Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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Os jornais ‘copa do mundo’

Por Andre Luiz R. da Silva em 28/10/2008 na edição 509

De quatro em quatro anos, surgem pelo interior do Brasil inúmeros periódicos com um único propósito: atender interesses escusos de grupos políticos e desprover a população da verdadeira informação.

É de fato impressionante a quantidade de jornais – se é que os podemos assim denominar – que surge, como num passe de mágica, pelos municípios do interior do país nos anos eleitorais. O município de Irecê, cidade localizada no interior da Bahia, a 478 km de Salvador, está inserido neste contexto. Jornais, panfletos, informativos de todo os moldes, e com os mais diversos padrões editoriais, circulam no seio daquela comunidade, e se já não bastasse a sazonalidade duvidosa destes ‘periódicos’ eles se apresentam, de uma forma bastante rústica, como um meio para atender aos interesses de determinados grupos políticos com base na influência que a comunicação pode exercer na população.

Quando mencionei o município de Irecê é porque, ao realizar um trabalho neste município, deparei com um destes periódicos, denominado Folha da Bahia, que expressava de forma bastante nítida a sua tendência para um determinado grupo político, com coberturas extensas dos eventos de um único candidato, além de outros artifícios que não merecem ser mencionados. A rotina e o descrédito deste jornal era tamanha perante a população que, de forma folclórica, era apelidado de ‘Jornal Copa do Mundo’, pois só aparece de quatro em quatro anos.

Aventureiros da informação

O que me deixa realmente preocupado, na condição de jornalista, é que o exemplo de Irecê não difere de outras cidades pelo o interior do nordeste, onde qualquer pessoa, da forma que bem entender, pode criar um jornal e sair por aí escrevendo e publicando a seu bel-prazer. Falar da liberdade de imprensa e das penalidades do seu exagero na expressão das idéias torna-se uma vala comum nas discussões do acesso à informação, porém não se debatem os critérios que estes ‘mercantilistas da comunicação’ podem criar estes jornais que, em sua grande maioria, não dispõem sequer de um jornalista que possa pelo menos apresentar um mínimo de técnica e ética.

Acho que já era o momento de estender este debate, discutir com as autoridades critérios mais rigorosos para aqueles que pensam em montar empresas com tais objetivos, caso de comunidades como a de Irecê, no semi-árido baiano, que além de conviver com as intempéries naturais da região tem de suportar ainda a ação nefasta destes aventureiros da informação.

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Jornalista, Feira de Santana, BA

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