Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1063
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CADERNO DA CIDADANIA >

O obscuro Berlusconi

Por Luís Olímpio Ferraz Melo em 12/10/2009 na edição 559

O premier Silvio Berlusconi teve a sua imunidade revogada pela Justiça italiana. Berlusconi chegou ao poder em 2001, trazendo consigo muita polêmica e denúncias em relação à sua vida pregressa, inclusive de ter tido ligações com a máfia. Berlusconi somente consegue se manter no cargo de premier devido à sua forte atuação nos meios de comunicação, pois o seu império na mídia eclodiu em 1980, quando ele e seu grupo financeiro, a Fininvest, inauguraram o Canal 5, que tem abrangência em quase toda a Itália. Mas não ficou somente nisto e, entre 1983 e 1984, Berlusconi adquiriu outros canais e, mesmo com denúncias de monopólio na mídia, tudo foi corroborado por lei promulgada em 1990 – seu grupo é hoje o maior da mídia privado na Itália.

Berlusconi é um sujeito controverso e polêmico e parece andar – ou andava – acima do bem e do mal, pois mesmo após ser pilhado em orgias com meretrizes e a sua ainda não explicada separação conjugal – na qual o pivô teria sido uma adolescente filha de um amigo seu –muy amigo, esse, – ele age como se nada tivesse acontecido e que todos concordassem com o comportamento dele envergonhando seus dignos compatriotas.

Traído pelo inconsciente

Há algo de podre no governo da Itália. Num admirável artigo, ‘O Brasil e os métodos da Máfia’, de 20 de julho de 2009, o ex-juiz de Direito Walter F. Maierovitch deu a senha de que Berlusconi pode ter virado a mira de um escândalo bem maior do que se imagina. Coincidentemente, após isto, a Justiça italiana iniciou e mobilizou em tempo recorde processo para revogar a imunidade de Berlusconi e provavelmente ele irá voltar ao banco dos réus. Maierovitch cita no seu artigo que o nome de Berlusconi voltou a ser citado, pois seu nome figuraria numa carta da máfia que o acusava de traição e ameaçava seqüestrar e executar o seu filho. O processo a que refere o artigo em tela diz respeito à máfia italiana e também indiretamente a morte dos honrados juízes anti-máfia Giovanni Falcone e Paolo Borselino, executados ambos em 1992 pela máfia. Borselino, antes de morrer, escrevia em uma agenda vermelha as ligações da máfia com a política e os políticos italianos e por ocasião da sua morte, numa emboscada explosiva, somente a tal agenda foi subtraída dos seus pertences.

Muitos políticos na Itália estão sendo processados por terem ligações com a máfia e não é por acaso que a Justiça se mobilizou para revogar a imunidade de Berlusconi. Na última sexta-feira [9/10], numa entrevista coletiva, Berlusconi foi ‘traído’ pelo inconsciente e disse que deu propina a juízes. Depois tentou consertar e disse que pagou foi a advogados.

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Advogado e psicanalista, Fortaleza, CE

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