Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1005
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CADERNO DA CIDADANIA > ENTREVISTA / FABIANA GORENSTEIN

‘Queremos garantir que a voz das crianças seja ouvida’

13/04/2004 na edição 272

Fabiana Gorenstein, representante, no Brasil, da organização Save the Children – Suécia, acredita que o processo de produção de mídia para crianças e adolescentes deve envolver educação, cultura e entretenimento. ‘Este trinômio não deve ser parte da produção, mas, sim, a base da produção’.

Para ela, o Brasil terá a oportunidade de mostrar, durante a 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, a sua rica, complexa e diversa produção nacional. ‘Tenho certeza de que os europeus e os norte-americanos ficarão impressionados com a riqueza, com a multiculturalidade de nossas produções’, afirmou Fabiana em entrevista ao programa Encontros Essenciais, da Multirio.

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Qual o objetivo da Save the Children – Suécia?

Fabiana Gorenstein – A Save the Children é uma organização sem fins lucrativos, sem filiação religiosa ou política e não governamental, voltada para a promoção e defesa dos direitos das crianças. Funciona na Suécia e conta com dez escritórios regionais distribuídos em todo o mundo. O escritório da América Latina e Caribe fica localizado em Lima, no Peru. No entanto, há também representações na Colômbia, na Costa Rica e no Brasil. Trabalha com o objetivo de defender e implementar a Convenção dos Direitos da Criança, aprovada em 1989, pela ONU. A organização apóia crianças em situações de risco e influencia a opinião pública a este respeito. Até a realização da convenção de 1989, as crianças eram vistas como objetos, não como sujeitos de sua própria atuação. De lá pra cá, crianças e adolescentes são vistos como atores sociais que devem ser considerados em todos os processos. O documento aprovado exige que os estados signatários dediquem-se a ouvir e a respeitar a opinião de crianças e adolescentes.

É por esta razão que a Save the Children participará da 4ª Cúpula Mundial?

F.G. – Isto mesmo. Queremos garantir que a voz das crianças seja ouvida. A nossa instituição conhece e acompanha projetos onde crianças trabalham com mídia, seja na produção de um jornal, de um site ou de um programa de rádio ou de TV. Também queremos propiciar que as crianças e os adolescentes que trabalham com mídia estejam na Cúpula, participando de todos os debates. Queremos que eles estejam aqui não apenas como educandos, mas como profissionais que têm uma produção e uma reflexão para mostrar.

Você acha que a mídia atual retrata fielmente o cotidiano de crianças e adolescentes do Brasil?

F.G. – Não. As pessoas têm uma imagem do Brasil estereotipada. Acham que só temos crianças de rua, prostituição infantil, tráfico de crianças, samba, carnaval e favela. Isto acontece porque a mídia está retratando uma parcela muito pequena de nossa realidade. Lógico que temos todos estes problemas, mas o país não se resume a isto. Temos, por outro lado, comunidades que têm a incrível capacidade de organizar e transformar tais dificuldades, mas que não têm espaço na mídia. É preciso promover uma mídia que se volte para este tipo de realidade também.

E de que forma esta mídia deve ser produzida? Que pontos ela tem que levar em conta?

F.G. – É preciso investir em uma mídia para crianças e adolescentes que seja educativa, cultural e, ao mesmo tempo, divertida, que desenvolva o entretenimento. A área da educação é meio complexa e ainda não encontramos a fórmula mágica de educar com entretenimento. Devemos buscar isto. Se não for assim, as possibilidades de interação serão muito pequenas. Educação, cultura e entretenimento: este trinômio não deve ser parte da produção, mas, sim, a base da produção.

Quais são suas expectativas em relação à 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes?

F.G. – Esta Cúpula tem um papel fundamental de mostrar que nós temos uma produção interessante, rica, complexa e diversa. E que essa complexidade e diversidade são as nossas principais características. Tenho certeza de que os europeus e os norte-americanos ficarão impressionados com esta riqueza, com a multiculturalidade de nossas produções. Espero que também possamos, a partir do encontro, aumentar as possibilidades de diálogo entre os profissionais de todo o mundo que trabalham com mídia. Desejo que a Cúpula possibilite um novo movimento de mídia, voltado e aberto para crianças e adolescentes. Por fim, acho que a 4ª edição do encontro tem que se preocupar em ouvir e harmonizar todas as contribuições destes jovens e abrir todas as portas para eles.

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