Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº962

CADERNO DA CIDADANIA > TRAGÉDIA PASSADA A LIMPO

Mídia contentou-se com declarações, esqueceu de investigar

Por Alberto Dines em 02/10/2007 na edição 453

Um ‘furo’ como há muito não se via: a divulgação das principais conclusões do Inquérito Policial Militar sobre a colisão do Boeing da Gol com o Legacy, pela jornalista Eliane Cantanhêde (Folha de S.Paulo, terça, 2/10), além do teor explosivo contém uma denúncia retrospectiva ao desempenho da mídia nas semanas que se seguiram à tragédia.


Na ânsia de encontrar culpados sem perder tempo com investigações, a grande imprensa contentou-se em reproduzir as declarações do então ministro da Defesa, Waldir Pires, que assumiu a tarefa de descolar o governo de qualquer responsabilidade, jogando-a em cima dos pilotos norte-americanos do Legacy. Convém lembrar que o desastre ocorreu na véspera do primeiro turno das presidenciais e os ataques do ministro começaram em seguida, antes do segundo turno.


A imprensa fez o jogo do ministro: minimizou as responsabilidades do controle do tráfego aéreo (isto é, do governo) e enrustiu a informação sobre o abalo emocional de controladores envolvidos no acidente, alguns dos quais solicitantes de licença médica para internarem-se em clínicas.


A imprensa foi engabelada, apesar das advertências deste Observatório A primeira jornalista a levantar a lebre foi justamente Eliane Cantanhêde, da Folha, e os demais jornalões preferiram centrar o noticiário em outros aspectos do acidente.


Apuração negligente


É preciso deixar claro que a politização da tragédia não foi orquestrada exclusivamente pelo então titular da Defesa. Waldir Pires teve a decidida colaboração dos jornalistas que inventaram o ‘complô da mídia contra o governo’, o que funcionou como cortina de fumaça e desviou as atenções/emoções para o debate sobre a publicação das fotos da dinheirama apreendida pela PF para pagar a divulgação do Relatório Vedoin.


As conclusões do IPM sobre a tragédia da Gol não inocentam os pilotos do Legacy, seus erros são evidentes, mas poderiam ter sido corrigidos pelo controle do tráfego aéreo.


Um ano depois, é importante confirmar a negligência da mídia, que optou pelo conforto do ‘jornalismo declaratório’ esquecida do comezinho dever de checar acusações dos entrevistados.

Todos os comentários

  1. Comentou em 05/10/2007 maria natalia lebedev martinez moreira

    Enquanto não reconhecermos com clareza nossos erros ficaremos marcando passo nesse colonialismo atrasado. Essa mania de encher a boca para acusar as falhas do ‘Império’ como diz o mais novo ícone da esquerda brasileira, Hugo Chavez, mas sempre justificando,desculpando, encobrindo as nossas palhaçadas. Temos o tamanho e a vocação para sermos uma China, uma Russia , um Canada e mesmo EUA, mas optamos sempre pela maneira da fazer politica da ‘terrinha’, do homem cordial, que nunca corrige os seus. Na época do acidente tranformaram os pilotos do Legacy em vilões norte americanos reponsaveis pela morte dos brasileiros que estavam no Gol. A maioria da classe média e a imprensa seguindo o badalo, vociferou contra dois pilotinhos ridiculos num aviãozonho pequeno. E assim o absurdo da segurança do espaço aéreo brasileiro ter sido quebrada pelo erro de um aviãozinho ficou por isso mesmo. Os controladores e seu sindicato, a Aeronáutica , a Anac, o governo não tinham culpa alguma . Passado uma ano, vários comentaristas do artigo de Dines, confirmando a opção colonialista de empurrrar responsabilidades para terceiros e dessa forma contribuir para o nosso eterno atraso ,continuam atribuindo as nossas falhas para os outros . E segundo nosso grande líder, o presidente Lula, nossos heróis continuam a ser os usineiros.

  2. Comentou em 03/10/2007 Jedeão Carneiro

    Pior foi o que a midia fez com a tragédia do metrô paulista. Não testou nem uma hipótese, não ouviu Serra, não questionou o Alckmin, não condenou as maiores empreiteiras do Brasil. Não julgou ninguém, só abafou!!!

  3. Comentou em 03/10/2007 Teo Ponciano

    Ficar se chafurdando no passado para não falar do presente, esta é a técnica do Dines. Incrível: até agora nenhuma palavra sobre o mensalão tucano e as novas falhas do Metro-SP tão bem não não noticiadas pela imprensa. Me parece que o ‘oservador’ não observa, apenas segue a pauta do imprensalão.

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem