Quinta-feira, 21 de Junho de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº992
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CADERNO DA CIDADANIA > MÍDIA E DESARMAMENTO

Questões essenciais fora do debate

Por Angelo Faria em 26/09/2005 na edição 348

Sou a favor da proibição da venda de armas no Brasil. Quem precisa de armas? Apenas bandidos e policiais. Não existe nenhuma pesquisa ou estatística que comprove que cidadãos comuns tenham evitado algum tipo de crime usando arma de fogo. Tenho 20 anos de trabalho em segurança pública, e jamais tive notícia de um fato como este.

Ao contrário, a mídia sempre publica notícias de cidadãos perdendo a arma para bandidos que invadem sua residência. Bandidos arrombadores só praticam seus furtos depois de se certificarem de que não há ninguém em casa. Assaltantes à mão armada procuram surpreender suas vítimas, o que não lhes dá chance de reação. Quantos são os policiais que foram surpreendidos em tentativa de assalto e morrem ao tentar reagir?

É portanto ineficaz uma arma de fogo na mão de um cidadão – e esse lado da questão a imprensa não esclarece –, se o objetivo é o de se defender, pois é preciso saber lidar com a arma, ter coragem de usá-la e não pôr em risco a vida de inocentes. O cidadão armado, numa atitude impulsiva, muitas vezes comete um crime de lesão grave ou mesmo de homicídio porque tem uma arma. Se não tivesse, resolveria o conflito de outra forma.

Há de fato outros interesses neste referendo, contudo, e essas questões, essenciais, precisam ser debatidas pela mídia, este objeto foi feito para matar. Com a proibição advirá o contrabando. Quem gosta de armas de fogo ou necessita delas para viver na marginalidade, como os integrantes do crime organizado, continuará a adquiri-las de forma ilegal – como é do conhecimento de todos. A proibição é portanto inócua, e não terá o menor efeito nas estatísticas de morte produzidas por disparo de arma de fogo.

É possível

Resta-nos aguardar para ver qual a desculpa que os governos dos estados e a União arranjarão para as novas estatísticas depois da proibição. Criminalidade se combate com investigação e prisão dos criminosos. O que vemos hoje é uma polícia de confronto, e não investigativa, com a contratação, todos os anos, de milhares de policiais militares que percebem salários baixíssimos, enquanto a contratação de policiais civis para os trabalhos de investigação e os investimentos em tecnologia estão há décadas negligencidos.

Estes confrontos, sim, deveriam ser proibidos, pois fazem vítimas inocentes. Até 1980 não tínhamos um crime tão organizado, tampouco as armas sofisticadas contrabandeadas que temos hoje, porque não havia esta tolerância. As favelas do Rio de Janeiro não eram tão perigosas. A tolerância, a complacência, a falta de investimentos em recursos humanos e tecnológicos, a impunidade, a mobilização da opinião pública tanto pela imprensa quanto pelas autoridades políticas de forma distorcida adubam o crescimento da violência.

Cidades de interior estão também sofrendo proporcionalmente com o mesmo problema, e a demagogia se repete com autoridades corruptas e omissas. Vamos sonhar que as autoridades policiais e políticas se empenhem em solucionar os crimes como solucionou o homicídio de Tim Lopes. Todos assistimos ao bandido Elias Maluco saindo como um rato de um buraco sem trocar um tiro com a polícia. Como foi possível? É possível! É preciso vontade e empenho de recursos humanos e tecnológicos, como neste episódio. Deviam ser punidos os chefes do Executivo que não cumprem seu dever e negligenciam o combate à criminalidade.

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Policial, Valença, RJ

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