Quarta-feira, 19 de Dezembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1018
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CADERNO DA CIDADANIA >

O trololó da educação

Por Gabriel Perissé em 23/03/2010 na edição 582

No editorial da Folha de S.Paulo de 18 de março, ‘O valor da educação’, lemos que ‘a educação básica já ocupa lugar de destaque na agenda nacional’ e que a profissão docente é ‘absolutamente estratégica para o desenvolvimento do país’.

Não há semana em que não encontremos em jornais ou revistas de grande circulação algum texto sobre a situação educacional brasileira e as enormes expectativas em relação à formação de milhões de crianças e jovens. Um país não se completa se a Educação não for primorosa; esse primor depende de professores preparados, ouvidos, apoiados e recebendo salários decentes.

Causa estranhamento, portanto, que um governante prestes a se lançar em campanha presidencial faça declarações desrespeitosas sobre as reivindicações da rede pública, como registrou o Estado de S.Paulo em 19 de março, ao divulgar que José Serra classificara como ‘trololó’ as sucessivas manifestações dos docentes paulistas, atualmente em greve. Que prepotência é essa que leva Serra e Paulo Renato Souza, seu secretário da Educação, a prescindirem dos votos do professorado e dos cidadãos que apoiam a postura desse professorado?

A velha tática de sempre

Toda greve é política. Em ano eleitoral (ano eleitoral no Brasil é de dois em dois anos), uma greve não estará alheia às propostas partidárias. Aliás, têm sido igualmente eleitorais as declarações de Serra e Paulo Renato nos últimos meses. E o que há nisso de estranho?

Contudo, estratégia melhor de Serra e Paulo Renato para alcançar suas intenções eleitorais e mostrar real interesse pela Educação seria não acusar os professores de terem preocupações políticas, como se estas fossem incompatíveis com a Educação. Ao contrário, só é possível fazer Educação pública com ação política. O problema, no fundo, é este: o governo de São Paulo atua como a ditadura de antanho, que via com maus olhos a politização dos professores e, por consequência, dos seus alunos, futuros eleitores…

Que José Serra e Paulo Renato comecem, então, a dialogar. Que não chamem de ‘trololó’ as urgentes questões em jogo. Que abandonem, eles sim, o blablablá eleitoreiro.

Por exemplo, uma questão a rediscutir refere-se ao polêmico Programa Valorização pelo Mérito, pelo qual os professores ‘competentes’ recebem aumento salarial e os outros não. Um programa inconstitucional e ilegal (conforme o deputado Carlos Giannazi expôs na Assembleia Legislativa) com que se colocam professores contra professores, velha tática de quem detém o poder.

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

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