Sexta-feira, 24 de Novembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº967

CADERNO DA CIDADANIA > DESRESPEITO NO RÁDIO

O poder de agredir

Por Francisco Djacyr Silva de Souza em 17/10/2005 na edição 351

A Associação de Ouvintes de Rádio foi uma conquista. Pessoas anônimas que só se conheciam pela emissões de rádio resolveram se unir para lutar por um rádio melhor. Não se trata de tribunal de inquisição nem de donos da moralidade: são apenas cidadãos que lutam pelo fim do uso do rádio para agredir as pessoas, para fazer politicagem ou para desrespeitar o ouvinte.

O rádio, como concessão pública que é, deveria satisfazer os interesses daqueles que são importantes em seu desenvolvimento: os ouvintes. Infelizmente não é isso que ocorre. Os ouvintes são chamados de ‘malas’, têm sua opinião cerceada e muitas vezes não têm direito de resposta quando são acusados.

A Associação de Ouvintes vai sempre procurar lutar por um rádio melhor, que satisfaça aos ouvintes, que valorize o comunicador e que seja um instrumento de educação e cidadania.

No último dia 23 de setembro, associação foi surpreendida por um festival de impropérios desferido por um dos radialistas mais respeitados do Ceará e dono de uma das maiores audiências. O grupo ao qual ele pertence é um dos mais fortes do estado. Intriga-nos o motivo de tais agressões, pois nosso grupo não tem objetivos de fazer caçada às bruxas nem perseguir radialistas; pelo contrário, nosso objetivo é fazer com que o rádio seja sempre melhor e cumpra seu objetivo de informar bem, sem preconceitos ou ridicularização de quem quer que seja.

Transcrevemos o que foi dito por este radialista e queremos a solidariedade da sociedade na luta por um rádio melhor e mais digno. Aceitamos moções por meio do endereço postal Rua General Sampaio, 1128 – Centro – 60020-030 Fortaleza/CE; ou pelo e-mail (aouvir@ibest.com.br).

Leia, reflita e considere se merecemos um rádio desse tipo?

***

Trechos transcritos do programa de rádio Paulo Oliveira, a partir de fita fornecida pela Rádio Verdes Mares exibido em 23/9/05, entre 5h e 5h50

(…) Queria atender uma associação dos telespectadores, né, associação de quem assiste televisão, novela. né, Bomfim. Associação dos assistidores de novela, associação dos ???? de políticos, verificar a vida dos políticos. É o que eles estão fazendo, aí dá ibope. Associação dos ouvintes de rádio, eu não vejo cabimento. Eu conheci lá o presidente, lá na Câmara Municipal, tava lá, é, parece o Maguila né. Associação dos Ouvintes de Rádio. Outro dia eu ouvi seu Zé Miguel falando de madrugada. Seu Zé Miguel falando da importância dessa associação. Zé Miguel vamos vigiar o Brasil. Deixa os radialistas trabalharem. Rádio e televisão tem um ponteirinho, tem um botãozinho que a gente só faz mudar quando a gente não gosta de um comunicador, quando a gente não gosta de um programa de televisão, novela. É só virar, tuf. Tá bisbilhotando a vida do comunicador coitado. Tá se virando, tá trabalhando, tá escapando, escapando. a gente vive aqui é escapando. A gente vive de rádio escapando. Aí tem os vigilantes olhando tudo que a gente tá fazendo. Ah!!! meu Deus, tá dificil viver nesse país, hein. Associação dos Ouvintes de Rádio. Eu conheci lá o rapaz e meu deu lá um papel, um simpósio. Tem que criar a associação dos vigilantes dos pedreiros, dos padeiros, dos operadores, né? E das telefonistas, associação dos vigilantes. rapaz, um negócio assim. Eu sei lá, eu. Eu conheci o presidente, olhei assim, eu fico olhando, eu fico analisando, eu sou meio, psiquiatra, eu sou meio psicólogo, eu fico…como é que eu fico. Quando tô dirigindo fico olhando aquele doidinho que tá dirigindo, o cara que buzina muito. Fico só olhando. Eu fui uma vez num programa de rádio, o cara veio me perguntar, o que e que eu achava de um programa de rádio. Aí citou o nome de um comunicador, que é meu amigo, é gente boa, trabalha aqui na Verdinha. Faz uma esculhambação danada no microfone.

O que é que eu achava, se aquele tipo de programa era adequado para o rádio. Aí eu digo, meu amigo você não é obrigado a ouvir não. Você tem um botãozinho, se for no carro é só tacar o dedo. Por exemplo, no meu carro tem um rádio todo codificado é só tacar o dedo. Eu vou condenar o rapaz porque ele faz aquilo. Aquele tipo de programa. É um programa sucesso, é show. Mas o rapaz fala muita imoralidade!!!. O que que você tem a ver com isso, homem. Mude de estação. Você quer ser o dono da verdade. É o dono da moralidade. Vai atrás que queima o anel faz é tempo. Todas essas pessoas preocupadas com esse tipo de coisa, tem um desvio, todas, cem por cento dessas pessoas que pregam a moralidade, pode ir atrás, que tem um desvio, ou é sexual ou é mental, teve um problema passado. Não tem. Não escapa um. Já são cinco horas e cinquenta minutos em Fortaleza (…).

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Professor e presidente da Associação dos Ouvintes de Rádio, Fortaleza (CE)

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