Terça-feira, 11 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1016
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CADERNO DA CIDADANIA >

Números para ler o Brasil

Por Luciano Martins Costa em 06/08/2008 na edição 497

Dois novos estudos divulgados na terça-feira (5/8), publicados na quarta com destaque por todos os principais jornais brasileiros, comprovam a permanência dos avanços sociais registrados no Brasil nos últimos anos.


Um deles, realizado pela Fundação Getulio Vargas, indica que a classe média já representa mais da metade da população brasileira.O outro, desenvolvido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostra que a taxa de pobreza caiu nas seis maiores regiões metropolitanas do país.


Diferente dos estudos anteriores, que demonstravam resultados das políticas sociais de transferência de renda, desta vez os bons indicadores sociais são produzidos pelo aumento na oferta de empregos formais.


O tema foi tratado não apenas nos jornais, mas também nos sites das revistas semanais de informação, e está presente no material distribuído por agências internacionais de notícias.


Paralelamente, o noticiário econômico ainda traz repercussões do seminário promovido na segunda-feira (4/8) pela revista CartaCapital, durante o qual o ministro da Fazenda Guido Mantega apresentou os resultados da estratégia de combate à inflação.


Noticiário fragmentado


Tomados como uma cena geral, os dados econômicos e sociais formam um quadro otimista. Mas, como a função da imprensa não é estender tapetes para governantes, convém observar outros aspectos do noticiário. Por exemplo, onde estão os sinais de sustentabilidade do bom momento econômico?


A Folha de S.Paulo publica na edição de quarta-feira (6) um mapa da violência no município de São Paulo que mostra, pela primeira vez em seis anos, a distribuição dos tipos de crimes por distrito. Esse tipo de estudo deixou de ser divulgado pelo governo paulista em 2002, o que dificultava as análises do problema da violência por parte da imprensa e dos especialistas.


O cruzamento de dados sobre os ganhos sociais e as características da violência pode orientar melhores políticas de segurança, revelar oportunidades de negócios e ajudar os planejadores urbanos a desenvolver projetos mais adequados às necessidades da população.


Acontece que nem sempre a imprensa oferece uma visão sistêmica dos fatos e suas correlações. Quando o noticiário vem fragmentado, resta ao leitor desenvolver a capacidade de vincular as diversas frações do jornal para obter o retrato inteiro. Só assim se pode construir pontos de vista consistentes.

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