Terça-feira, 17 de Setembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1055
Menu

CADERNO DA CIDADANIA >

O jornalista, o cavaleiro e a ética

Por Eduardo Santos em 30/06/2009 na edição 544

‘O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter’, já dizia Cláudio Abramo (1923-1987). E como poderia ser diferente? Esses elementos devem, sim, andar de mãos dadas como irmãos de contos infantis. Mas, existem profissionais que, sem atrelar qualquer ônus à consciência, burlam os códigos éticos em proveito próprio. O que parece comum, quando falamos de uma sociedade hedonista, onde o bem coletivo é cada vez mais esmagado e dispensado sob o tapete.

A jornalista Malu Fontes, relatou há algum tempo, em coluna que mantém em uma famosa rádio de Salvador, sem citar nomes, histórias de profissionais de veículos badalados da cidade que utilizam sua influência (ou a do meio em que trabalham) para obter descontos em lojas, empréstimos de roupas finas para eventos e até ‘mimos’ de donos de estabelecimentos em troca de publicidade.

Entrincheirado e combativo

Difícil saber quais os argumentos utilizados por estas pessoas (se existem), para justificar tal conduta. Talvez se encaixe naquela máxima de que, se podem ‘trocar favores’ em Brasília sem constrangimento, por que não fazê-lo aqui também? O precedente foi mais uma vez ratificado, há pouco, pelo ‘bola da vez’ da Ilha da Fantasia do Planalto Central, Edmar Moreira, deputado pelo DEM-MG e seu ‘insanável vício da amizade’, que, de acordo com o parlamentar, é lugar-comum no Congresso.

Como evitar tais deslizes? A tentação, em sentido bíblico mesmo, está aí, em todos os cantos da sociedade. Será que cabe ao jornalista vestir-se tal qual um cavaleiro da lendária Távola Redonda, a fim de se proteger dos ataques contra sua imprescindível virtude? Bem, não temos a alma tão impenetrável quanto o justo Galahad, nem, como estes guerreiros, buscamos a perfeição humana. Contudo precisamos nos manter vigilantes, o tempo inteiro. Pois, sempre haverá corruptores, não se enganem.

Como não havia cavaleiros em horário comercial, não devem existir jornalistas de meio período. O profissional de imprensa deve estar alerta todo o tempo. Um soldado entrincheirado e combativo em tempo integral. Pronto e disposto sempre a defender sua coroa, a ética, ante os desafios diários do meio. Mesmo que isso lhe custe sua sensação pessoal de paz. Ser justo o tempo inteiro deve doer, como dói a tentativa, que é o degrau em que todos, ainda, e, felizmente, nos encontramos.

******

Estudante de Jornalismo, Salvador, BA

Todos os comentários

x

Indique a um amigo

Este é um espaço para você indicar conteúdo do site aos seus amigos.

O Campos com * são obrigatórios.

Seus dados

Dados do amigo (1)

Dados do amigo (2)

Mensagem