Domingo, 24 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CADERNO DA CIDADANIA > INVESTIGAÇÃO, INTIMIDAÇÃO

PF pede quebra de sigilo de jornalistas

Por Alberto Dines em 09/11/2006 na edição 406

A Polícia Federal parece que está muito estressada com as suas brigas internas e, pela segunda vez em quinze dias, foi mexer com a imprensa. Nesta quarta-feira (8/11), foi revelado que a área de inteligência da PF, aquela que investiga o Dossiê Vedoin, achou necessário pedir a quebra do sigilo de dois telefones da Folha de S.Paulo‘, em Brasília: um fixo e um celular.


Há duas semanas, a mesma Polícia Federal convocou indevidamente três repórteres da Veja para depor num inquérito interno. As explicações dos federais não convenceram antes no caso da revista Veja e não convencem agora, no caso do jornalão paulista.


A área de inteligência de uma polícia tão qualificada tem a obrigação de saber quem é quem. Tem a obrigação, sobretudo, de saber que telefone de jornalista é intocável. Aliás, tocar pode, não pode é pretender quebrar o seu sigilo. O ato configura atentado à Constituição, tentativa de censura ou intimidação.


Considerados isoladamente, os dois episódios poderiam ser avaliados como ‘trapalhadas’ profissionais. Isso acontece nas melhores equipes, em qualquer atividade. Mas, juntos e tão próximos um do outro, não podem ser minimizados nem desconsiderados. Sobretudo, porque a imprensa vem sendo abertamente criticada nas últimas semanas por altas autoridades do governo, por figurões do partido do governo e por formadores de opinião próximos ao governo.


Com este background tão ruidoso contra a imprensa, o que poderia ser visto como um lapso seguido de outro ganha outra conotação. Vejamos o que dirão agora os especialistas em denunciar o ‘complô da mídia golpista’.

Todos os comentários

  1. Comentou em 09/11/2006 Augusto Mourão

    Caro Dines,
    Você não se emenda e continua nadando na contracorrente, procurando pelo em ovo. O Cid, de Fortaleza, já disse tudo o que eu gostaria de dizer. Parabéns CId. Na mosca.
    Se a Veja e os seus três asseclas, êta assunto requentado, têm tanta certeza da tal intimidação, por que razão, até agora não deram entrada nem na PF nem no Ministério Público de um pedido de investigação? Mesmo após os dois órgãos federais terem reiterado que bastava encaminhar a solicitação?
    Saudações.
    Augusto
    PS: Dines, parabéns por ter voltado ao número de toques originalmente oferecido pelo espaço para os comentários dos seus leitores.

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