Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CADERNO DA CIDADANIA > TORTURA, NUNCA MAIS

O que a imprensa não esclarece

Por Luciano Martins Costa em 08/08/2008 na edição 497

Os militares fizeram sua manifestação de protesto contra a iniciativa do ministro da Justiça, Tarso Genro, de propor o julgamento de atos de tortura durante o regime militar. E o mundo não caiu.


O noticiário de sexta-feira (8/8) sobre a reunião do Clube Militar, no Rio, mostra senhores vestindo ternos e não em uniformes de campanha. Da mesma forma cautelosa, os participantes evitaram apresentar fotografias e textos sobre autoridades do atual governo que participaram da luta armada.


Com isso, o embrião da crise volta para a geladeira e deve sumir dos jornais por uns tempos. Mas o fato de o assunto ser colocado de lado não quer dizer que esteja resolvido. Em parte, porque quase todas as manifestações reproduzidas pela imprensa repetem o erro de afirmar que o ministro pretende revisar a Lei da Anistia. Não é isso que está em questão.


O que gerou a celeuma é a hipótese de que os crimes comuns, como torturar alguém que não pode se defender, precisam ser levados a julgamento.


Atos de barbárie


Os jornais ofereceram um espaço generoso aos militares que se rebelam contra a possibilidade de punição para os agentes das Forças Armadas e da polícia que torturaram presos durante o período mais tenebroso da repressão à luta armada contra a ditadura. Mas não esclarecem que muitos brasileiros foram torturados e até mortos pelo simples fato de serem opositores ao regime de exceção, sem nunca terem tocado numa arma.


O jornalista Vladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho, mortos sob tortura em dependências do Doi-CODI, em São Paulo, são símbolos da ação criminosa de agentes a serviço do Estado, praticado contra cidadãos de paz.


Muitos outros brasileiros, inclusive estudantes e trabalhadores que eram jovens demais para serem considerados como uma ameaça ao Estado, foram submetidos a suplícios que a consciência humana não pode admitir.


Não por acaso, a tortura não é considerada crime político por nenhum povo civilizado. Porque é ato de barbárie praticado por indivíduos covardes, desprovidos de qualificações para serem aceitos como agentes do Estado.


A imprensa poderia estar questionando se as Forças Armadas deveriam ter em seus quadros elementos dessa natureza. Levá-los a julgamento seria uma forma de enobrecer a instituição.


 


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Todos os comentários

  1. Comentou em 17/01/2010 Ruslan Queiroz

    Prezados,

    Mas que Silêncio Consentioso e omisso é esse ao Programa Nacional de Direitos Humanos, no que toca a liberdade de Imprensa, este que esta Instituição Defende, DEFENDE?

    Isso na Venezuela, na Argentina sairiam as ruas, em um tremendo panelaço, com a anistia internacional e órgão multinacionais de imprensa, aqui alguns comentários, ali acolá, isso ENFRAQUECE a LUTA da democracia de uma imprensa LIVRE, o que mais parece é as contas de PUBLICIDADE** do GOVERNO LULA é mais bem vinda que a LIBERDADE de IMPRENSA esquecida nos tempos de Faculdade.**( Petrobras,CEF outros)

    Houve um ESTRONDOZO NÃO ao projeto Contra o Sen. Eduardo Azeredo Pela ‘liberdade na internet’ mas quando se toca na Imprensa Brasileira… SILÊNCIO ou comentários nas redações em OFF, ruas caladas, banners, e piquetes MUDOS.

    Lamento que o LULA- CHAVEZ consiga com UMA CANETADA SÓ colocar no esquecimento de vez aqueles que lutaram com deram as suas VIDAS pela DEMOCRACIA, a população observa a ATITUDE ou FALTA dela dos ORGÃOS DE IMPRENSA.

    Ainda há tempo!
    ** Heinrich Himmler NÃO Morreu esta no Governo Lula, Disfarçado e ATIVO!

    Ruslan Queiroz
    Maceió – AL
    “A verdadeira estratégia é aquela que abrange todo o período compreendido entre o plano e sua execução final.”

  2. Comentou em 11/08/2008 gilda piccolo

    Sr Lott, não quero acreditar que sua vocação militar o tenha privado do entendimento, porque esta assertiva era própria da esquerda e era falsa. O que falei e bramei, foi pura irreverência, ao sabor de padre vieira( claro que longe da genialidade do mestre, de quem não chego aos pés) Falei e gritei, exatamente o contrário do que penso! Exatamente para acordar as pessoas. O Brasil não precisa imitar a argentina! Nem qualquer outro país. Nossa tradição e vocação é a da paz e do perdão, de parte a parte. Os militares fizeram a parte deles, não influindo no processo democrático, apoiando até a Dilma Roussef e o Tarso Genro! Que agora querem imitar los hermanos e pedir a cabeça de criminosos da ditadura! Se houve anistia ampla geral e irrestrita, foi em virtude da capacidade de perdão do Brasil. Se querem imitar outros países, vamos reviver os crimes da época- o que abomino- mas terão que ser julgados os dois lados, ou seja as forças revolucionarias e as reacionárias! Ao Thiago Conceição, meus respeitos pela capacidade intelctual invejável!

  3. Comentou em 11/08/2008 Fabio Passos

    Esta é muito interessante… quem defende a impunidade aos torturadores da ditadura é cúmplice das torturas praticadas hoje por agentes do Estado. Quem afirma isso? Ministério Público Federal: ‘É notório que o uso da tortura e da violência como meio de investigação policial ainda hoje pelos aparatos policiais brasileiros decorre em grande medida dessa cultura da impunidade. A falta de responsabilização dos agentes públicos que realizaram esses atos no passado inspira e dá confiança aos atuais perpetradores.’

  4. Comentou em 10/08/2008 Gersier Lima

    Um vizinho denunciado como comunista,foi preso e torturado.Meses depois voltou para casa desfigurado e humilhado.Seu crime?Ser trabalhador e honesto,tinha uma pequena mercearia e nunca tinha participado de política.Foi denunciado por um policial corrupto que lhe devia.Fez a denuncia porque tentou extorquir o vizinho comerciante e esse não aceitou.Quando vejo certos imbecis querendo comparar quem na realidade estava defendendo o Brasil,com os verdadeiros entreguistas dos bens do País,esquecendo convenientemente que meia dúzia deles usando os meios de comunicação que possuíam,incluso aí outorgas que na realidade pertencem a nação e não a eles, apoiava os generais de plantão,fico pensando:será que acreditam nas idiotices que escrevem ou falam?A preguiça mental dos mesmos,não deixa que raciocinem e percebam que se hoje falam as besteiras que querem,é graças a quem teve a honradez e a coragem de defender a liberdade de expressão.O PIG que hoje fala tanto nela,deveria era lavar a boca antes de usar a expressão,pois foi um dos baluartes que ajudaram a suprimi-la no golpe de 64.Quanto aos velhinhos saudosistas,nada a comentar.

  5. Comentou em 10/08/2008 gilda piccolo

    Pois então vamos em frente! Vamos rever a Lei da Anistia e aprovar outra, no sentido de impor que os crimes que foram cometidos na tentativa de implantar uma revolução de esquerda e o contra golpe de 1964 não estão prescritos. Vanos por nos bancos dos réus, na masmorra ou até numa cadeira elétrica, os agentes do estado que torturaram e mataram e os guerrilheiros de esquerda que torturaram e mataram. Pensando bem, pensando bem, é uma ótima idéia!!! Se acabarmos com todos, quer com os agentes da direita, quer com os guerrilheiros de então ( TODOS), o Brasil vai ganhar muito com isto! Mas Muiiito! VIVA A PENA DE MORTEEEEE!!!!!

  6. Comentou em 10/08/2008 Fabio Passos

    Até a direita esclarecida pede que os torturadores sejam punidos: : ‘É hora de rever a Lei da Anistia”. Pedro Dória explica: ‘Porque tortura não é um crime anistiável.’ http://pedrodoria.com.br/

  7. Comentou em 10/08/2008 Fabio Passos

    Sobre o início tardio do debate sobre a punição dos torturadores, há um alerta importante: “Países que buscaram a punição e a verdade têm um grau de respeito aos direitos humanos muito maior do que aqueles que não o fizeram” Kathryn Sikkink, professora de Ciências Políticas da Universidade de Minnesota. http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=1740

  8. Comentou em 10/08/2008 Fabio Passos

    Sobre o início tardio do debate sobre a punição dos torturadores, há um alerta importante: “Países que buscaram a punição e a verdade têm um grau de respeito aos direitos humanos muito maior do que aqueles que não o fizeram” Kathryn Sikkink, professora de Ciências Políticas da Universidade de Minnesota. http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=1740

  9. Comentou em 09/08/2008 Pedro Pereira P

    ¨A imprensa poderia estar questionando se as Forças Armadas deveriam ter em seus quadros elementos dessa natureza. Levá-los a julgamento seria uma forma de enobrecer a instituição.¨
    Refazendo o texto pra que possa ser publicado.
    Porque o nobre analista acha que leva-los a julgamanto enobreceria a instituição EB? Na sua quase totalidade, os participantes do processo de confrontamento ja deram baixa e estão na reserva.
    O outro lado sim; estão no poder. Levar a julgamento alguns figuroes do poder que participaram do confrontamento enobreceria o atual governo?
    Os objetivos a serem atingidos justificam a tortura?Os fins justificam os meios?
    Assim como não publicou o outro post vcs não vão publicar este. Será que não têm argumentos pra perguntas tão simples nobrissímo analista.

  10. Comentou em 08/08/2008 Thiago Conceição

    Os amigos das FARC querem porque querem revisar os crimes da época, mas apenas de um dos lados. Por que não revisam os crimes dos ex-guerrilheiros até os dias de hoje? Por que não investigar seus ajudantes na imprensa, que podem não ter pegado em uma arma, mas eram cúmplices dos bandidos? O PT tem conexões com narcoguerrilhas, por que não investigar isso? Por que não fazer o impeachment de um presidente de que apóia o terrorismo das FARC? O plano B do Foro de São Paulo e do PT é transformar as FARC em um ‘PT colombiano’. Assim como ocorreu aqui guerrilheiros se tornariam ‘políticos’, e assim criariam um ‘diálogo’. Que na verdade nada mais é um eufemismo para a tomada de poder e a destruição de seus inimigos por outros meios. Eles perceberam que pelo caminho da guerrilha não dá, por isso ‘anistiam’ seus próprios crimes e depois ‘investigam’ os supostos crimes dos agentes da lei que os combatiam. Façamos o seguinte, investiguemos o PT, o Foro de São Paulo, as FARC, que tal? Que tal investigar o passado de cada um do governo e de jornalistas e intelectuais envolvidos com a guerrilha? Está na hora do impeachment do Lula. O Lula além de corrupto apóia o terrorismo.

  11. Comentou em 08/08/2008 Ricardo Martini

    O texto de Demetrio Magnoli no Estadão de ontem coloca muitas coisas em seu devido lugar: leiam em http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080807/not_imp219145,0.php.

    De qualquer maneira, retomando a citação a Herzog do texto de Luciano Martins Costa, se o governo atual até agora não mexeu um dedo para elucidar questões obscuras do regime militar (como a morte do jornalista), não vai ser agora sob a tresloucada atuação do ministro Tarso Genro que alguma coisa vai acontecer de fato. Enquanto tudo continuar sendo varrido para debaixo do tapete, não teremos o fim dessa história.

  12. Comentou em 08/08/2008 Ricardo Martini

    O texto de Demetrio Magnoli no Estadão de ontem coloca muitas coisas em seu devido lugar: leiam em http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20080807/not_imp219145,0.php.

    De qualquer maneira, retomando a citação a Herzog do texto de Luciano Martins Costa, se o governo atual até agora não mexeu um dedo para elucidar questões obscuras do regime militar (como a morte do jornalista), não vai ser agora sob a tresloucada atuação do ministro Tarso Genro que alguma coisa vai acontecer de fato. Enquanto tudo continuar sendo varrido para debaixo do tapete, não teremos o fim dessa história.

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