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Terça-feira, 21 de Agosto de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1000
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CADERNO DA CIDADANIA > CASO THALES SHOEDL

O relato do acusado e das testemunhas

Por José Paulo Lanyi em 02/10/2007 na edição 453

Desde o apagar das luzes de 2004, época em que o promotor Thales Ferri Shoedl matou um jovem e feriu um segundo, no condomínio Riviera de São Lourenço, em Bertioga (SP), grande parcela da mídia tem-se dedicado a apresentar os fatos relativos a esse caso com parcialidade, superficialidade, pré-julgamento, ausência de espírito crítico e sensacionalismo (ver ‘O linchamento do promotor‘,). Mais recomendável do que explorar a dor das famílias das vítimas (termo aqui usado e que se refere tão-somente a como são denominadas no processo criminal) e do acusado, como temos testemunhado por meio dos mais diversos veículos de comunicação, cumpriria, para melhor informar, mergulhar no processo criminal 118.836.0/0-00, que hoje compreende cerca de 1.500 páginas e cujos trechos ora publico com triste e alarmante exclusividade.

Este articulista optou por reproduzir na íntegra a redação que consta do processo, incluindo os raciocínios ‘truncados’ e os erros de português cometidos durante a estenotipia.

Eis alguns excertos de depoimentos concedidos à Justiça. São relatos dos protagonistas e de testemunhas arroladas pela defesa e pela acusação. Prestemos atenção no que elas dizem. Todas estavam no local, naquela terrível madrugada de 30 de dezembro de 2004.

O acusado

‘Interrogando: (…) Estacionei o carro e quando passamos pela rotatória havia uns seis garotos encostados num carro e, quando passamos, falaram: ‘nossa que gostosa’. Fizeram isso em voz alta de modo que eu escutasse, olhando para os quadris da minha namorada. Eu percebi que ela ficou muito constrangida e eu também me senti ofendido na minha auto-estima, mas continuamos andando. Ainda assim, acho que Felipe, se eu não me engano, olhando para os quadris dela de modo ostensivo dizia ‘gostosa mesmo’. Então eu disse a eles que a respeitassem, que era minha namorada e ainda disse: ‘vocês fazem isso porque estão em grupo’. Os demais que estavam encostados no carro se aproximaram e disseram: ‘O que é, nós não fizemos nada’ já caminhando na minha direção. Eu fui me movimentando para trás e minha namorada ficou muito assustada, dizia que não queria briga e eles vinham na minha direção. Mais à frente estava esse Felipe e acredito que Tiago [sic, refere-se a Diego, a vítima que morreu] e, percebendo que continuavam se aproximando de mim, eu disse que estava armado, que era Promotor. Eles não levaram isso a sério, diziam que eu não era de nada. Eles seguiam em minha direção e vendo que não paravam mais uma vez avisei que eu estava armado mais [sic] eles continuaram me xingando e avançando na minha direção então saquei a arma e disse que se dessem mais um passo, eu atirava e vendo que não se intimidaram, pelo contrário, faziam chacota, diziam: ‘verdade?’ e avançavam para minha direção, nesse momento, sem alternativa, atirei para o chão. Minha namorada estava apavorada e eu também tinha muito medo. Percebi que por uns instantes eles pararam, coloquei a arma no coldre, dei a mão para minha namorada e ela disse: ‘vamos embora’ (…) e, nessa hora, um deles disse: ‘vamos pegar ele, que é tiro de festim’ e vieram para cima de mim. Soltei da mão da minha namorada e corri, mas eles vieram em minha direção e gritavam: ‘vamos bater nele’ e eu já estava apavorado, e próximo de uma quadra de tênis, num poste, eles, acredito que Felipe e Tiago [sic] mais a frente que os outros, me encurralaram porque eu já estava me afastando deles, não tinha mais para onde recuar, então atirei para o chão, para ver se eles se afastavam. Nesse momento, consegui ir para o outro lado da rua, mas eles continuavam na minha direção. Felipe e Tiago [sic] sempre à frente do grupo gritavam que iam me matar, que iam pegar a minha arma e eu senti quando um deles, acredito que Tiago [sic], me agarrou pelo braço, machucou meu braço inclusive, para tentar tirar a minha arma. Eu me desvencilhei e tentei reagir, mas ele era muito grande, não tinha como lutar então, com a outra mão, peguei a arma e efetuei um disparo no chão e me desvencilhei da agressão, porque mesmo assim, depois do disparo, ele continuava, não se conteve. Pude ouvir quando disseram: ‘atira’. Depois do disparo vi que diminuiu a velocidade. Nesse momento eu corri quanto pude, mas o grupo continuava vindo na minha direção. O outro, o mais jovem, parece, acho que Felipe, mais à frente, vinha na minha direção então eu atirei no chão, mas mesmo assim, ele não se intimidou e continuou. Eu tentava atirar, mas estava muito nervoso porque ouvia as pessoas gritando: ‘atira’, e ele continuava investindo contra mim, até que, num determinado momento, diminuiu a velocidade e como o resto do grupo vinha pouco mais atrás, corri para fugir. Fugi e, quando consegui, liguei para o meu irmão.’

A razão do porte de arma

Desembargador: Porque [sic] o senhor estava armado?

Interrogando: (…) Eu cheguei em casa e havia alguns amigos lá e eu achei por bem não deixar a arma em casa embora minha casa já tenha sido furtada algumas vezes e a arma ficava ali para segurança. Como iria encontrar minha namorada, mas acabei não indo ao local, fiquei na rua, não deixei no carro quando estacionei porque ali ocorrem muitos furtos, eu mesmo já tive carro furtado ali. Sei que ali é local perigoso inclusive um amigo meu se envolveu em ocorrência semelhante, foi agredido por um grupo de jovens que o agrediram, chutaram a cabeça dele e teve traumatismo. Sei que o local era perigoso’.

A vítima

Felipe Siqueira Cunha de Souza, estudante, jogador de basquete amador, levou quatro tiros: dois no tórax, um na perna e outro no braço.

‘Vítima: Eu ‘tava’ sentado na porta do carro do meu pai com Diego [Mendes Modanez, também jogador de basquete, a vítima que morreu] quando teve um burburinho de briga e eu me levantei, porque não ‘tava’ ouvindo direito porque o som do carro ‘tava’ na altura da minha cabeça e, quando vi, o Thales e uma moça, a namorada dele e ele discutindo com umas pessoas, uns três carros após o meu e puxando ela pelo braço. Eu me levantei e fui ver porque ali costuma ter brigas entre o pessoal do Indaiá e Riviera. Eu achei que podia sobrar pra gente ali e então chamei Diego porque eu pensei: vou lá pra acalmar a situação porque, de duas uma: ou o pessoal lincha esse cara ou ele vai sair e depois vai trazer uma galera e vai sobrar pra gente. Foi quando eu me destaquei e, de longe, eu dizia: ‘vai embora’ e ele dizia que mexeram com a namorada dele (…) e se virou pra mim, e, do nada, disse que eu tinha mexido com ela e disse: ‘vai se foder’ e a namorada dele puxava ele pelo braço e ele dava uns trancos pra trás e eu, com os braços pra baixo dizia pra ele: ‘vai embora, ninguém quer brigar’. (…) Foi quando ele apontou a arma e apontou pra mim. Eu parei e disse: ‘abaixa essa arma, por favor’, foi quando ele deu um tiro pro alto, pro lado assim, e alguém gritou que a arma era de brinquedo e nessa hora, ele ficou transtornado e deu tiro no chão e disse que não era não e eu dizia: ‘abaixa isso’ e ele apontava pra mim. Tentei ir pra cima dele porque me vi sem saída porque não tinha pra onde eu correr, e eu não ia me virar de costas pra ele e tomar uns tiros nas costas. Por sorte eu sobrevivi porque ele deu um tiro no meu peito e eu dei um baque pra trás e ele correu e eu tentei correr, mas ‘tava’ sentindo e ouvi Ricardo que disse pra mim parar porque eu ‘tava’ sangrando.

(…)

Desembargador: No depoimento, na delegacia consta que o senhor teria dado um ‘bote’, foi isso?

Vítima: Eu fui tentar alguma coisa por questão de sobrevivência. Eu ‘tava’ há [sic] três, quatro metros dele, ele já tinha dado dois tiros e eu não tinha pra onde me esconder, fugir e ele não ia embora. Eu ‘tava’ parado e ele não ‘tava’ se afastando. Eu não senti firmeza de que ele fosse embora tanto que falou e já colocou a arma na minha direção. Eu tentei mais [sic] nem cheguei perto porque ele já deu um tiro no meu peito, um no braço e um na perna. Depois do primeiro tiro começou a correr atrás, mas já comecei a tontear. Eu não caí, mas fiquei tonto até que ouvi a voz do Ricardo [jovem que o socorreu] longe de tão tonto que eu já ‘tava’.

(…)

Promotor: Ele [Thales] foi encurralado?

Vítima: Não porque ali é um descampado, não tem como encurralar.

(…)

Defensor: Excelência, a vítima disse que havia polícia no local e, porque [sic] não procurou a polícia no local e, porque [sic] não procurou a polícia em vez de tentar pegar a arma?

Vítima: Porque ele ‘tava’ apontando pra mim desde o começo e eu não parei porque não tinha pra onde ir e não ia virar de costas pra ele porque já tinha dado dois tiros e eu tinha certeza de que ia atirar em mim (…)

(…)

Defensor: Se ingeriu bebida alcoólica?

Vítima: Sim (…) Cerveja (…) Umas duas latinhas e mais um copo que um outro colega do basquete tinham me dado.

(N. do A.: laudos do IML concluem pela ausência de substâncias tóxicas- álcool incluído- na amostra de sangue de Diego e nas amostras de sangue e urina de Thales, Mariana e Felipe.)

(…)

Defensor: Depois do incidente inicial, caiu ferido?

Vítima: Depende, depois do primeiro tiro, a partir de onde?

Defensor: Do local da discussão.

Vítima: Do carro uns cem metros, no máximo. Se é de quando puxou a arma, uns vinte, não mais que isso, depende de onde.’

A namorada do acusado

Mariana Ozores Bartoletti, estudante, é ‘testemunha comum’, ou seja, da defesa e da acusação.

‘Depoente: (…) Quando fomos embora, passamos para pegar o carro dele e passamos por esses jovens que falavam: ‘gostosa, nossa que gostosa’, até que esse Felipe passou a olhar bastante para meus quadris.

Desembargador: Como pode perceber que olhava para os quadris da senhora?

Depoente: É que, conforme a gente passou, ele olhou, nós não estávamos de costas pra ele ainda e o Thales não gostou e falou com ele que não precisava fazer aquilo, ‘para que provocar a gente’?

Desembargador: Como provocavam?

Depoente: Eles falavam alto pra nós ouvirmos e depois falavam pra o Thales que não ‘tavam’ falando nada com ele e o que mais se aproximou foi esse Felipe. Colocou uma latinha sobre o carro e veio pra cima do Thales. Vinha esse Felipe e o outro atrás dele e o Thales falou que não queria briga, mas eles queriam brigar. O Thales pediu, pelo amor de Deus para que eles parassem, disse que era Promotor, mas não adiantou. Então o Thales pediu pelo amor de Deus que eles parassem que ele estava armado, mas eles não paravam diziam que ele Promotor de balada, que a arma tinha bala de festim e o Thales pedia que parassem porque estava armado, disse: ‘pelo amor de Deus, eu estou armado’ e mostrou a arma para saberem que não era mentira, mas eles diziam que a arma era de brinquedo e se aproximavam. Então, Thales deu um tiro para chão. Nesse momento eles pararam então Thales me deu a mão e nós fomos indo embora quando começaram a gritar que a bala era de festim, pra ir para cima dele e nesse momento Thales correu, mas esse Felipe e o outro Diego alcançaram o Thales no posto e foram para acertar ele, mas ele se esquivava deles e então deu outro tiro pro alto e eles disseram que iam bater nele e Thales continuou, subiu no canteiro, passou pro outro lado e eles correndo atrás até que Diego pegou o Thales e sei que ele deu outro tiro, mas não pude ver no momento exato. Sei que o rapaz estava atingido e vi que Diego estava caído, mas não sei como foi isso. Eu, naquele momento entrei no prédio.

Desembargador: Onde a senhora estava hospedada?

Depoente: Não, entrei num prédio próximo e quando saí, muita gente me apontava a diziam: ‘é ela, é ela’, me sacudindo. Eu consegui sair dali e entrar na ambulância.

(…)

Promotor: De quando Thales foi até eles e puxou a arma, seria possível que tivesse ido embora?

Depoente: Não, eles queriam bater nele, tinha umas vinte pessoas e eles estavam muito nervosos, bravos.

(…)

Promotor: Quanto tempo durou entre Thales se dirigir às pessoas e disparar.

Depoente: Não sei bem, acho que uns quinze, dez minutos.

Promotor: Entre a abordagem de Thales e puxar a arma, quanto tempo demorou?

Depoente: Acho que uns cinco minutos.

(…)

Defensor: O início da abordagem feita ocorreu na praça ilustrada a folhas 270. Se pode confirmar esse croqui de folhas 270 verso como sendo o local do início da ocorrência?

Deponte: Sim, confirmo como início sim.

Defensor: Desse local, até onde o Dr. Thales efetuou o disparo, quantos metros há?

Depoente: Acho que uns cem metros, uns dois quarteirões.

(…)

Defensor: Quando o Dr. Thales deu o tiro para cima e para baixo os agressores poderiam parar?

Depoente: Sim inclusive muitas pessoas correram nesse momento e eles poderiam correr também, mas ficaram.

Defensor: E as pessoas correram esses dois quarteirões atrás dele?

Depoente: Sim.’

Testemunhas de acusação

Pedro Franciscato Pasin (não há menção à sua profissão), passava férias na Riviera de São Lourenço:

‘Não conhece o acusado e muito menos as vítimas. (…) Os dois rapazes que discutiam com o acusado cujo motivo o depoente não sabe dizer eram bem altos e mais fortes que o réu, e que os dois partiram pra cima do acusado que recuou, em seguida viu o acusado sacando de uma arma que estava dentro de uma capa e cuja capa estava na cintura (…) quando o acusado disparou dois tiros para o alto, como também disparou mais dois tiros no mínimo em direção ao chão. Em seguida a namorada do réu bastante nervosa disse ‘guarda essa porra ou merda’ se referindo a arma, e que foi atendida pelo réu que guardou a arma e a recolocou na cintura, saindo de mãos dadas com a namorada em direção aos carros (….), mas os dois rapazes foram atrás e um deles, inclusive tentava agarrar o acusado com as mãos, mas ele conseguia desviar (…) e finalmente o acusado ficou acuado meio frente a frente com os dois rapazes e o depoente percebeu que os rapazes iriam agredir o réu e até ‘linchá-lo’. Nesse momento novamente o acusado sacou da arma e efetuou outros disparos sendo que tem certeza de que um desses disparos atingiu a perna de um daqueles rapazes, sendo que tanto o que tomou tiro na perna como o outro caíram no chão… (…) O depoente acredita que a distância entre o local onde houve a primeira discussão entre os acusados e as vítimas e até o local onde os disparos que atingiram os ofendidos deve dar mais ou menos um quarteirão ou mais ou menos cem metros (…) Confirma que enquanto o acusado se afastava com a namorada depois de ter efetuado os primeiros disparos e as duas vítimas iam atrás a multidão que no local chegava a dizer ‘mata mata’ mesmo porque diziam que os tiros eram de espoleta e que a arma seria de brinquedo’.

Ricardo Santos Pereira Lima, estudante:

‘Depoente: Quando me virei, Felipe ‘tava’ discutindo, de forma exaltada. Me aproximei e nisso, Diego se aproximou, mais [sic] ainda um pouco distante, mas a discussão continuava. (…) Diego e o Felipe (…) foram em direção ao doutor e daí, ele saiu de costas, andando, e, de repente, sacou a arma e deu um tiro pro chão e daí os dois continuaram indo pra cima dele e ele continuou se afastando, até perto de uma placa, mais pra trás dele e contornou, tipo atravessou a rua. Quando deu o primeiro tiro, no chão, eu me afastei pro canteiro central e, quando ele cruzou pro outro lado, pra outra calçada contrária, eu fui na calçada e os dois continuaram atrás dele. (…) E ele disparou na direção dos rapazes e quando olhei, vi Felipe indo na direção oposta, ferido então eu deitei ele no chão e gritei polícia. (…) Diego não sei, não vi’.

Rodrigo Fidelis, estudante, amigo de conhecidos das vítimas:

‘O Thales veio com a namorada dele, (…) passou pela gente e, não me recordo qual dos dois, das vítimas, olhou pra eles e então o Thales disse: ‘O que é que você tá olhando pra minha namorada?’ (…) O Thales e ele começaram a discutir. (…) Quando a gente ‘tava’ quase chegando perto, o Thales tirou a arma e daí, começaram a falar e ele deu um tiro pra baixo e eles continuaram a discutir. (…) Mesmo com o tiro de advertência, não tiveram medo da arma. (…) Eles continuaram então o Thales deu um tiro, e o pessoal continuou. Depois do tiro o Thales deu uns passos pra trás, eles continuaram e daí ele deu um tiro na direção deles, e nessa hora eu me abaixei e depois, eles começaram a ir pra cima dele. Eu fiquei abaixado e o Thales começou a correr, ele corria e atirava em direção deles.

(…)

Promotor: Havia pessoas que incentivavam a briga?

Depoente: Sim, gritavam: ‘isso, vamos pegar ele’.

(…)

Defensor: Se pode informar com qual distância o doutor Thales fugiu?

Depoente: Uns trinta metros assim.

Defensor: E eles corriam atrás?

Depoente: Sim, vieram pra cima dele, o que pegou o tiro ficou pra trás. No começo o Thales andava e eles vinham andando’.

Marcelo José Guimarães Garcia, estudante:

‘Depoente: Eu ‘tava’ chegando na rotatória e vi Thales com a namorada, ele ‘tava’ puxando ela, na direção contrária minha. Ele ‘tava’ saindo de lá e nisso, tinha dois rapazes meio vindo atrás, chamando ele.

Desembargador: Um chamar para voltar?

Depoimento: ‘Não, vem de desafiando: ‘volta aqui’. (…) [Thales] não ‘tava’ correndo, mais [sic] tipo andando rápido e nisso, tirou a arma e deu um tiro pro chão ou pro alto, não sei dizer e a namorada solicitava pra ele guardar a arma e ele guardou e um pessoal começou a gritar que a arma era de brinquedo e os dois começaram a ‘vim’ em cima e ele meio saindo de lado inclusive, deu a uma volta no poste e foi embora e depois, veio muita gente que não consegui ver direito, só ouvi os tiros.

(…)

Promotor: Disse que os rapazes se aproximaram e chamaram, desafiando?

Depoente: Não sei dizer, acredito que sim: ‘volta aqui’, desse jeito.

Promotor: Estavam xingando ele, ele xingava alguém?

Depoente: Eu não lembro nele falando nada, lembro os rapazes chamando.

(…)

Promotor: Contaram se alguém tentou pegar a arma dele?

Depoente: Se tentaram não sei. Eu sei que ‘tavam’ atrás dele pra fazer o que, não sei’.

Orivaldo Pinho de Souza Junior, segurança do condomínio:

‘…Ouviu dois estampidos, mas achou que era barulho de moto; alguns minutos depois começou uma correria geral, tendo o depoente visto uma das vítimas cambaleando no canteiro central e o réu correndo com uma arma na mão, fugindo da outra vítima e de outros rapazes; que então esta vítima passou próximo ao depoente correndo atrás do réu, que por sua vez estava correndo e guardando a arma de fogo, que então a vítima conseguiu se aproximar do réu, tendo este sacado novamente a arma e efetuado dois ou três disparos; que os disparos o réu deu quando a vítima já estava bem próxima, não sabendo o depoente dizer se a vítima chegou a agarrar o réu; que o réu deu os disparos de costas não sabendo o depoente dizer se olhava ou não para a vítima, que então o réu saiu correndo, se evadindo (…); que chegou a ouvir os jovens xingando o réu com palavras de baixo calão e dizendo que a arma era de brinquedo’.

Elaine de Andrade, proprietária de um trailer que funcionava no local:

‘(…) Estava em um orelhão chamando um táxi, quando ouviu uma discussão que acontecia atrás da depoente, ouvindo alguém dizer ‘não se aproxima senão eu atiro’; que assim que a depoente se virou para ver o que ocorria ouviu um tiro, e viu um casal próximo da depoente e três rapazes a aproximadamente 50 ou 100 metros distante do casal, que então ouviu os rapazes dizendo ‘é de brinquedo porque não atingiu ninguém’, tendo os três rapazes ido para cima do réu e da namorada enquanto esses se afastavam, que a depoente então foi chamar os seguranças quando então ouviu um monte de tiros’.’

***

No próximo artigo, os erros e abusos cometidos pela mídia na cobertura do Caso Thales Shoedl.

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Jornalista

Todos os comentários

  1. Comentou em 23/10/2007 marco polo nunes

    Pelos depoimentos acima, torna-se quase evidente que, o acusado tentou fugir e ao mesmo tempo defender-se, atirou para o chão e para o alto, mas os ‘valentões’ insistiam em agredi-lo. Agiu em ‘legítima defesa’ ou poderia ter sido espancado pelos atgressores.

  2. Comentou em 05/10/2007 Alice Silva Amato

    É evidente que o caso em questão finalizou de forma trágica. Também resta claro, pelos depoimentos, que um grupo de rapazes gritava, xingava e pretendia agredir fisicamente um outro jovem (acompanhado pela namorada) que também gritava sentindo-se acuado e com medo. Ora, os ânimos estavam exaltados, pelo menos 2 dos rapazes, grandes e fortes, efetivamente avançavam querendo agredir o que poderia até causar a morte do jovem que estava sózinho para se defender. Os demais do grupo incentivavam a agressão e corriam na perseguição do mais fraco (promotor). Toda pessoa que se encontre numa situação como a relatada, usa de todos os meios a seu dispor para se defender. O instinto de sobrevivência prevalece. O único meio de defesa encontrado pelo réu naquele momento foi a arma. Efetuou disparos para assustar mas não obteve êxito. Não teve outra alternativa senão atirar nos próprios rapazes. Vê-se claramente que não tinha intenção de matar e só os feriu para se defender. O número de disparos demonstra o quanto estava tenso, com medo e nervoso.
    A imprensa costuma realmente provocar alarde especialmente nos casos em que uma das partes exerce cargo de poder ou público ou político. É do conhecimento geral que assim agem para vender mais ou conseguir mais ibope. O que importa para a sociedade é que se faça a justiça independente dos interesses privados ou da pressão da mídia.

  3. Comentou em 03/10/2007 Paulo Akira

    O jornalista Luis Nassif também publicou vários trechos do processo em seu blog, com o mesmo objetivo que vemos aqui: mostrar os fatos, e não pré-condenar o réu.

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