Sábado, 25 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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CADERNO DA CIDADANIA >

Políticas educacionais ou educação politizada?

Por Gabriel Perissé em 21/04/2009 na edição 534

As duas coisas, a meu ver: políticas educacionais e educação politizada, no sentido de que iniciativas e medidas que visem à melhoria da educação nacional estão associadas a projetos políticos, concebidos por homens públicos no interior dos seus respectivos partidos. Projetos políticos e políticas educacionais que precisamos conhecer e avaliar.

Nada mais natural que assim seja. Trata-se de situação benéfica, em certa medida, porque deixa às claras quem pensa o que a respeito da escola, dos professores, do material didático, do ensino superior, do analfabetismo, do ensino médio, do ensino à distância… e de tantas outras urgentes questões, questões práticas que os discursos genéricos não podem mais eludir.

As eleições de 2010 estão no horizonte. Não há antecipação alguma. Quem declarar que não está pensando nisso é porque só está pensando nisso! Quem gosta de política e, sobretudo, vive de política (e também quem vive de notícias), sabe que já é mais do que hora de plantar. Bom tempo para trabalhar é agora, de abril de 2009 a abril de 2010. Cada um aposte nas suas sementes. A palavra semeia ideias. As ações provocam reações. Todos os discursos e decisões no campo educacional terão causas e consequências políticas.

Campanha eleitoral em andamento

Um dos mais importantes debates/embates dos próximos meses será entre o atual ministro da Educação, Fernando Haddad, e o recém-empossado secretário estadual da Educação em São Paulo, Paulo Renato Souza. Este, ao assumir o cargo, aproveitou a ocasião para criticar a mais recente ação do MEC – dar novo formato ao vestibular das universidades federais a partir de um novo Enem. Disse Paulo Renato à Folha de S.Paulo (edição de 15 de abril):

‘A proposta tem méritos, mas está mal formulada. O mérito é estimular a mobilidade dos alunos pelo país. Mas é negativo mudar o Enem. Será uma nova prova, com mais conteúdo. Assim, perdemos o Enem, que é importante para balizar o ensino médio. O exame hoje avalia competências e habilidades gerais. Não serve para selecionar candidatos para cem vagas disputadas. Ele ficará descaracterizado.’

A resposta veio rapidamente. Em entrevista no próprio dia 15 ao Globo News, divulgada no portal do MEC, Fernando Haddad afirmou que o Enem já estava ‘moribundo’ quando ele, Haddad, chegou ao Ministério para assessorar Tarso Genro, em 2004, e que o ProUni foi uma forma de revitalizar o Enem. Um Enem que, após uma década, estaria agora sendo aprimorado em nova perspectiva:

‘[…] o currículo do ensino médio não mudou nada depois de 11 anos de existência do Enem no formato atual. Se ele tivesse esse benefício, 11 anos depois já teria havido alguma alteração na grade curricular do ensino médio. [..] Queremos usar uma boa ideia, que não deu certo, e aprimorá-la.’

A campanha eleitoral está em andamento e começa a acelerar-se. Estão em jogo a imagem do governo federal e a do governo estadual de São Paulo. A educação, e isso é bom, surgirá como tema dos mais polêmicos.

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Doutor em Educação pela USP e escritor; www.perisse.com.br

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