Domingo, 19 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº966

CADERNO DA CIDADANIA > THE WASHINGTON POST

O futuro dos jornais, na opinião dos leitores

08/03/2005 na edição 319

Sobre artigo de Michael Getler

Em sua coluna de 17/2/05, o ombudsman do Washington Post, Michael Getler, escreveu sobre como os jornais impressos podem ter seu futuro comprometido pela internet. Em seu artigo seguinte, ele conta que recebeu muitos e-mails de leitores comentando o assunto. Alguns declaravam que nunca trocariam o papel pelo monitor. ‘O diário impresso me permite ler, pensar, reler e formar uma opinião. Nunca o deixarei de lado’, escreveu um deles. Também houve contribuições de leitores de fora de Washington, que atestavam a vantagem da internet como meio que lhes possibilitava ter acesso ao diário.

Temas recorrentes nas mensagens eram os motivos pelos quais muitas pessoas estavam abandonando os jornais. Muitos observavam que o público pode estar perdendo a confiança na imprensa. O Post, assim como outros grandes jornais, teria falhado ao não colocar o governo de George W. Bush contra a parede com relação às falsas alegações sobre as armas de destruição em massa que Saddam Hussein teria em seu poder. ‘A perda de confiança nos jornais e canais de notícias começou em 2002, quando vocês falharam em reconhecer e reagir de forma responsável às mentiras usadas para enganar o mundo com o plano para invadir o Iraque. Continuam sem investigar e noticiar a verdade até hoje e este é o motivo pelo qual as pessoas perderam a fé em vocês’, escreve um texano a Getler. Alguns leitores afirmam que a cobertura das discussões da reforma da previdência social americana vai pelo mesmo caminho.

Houve queixas sobre a falta de adaptação do diário à necessidade do público por matérias mais objetivas – hoje, faltariam hard news nas capas. Os lides pouco informativos, comuns na imprensa americana, também foram atacados. Getler comenta que sugestões práticas como estas podem ser úteis, mas que a questão da possível falta de arrojo do jornal em desafiar o governo lhe parece ainda a mais importante, principalmente se for considerado que Bush e sua equipe são muito fechados para a imprensa.

O ombudsman termina o artigo citando o exemplo de um leitor que lhe escreveu de New Hampshire. Tem 83 anos e, quando jornais e televisão só sabiam falar do caso O. J. Simpson, resolveu não recorrer mais a esses meios tradicionais de comunicação para se informar. Comprou um computador e passou a ler sobre os assuntos que lhe interessavam em diferentes sítios. ‘O mundo espera por mim no Google. Quando chegou a banda larga, percebi que era para sempre’, conta o senhor.

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