologicamente no presente. O resultado é um cartum anacrônico, composto pela tesoura que corta fragmentos de citações e amparado por uma extensa ignorância histórica. O Alberto Torres caricatural que ele fabrica não passa num exame básico de graduação universitária. Recomendo, para quem quiser conhecer a posição de Torres, no cenário do intenso debate sobre a “questão racial” que crepitava no Brasil do início do século 20, uma consulta a meu livro Uma gota de sangue – história do pensamento racial.


Mas Sodré não tem nenhum interesse histórico no pensamento de Torres (ou de Oliveira Vianna). Ele só os menciona para inventar supostos “escravistas” atuais – e, com isso, substituir o argumento pela violência verbal. Nas democracias, a violência verbal é um sucedâneo da violência física contra opositores, interditada pela lei. Nas ditaduras, é um sinal anunciador da repressão. A violência verbal atinge seu paroxismo quando a voz dissonante é equiparada ao discurso abominável do inimigo externo. Cuba tem um ‘jornal único’, pois divergir da linha oficial implica operar a serviço da CIA, um inimigo que é externo no sentido geográfico. A acusação de Sodré é que os ‘jornalões’ são os arautos de um inimigo externo no sentido histórico: os ‘escravistas’. Inimigos externos devem ser calados, senão presos e fuzilados.


Sodré empastelaria jornais, se pudesse. Ele não está só, neste Observatório.

******

Sociólogo, autor de Uma gota de sangue – história do pensamento racial (SP, Contexto, 2009)

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/11/2009 Felipe Faria

    Negativo, todos somos credores e devedores da história. Quando Cassisu Clay foi lutar no Zaire falou: ‘Graças a Deus meu bisavô entrou naquele barco’.

  2. Comentou em 09/11/2009 Marcelo Idiarte

    Para algumas pessoas simplesmente não existe débito com a História. Não existindo débito, não há percepção de se fazer parte dela. A História passa a ser apenas um detalhe.

  3. Comentou em 09/11/2009 pedro andrade

    Concordo com o sr Molina: esse Angelo Azevedo Queiros eh um desocupado a soldo de Veja. Fui tb incomodado com sua feroz defesa – um desmiolado faria melhor – do novo chefe da Ku Klux Klan esse insuportavel e analfa Demetrius Magnolli. Li outros artigos do OI e fiquei estarrecido como o desocupado sr Angelo desfere desaforos contra ao menos 4 dos colunistas . Prova de que ele eh pau mandado do pessoal reacionario demotucano.

  4. Comentou em 08/11/2009 Felipe Faria

    Marcello, persistir em teses racialistas do século 19 é permanecer colonizado. Inverter o sinal na questão racial não é superá-la, mas torná-la permanente. O risco, para os racialistas de hoje em dia, é alguém ‘encontrar’ provas de que a ‘raça ‘ negra é inferior.
    A demanda de cotas exige privilégios dignos de aleijões para uma elite de afro-descendentes perfeitamente saudáveis no Brasil.

  5. Comentou em 08/11/2009 Ronaldo Santana

    Thiago Conceição. Eu só pedi uma solução para o problema. Divagar dizendo que os mais preparados se dão bem, é poético mas ilusório, pois não condiz com a realidade. Primeiro porque há várias pessoas extremamente qualificadas que têm subempregos. Tantas mulheres ralam no trabalho, são esforçadas e preparadas, todavia as estatísticas não deixam dúvidas: elas em geral ganham menos que os homens de igual qualificação e experiência. Por que? Sem querer fazer uma lista exaustiva dos motivos; muitos ainda acreditam que mulher deve ter um papel submisso frente ao homem e portanto não merecem ganhar o mesmo. Apenas por isso: elas trabalham tanto quanto os homens mas não têm as mesmas chances. É questão de esforço pessoal? Não. Não causa surpresa, portanto, que os negros tão qualificados quanto o resto também ganhem, em média, menos que os outros. Só quem não conhece a função do governo acredita que ele está distribuindo dinheiro. Pra começar o dinheiro não é do governo, o dinheiro é do povo e o governo tem que usar para o benefício do povo. Não é favor, e sim obrigação. Está na constituição. O que temos pra dar para essas pessoas? Um tapinha nas costas e sinto muito, mas você nasceu da cor ou do sexo errado?

  6. Comentou em 07/11/2009 Thiago Conceição

    Ronaldo Santana, todos temos direito à liberdade e apenas isso. Justamente por causa da liberdade, tudo é por nossa conta. Todos os nossos ancestrais, sejam eles brancos, negros ou índios trabalharam para que eu estejamos aqui hoje. Acreditar que é dever do governo distribuir dinheiro, quotas ou o que seja é besteira. Por que é besteira? Qual é a fonte de renda do governo? O governo não cria nada, não produz nada, não desenvolve nada. Querer que o governo dê dinheiro para uns é pedir para ele aumentar os impostos afim de sustentar burocracias e políticos corruptos tentando lucrar com a máquina do Estado. A solução é o desenvolvimento de uma cultura empreendedora e livre mercado. Enquanto seletivamente extirpamos dessa sociedade esses aspectos negativos festeiros (essa cultura de carnaval e vagabundagem) e socialistas, e criamos um ambiente propício para o desenvolvimento. Livre mercado é diferente de corporatismo e subserviência à elite banqueira internacional assim como o atual governo faz. Trabalho com tecnologia e vejo todos os dias como essa cultura é nociva ao desenvolvimento, onde pessoas acham mais importante demonstrar status do que efetivamente contribuir alguma coisa em termos de propriedade intelectual ou desenvolvimento de negócios. É uma cultura de malandragem e carnaval. Desse jeito nem com todo o dinheiro do mundo esse país vai para a frente.

  7. Comentou em 07/11/2009 Thiago Conceição

    Ronaldo Santana, todos temos direito à liberdade e apenas isso. Justamente por causa da liberdade, tudo é por nossa conta. Todos os nossos ancestrais, sejam eles brancos, negros ou índios trabalharam para que eu estejamos aqui hoje. Acreditar que é dever do governo distribuir dinheiro, quotas ou o que seja é besteira. Por que é besteira? Qual é a fonte de renda do governo? O governo não cria nada, não produz nada, não desenvolve nada. Querer que o governo dê dinheiro para uns é pedir para ele aumentar os impostos afim de sustentar burocracias e políticos corruptos tentando lucrar com a máquina do Estado. A solução é o desenvolvimento de uma cultura empreendedora e livre mercado. Enquanto seletivamente extirpamos dessa sociedade esses aspectos negativos festeiros (essa cultura de carnaval e vagabundagem) e socialistas, e criamos um ambiente propício para o desenvolvimento. Livre mercado é diferente de corporatismo e subserviência à elite banqueira internacional assim como o atual governo faz. Trabalho com tecnologia e vejo todos os dias como essa cultura é nociva ao desenvolvimento, onde pessoas acham mais importante demonstrar status do que efetivamente contribuir alguma coisa em termos de propriedade intelectual ou desenvolvimento de negócios. É uma cultura de malandragem e carnaval. Desse jeito nem com todo o dinheiro do mundo esse país vai para a frente.

  8. Comentou em 07/11/2009 Márcia Pimentel

    Thiago Conceição, você está falando da Escola de Chicago, por acaso? Ah, por favor, pare de querer me dar aula. A questão é que o racismo foi praticado e se instaurou na cultura da sociedade, ainda que o conceito de raça seja de uma bestialidade tamanha. O problema é que, na hora de acertar as contas, a linhagem dos escravistas vem dizer, agora, que é para esquecer seus equívocos do passado. Faz favor, pelo menos reconheça o erro pagando o débito histórico para com os negros! É assim que deve agir as pessoas de bem!

  9. Comentou em 06/11/2009 Ronaldo Santana

    É certeiro o comentário de Rubens Costa. Ainda que o conceito de raças biológicas não tenha respaldo da ciência, o conceito histórico cultural tem muita força neste sentido. E isto é utilizado por grupos bardeneiros para esvaziar o diálogo sobre o que fazer para diminuir as diferenças. Se as cotas são ruins, pior seria sem elas. Thiago conceição defendia aqui há alguns meses que não havia preconceito racial no Brasil. Após a Folha destruir esta tese em 23.11.2008, ele andou sumido deste observatório. Bom, se criticam tanto as cotas, que soluções propoem? Está na hora de separar a verborragia e argumentos.

  10. Comentou em 06/11/2009 Marcelo Idiarte

    Ah, é? E dizer que os negros merecem ter alguns benefícios para tentar minimizar o que fizemos com eles durante séculos é uma tese ‘racialista’? Ou seja: o passado a gente deve esquecer, afinal não doeu no nosso lombo. Para quem nunca esteve na pele de um negro, é bem oportuno se empolgar com a descoberta da Ciência de que no fundo somos todos iguais. O problema não está está mais na classificação de ‘raças’, é apenas preconceito de cor mesmo. Todos são iguais, só que o pretinho é que continua sendo olhado com desprezo num restaurante requintado ou com desconfiança numa joalheria. Infelizmente a aristocracia é como um cão: continua enxergando o mundo dividido em preto e branco. Com extrema inclinação pelo branco, naturalmente. Para disfarçar, dizem que quem se constrange pela história dos negros é que está sendo racista. E, o pior de tudo, colocam os brancos no papel de vítimas. Coitadinho do ‘macho-adulto-branco-sempre-no-comando’, como dizia Caetano Veloso em O Estrangeiro… Vão perder os direitos adquiridos! Depois que houver equidade entre brancos e negros, proporcional ao número de negros do Brasil, nas universidades e nas grandes empresas do país, daí sim dá para ‘zerar’ a conta e dizer ‘bom, agora é cada um por si’. Antes disso é papo. Geralmente – e coincidentemente – de branco.

  11. Comentou em 06/11/2009 angelo azevedo queiroz

    Senhor Marcelo Idarte, as teses racialistas é que se produzem em gabinetes de biblioteca refrigerada, pois os racialistas são um minoria que precisa se impor à maioria. Para isso inventaram que o Brasil é majoritariamente negro. Se fosse também estaria ótimo, mas é mentira:. a população negra no Brasil não passa de 7%. Para fazer a conta é preciso incluir os pardos e seduzi-los e corrompê-los com privilégios legais para que assumam sua negritude”e mobilizá-los política e ideologicamente, como quer o professor. Kabengele Munanga.. O racialismo do Sr Mugnanga é que não existe fora dos gabinetes das universidades públicas e dos corredores de Brasília. Ele não sobreviverá sem subornar e dividir os brasileiros. Nós, brasileiros, devemos lutar para que o Congresso convoque um plebiscito sobre as leis radialistas. Plebiscito na Leis racialistas. Plebiscito já!

  12. Comentou em 05/11/2009 angelo azevedo queiroz

    Sr. willian kaizer, toda vez que se toca na responsabilidade dos africanos na escravidão e na participação dos europeus para acabar com ela, a reação é histérica. É preciso “estudar a história do povo africano.”. Sim, é claro, Citei justamente fatos da história africana. Prove que não!. Os fatos não são assim porque eu tenha olhos azuis ou vermelhos. Outra bobagem copiada e colada : “os europeus acabaram com a escravidão, porque para o capitalismo era mais conveniente ter trabalhadores consumidores” Ótimo, tomemos isso como indiscutível. O que provaria?. Provaria apenas que o capitalismo é um estágio superior da civilização, pois elevou a condição dos indivíduosl, de escravos para consumidores. Percebeu? Seu argumento apenas reforça o que eu disse sobre o legado europeu. Isso quer dizer que esse legado civilizatório foi sempre linear. Claro que não, pois nada no processo histórico é assim. Provo de novo , e novamente com seu próprio exemplo. Não foram os mesmos EUA, racistas e segregadores, que lideram os esforços internacionais decisivos para por fim ao o apartheid na África do Sul. Prove que não. Por fim, é triste ver um ser humano se qualificando de estudante negro. Obrigar-se à identificação pela cor da pele, no contexto de sua atividade profissional, não acrescenta nada, só te diminui como pessoa, como indivíduo. Esta deformação já é o legado dos racialistas.

  13. Comentou em 05/11/2009 Ney José Pereira

    Os jornalecões (imprensa escrita) jamais terão condições de nos dar a tal abolição!. Nem mesmo os históricos abolicionistas nos deram a abolição. E se as cotas existem é porque algo não estava bem. Mas, mesmo as cotas parece não ser suficientes para os companheiros negros. E não são mesmo. E se as cotas não são suficientes imaginam a condição dos pobres (brancos) que não têm cotas. E se os jornalecões (imprensa escrita) não ajuda na concretização da abolição (nem dos negros nem dos demais pobres) os discursos clichezados (metidos a intelectualizados) dos companheiros Muniz Sodré e Demétrio Magnoli antecedidos por outros discursos ideologizados também não ajudam na concretização da abolição da escravatura (dos negros, dos indígenas e dos brancos entre outros pobres). Mas, os oponentes (Sodré e Magnoli) estão apenas fazendo os seus papéis (e o Sodré representa a esquerda e Magnoli representa a direita). E antecipadamente já sabemos que nem a esquerda nem a direita resolverão -apenas ideologicamente- o problema da abolição da escravidão dos pobres no Brasil. Acho que nem o ódio nem a vingança (históricos) têm algo a ajudar nessa questão da abolição. Mas, enquanto a abolição não vem ficamos na discussão. Geralmente deletéria. Mas, a (política) das cotas é apenas algo pontual. Outros problemas conjunturais precisam ser revolvidos (e resolvidos) para a concretização da abolição.

  14. Comentou em 03/11/2009 Thiago Conceição

    Muito bom esse artigo. Quem apóia ações afirmativas é completamente ignorante sobre a história do racismo no mundo. Ação afirmativa, especialmente no Brasil, significa introduzir conceitos raciais obsoletos e eugenistas, além de idéias racistas como de pureza racial e outras abobrinhas. No final das contas nada seria resolvido, pois os pobres continuariam pobres, e em lugares como os EUA as ‘minorias’ continuam atrás de todo o resto socialmente. A esquerda deseja regredir o Brasil em 100 anos em termos raciais ao utilizar conceitos adotados, entre outros, pelo próprios Nazistas, apenas por uma questão de poder político. É por isso que eles me enojam. São pessoas mentalmente perturbadas que não conhecem certo ou errado, e em sua busca por poder são capazes de tudo.

  15. Comentou em 03/11/2009 Lola Oliveira

    Magnoli, fico feliz em ler um posicionamento tão bem fundamentado!

    Infelizmente, há quem acredite que dá para tapar o sol com a peneira, e insista em políticas que, ao invés de sanar problemas, apenas distorcem a realidade para que haja um espírito de que ‘o bem foi realizado de fato’.

    Com base na igualdade almejada por todos, é difícil crer que há quem deseje exercer políticas raciais para ‘coibir’ um racismo. Qual o mérito de alguém que se valhe de sua cor de pele num vestibular? Tenho colegas negros que se recusaram a participar da política de cotas, por saberem de sua capacidade intelectual, e por acreditarem que pior racismo é fingir que tudo vai melhorar se os empurrarem para o Ensino Superior e pro mercado de trabalho, não por mérito, mas por ‘pena’. Quisera que todo o empenho destinado a fazer os negros se sentirem desprezados fosse empregado em dar dignidade a todos. Se o amparo é histórico, há então a dívida com os homossexuais e com as mulheres – e nem por isso estes grupos se sentem marginalizados e necessitam de ajuda governamental para ingressar na universidade ou compôr quadro de funcionários.

  16. Comentou em 03/11/2009 Lola Oliveira

    Magnoli, fico feliz em ler um posicionamento tão bem fundamentado!

    Infelizmente, há quem acredite que dá para tapar o sol com a peneira, e insista em políticas que, ao invés de sanar problemas, apenas distorcem a realidade para que haja um espírito de que ‘o bem foi realizado de fato’.

    Com base na igualdade almejada por todos, é difícil crer que há quem deseje exercer políticas raciais para ‘coibir’ um racismo. Qual o mérito de alguém que se valhe de sua cor de pele num vestibular? Tenho colegas negros que se recusaram a participar da política de cotas, por saberem de sua capacidade intelectual, e por acreditarem que pior racismo é fingir que tudo vai melhorar se os empurrarem para o Ensino Superior e pro mercado de trabalho, não por mérito, mas por ‘pena’. Quisera que todo o empenho destinado a fazer os negros se sentirem desprezados fosse empregado em dar dignidade a todos. Se o amparo é histórico, há então a dívida com os homossexuais e com as mulheres – e nem por isso estes grupos se sentem marginalizados e necessitam de ajuda governamental para ingressar na universidade ou compôr quadro de funcionários.

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