Sábado, 26 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CADERNO DA CIDADANIA > CRISE NA EDUCAÇÃO

Para entender as causas e os porquês

Por Gabriel Perissé em 29/04/2008 na edição 483

Nossa vergonha. Podemos, por esse ângulo, olhar uma vez mais para a situação atual da educação brasileira.

Vergonha que se aprofunda a cada nova avaliação, seja um Enem, um Saeb, um Enade, um Pisa… As informações desmascaram e corroboram. Denunciam situações-limite e reafirmam a sensação de fracasso, a realidade do fracasso.

No domingo (20/4), Gaudêncio Torquato afirmava em artigo do Estado de S.Paulo (‘Escola pública na teia do atraso’) que…

‘…o ensino básico atravessa a maior crise de sua história. Milhares de alunos concluem a quarta série sem saber ler nem escrever, muito menos fazer contas’.

No Estado de Minas (23/04), outro artigo, ‘A urgência da educação’, de Jorge Werthein (diretor-executivo da Rede de Informação Tecnológica Latino-americana):

‘A qualidade do ensino continua precária […]. Alguém pode dizer que o Brasil já foi pior. Já. Melhorou muito nos últimos anos. Mas a atenção redobrada no item educação não pode (nem deve) ser relegada a plano secundário no cardápio das políticas públicas, tem que ser prioridade.’

Estresse e faltas

O Jornal do Commercio de Recife, ao anunciar em sua versão online que as escolas iriam realizar ato em defesa da educação pública no dia 25 de abril, acrescentava:

‘Em Pernambuco, segundo pesquisa do Fundo das Nações Unidas pela Infância, são mais de 172 mil meninos e meninas excluídos da escola.’

Na edição de abril, a revista Nova Escola, com suas matérias sempre tão otimistas, em que o professor, super-trabalhador, salvará o mundo… até a Nova Escola reconhece os graves problemas, haja vista a quantidade de professores doentes:

‘Pesquisa […] feita em 2007 com 500 professores de redes públicas das capitais revelou que mais da metade dos entrevistados sofre de estresse. […] No estado de São Paulo – a maior rede do país, com 250 mil professores –, são registradas 30 mil faltas por dia. Só em 2006 foram quase 140 mil licenças médicas, com duração média de 33 dias.’

Mobilização coletiva

Quanto mais a mídia divulgar o quadro calamitoso, melhor. Mais consciência teremos, e (é o que se espera) mais apoio daremos a quem propuser soluções inteligentes e alcançáveis.

No 7º Fórum Empresarial, realizado de 18 a 21 de abril, presentes vários políticos, entre eles o ministro da Educação Fernando Haddad, a pauta ‘Educação pública de qualidade para um Brasil melhor’ levou o senador Garibaldi Alves a sugerir em público a abertura de uma CPI sobre a educação. A idéia é boa, ao menos para aumentar nossa preocupação, jogar mais luzes sobre o tema.

A proposta, na verdade, é do ex-ministro da Educação Cristovam Buarque. E Haddad concorda com a iniciativa. Para nossa vergonha, precisamos de uma CPI do Apagão Educacional, a fim de entender as causas, saber o que se fez, o que não se fez. E pensar, de modo positivo, sem tolos otimismos, num mutirão, numa mobilização coletiva.

******

Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

Todos os comentários

  1. Comentou em 30/04/2008 Marlene Guarienti

    Não liga não, Perissé, o governo acabou de inventar a roda para montar uma formidável engrenagem; o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

    Relaxa: sabe qual é o pulo do gato, (ops), a solução?

    Aumentar em 400 mil o número de vagas no ensino superior federal, passar de 12 p/ 18 a média de alunos por professor nestas instituições (sic!), e ampliar o programa de cotas.

    E tá feito!! Duvida? Veja aqui:

    http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac163956,0.htm

    Ora, direis, e elas terão estrutura para isso?

    E vos direi, no entanto, que isso já está resolvido: os atuais CEFETs já estão em pleno processo de transfiguração para IFETs, i,é., terão estatuto de universidade federal.

    Fala sério: não é um primor de perspicácia?

    Ao mesmo tempo em que se ‘resolve’ o problema da incompetência do ensino fundamental e médio, fabricam-se maiores estatísticas de inclusão no nível superior e, de quebra, coisa fina, altera-se a carreira do magistério no CEFET para magistério de nível superior, ‘presenteando’ estes professores com um diferencial chiquetésimo!

    Ninguém vai fazer conta de que isso acaba com a aposentadoria especial, não é mesmo? Besteirinha.

    Afinal, estes professores jamais têm estresse ou doenças decorrentes do exercício da profissão; às favas os estudos de insalubridade.

    Honestamente: CPI ou polícia?

  2. Comentou em 30/04/2008 Marlene Guarienti

    Não liga não, Perissé, o governo acabou de inventar a roda para montar uma formidável engrenagem; o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).

    Relaxa: sabe qual é o pulo do gato, (ops), a solução?

    Aumentar em 400 mil o número de vagas no ensino superior federal, passar de 12 p/ 18 a média de alunos por professor nestas instituições (sic!), e ampliar o programa de cotas.

    E tá feito!! Duvida? Veja aqui:

    http://www.estadao.com.br/nacional/not_nac163956,0.htm

    Ora, direis, e elas terão estrutura para isso?

    E vos direi, no entanto, que isso já está resolvido: os atuais CEFETs já estão em pleno processo de transfiguração para IFETs, i,é., terão estatuto de universidade federal.

    Fala sério: não é um primor de perspicácia?

    Ao mesmo tempo em que se ‘resolve’ o problema da incompetência do ensino fundamental e médio, fabricam-se maiores estatísticas de inclusão no nível superior e, de quebra, coisa fina, altera-se a carreira do magistério no CEFET para magistério de nível superior, ‘presenteando’ estes professores com um diferencial chiquetésimo!

    Ninguém vai fazer conta de que isso acaba com a aposentadoria especial, não é mesmo? Besteirinha.

    Afinal, estes professores jamais têm estresse ou doenças decorrentes do exercício da profissão; às favas os estudos de insalubridade.

    Honestamente: CPI ou polícia?

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