Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1051
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CADERNO DA CIDADANIA >

Páginas e papel

Por Lúcio Flávio Pinto em 07/07/2009 na edição 545

Durante a semana de 14 a 20 de junho, O Liberal somou 526 páginas contra 517 do concorrente, o Diário do Pará. É um empate técnico. A proporção se manteve em relação aos anúncios classificados: 174 páginas no jornal dos Maiorana e 168 no dos Barbalho. A vantagem se deve à edição de domingo, que é bem maior em O Liberal (192 páginas, sendo 72 de classificados) do que no Diário (160 e 48 páginas, respectivamente). O diário do deputado federal Jader Barbalho ganha em cinco dias da semana na quantidade de páginas impressas (e em quatro quando se trata de anúncios populares).

Esses números mostram que da classe média para cima, que é o público preferencial de O Liberal, é cada vez maior a proporção dos que só compram jornal aos domingos, o que assegura a melhor vitória da folha dos Maiorana em toda semana, pontilhada de desvantagens, ainda compensadas pelo desempenho dominical. Na progressão dos últimos tempos, entretanto, a tendência aponta para a perda dessa vantagem, a não ser que o Diário não dê atenção ao seu ponto fraco: oferecer menos conteúdo editorial do que seu concorrente. A sensação de insatisfação diante de tantas páginas e tão raquítico conteúdo pode modificar a curva de ascensão do Diário.

O serviço de defesa do consumidor precisa obrigar os proprietários dos dois jornais a prestar informações corretas aos seus leitores sobre a quantidade de páginas de suas edições. Ambos declaram como tendo formato standard páginas de tablóides. A maior distorção é a de O Liberal aos domingos: na capa, o jornal de 14 de junho disse que circulava com 252 páginas, mas tinha apenas 192. A diferença aparece quando se converte as 116 páginas dos quatro tablóides encartados para o formato padrão.

Já o Diário informa em todas as capas das edições da semana ter 76 páginas em seis cadernos. No dia 16, por exemplo, tinha apenas 55 páginas porque 22 das que apareceram no cômputo da empresa eram tablóide. No domingo, 14, anunciava 206 páginas, mas só possuía 160, convertidas as 104 páginas tablóides.

Ainda assim, é muito papel para tão pouco daquilo que constitui o melhor produto da imprensa: informação.

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Jornalista, editor do Jornal Pessoal (Belém, PA)

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