Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1021
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Receita de jornais na internet deve migrar de anúncio para assinatura

Por Marina Gazzoni em 24/11/2011 na edição 669

O jornalismo online vai passar de um modelo de rentabilidade baseado em anúncios para o de modelo de assinaturas. Essa é a expectativa de Stephen Engelberg, editor executivo do ProPublica, uma instituição independente que foi o primeiro portal a ganhar um prêmio Pulitzer, o mais importante do jornalismo americano. Para ele, o jornalismo de qualidade deve ser cobrado.

“Tudo na internet que vale a pena deve ser pago. E nós temos de cobrar por conteúdo. Existem pessoas que todos os dias compram um copo de café na Starbucks. Tenho certeza que elas podem pagar US$ 5 ao mês para ler notícias de qualidade”, disse ontem [terça-feira, 22/11] Engelberg, em palestra no MediaOn – Seminário Internacional de Jornalismo Online, promovido pelo Itaú Cultural e pelo portal Terra, em São Paulo.

A ProPublica foi criada em 2007 para se dedicar ao jornalismo investigativo. Hoje, a instituição tem uma redação em Nova York com 35 jornalistas. Em 2010, eles publicaram mais de cem reportagens em quarenta veículos de mídia.

Novo modelo

A própria instituição está em busca de um modelo de rentabilidade. Logo que o projeto foi criado, a Fundação Sandler se dispôs a investir até US$ 10 milhões por ano na ProPublica. Em 2011, a entidade vai consumir um orçamento de US$ 9,5 milhões e cerca de metade desses recursos virá da fundação. “O nosso principal objetivo é ter uma receita financeira constante e que não dependa apenas de um doador”, disse Engelberg.

A meta da instituição é conseguir reduzir o volume de doações da Fundação Sandler para 20% do seu orçamento. O editor executivo do ProPublica estima que isso será possível em cerca de três anos. “Ainda vamos nos basear em filantropia, mas teremos mais doadores”, disse.

A escolha da internet como plataforma de divulgação de reportagens de impacto pela ProPublica se deve ao custo menor de produção de conteúdo. A estimativa da instituição é que a cada US$ 1 de seu orçamento, apenas US$ 0,20 seja utilizado para financiar a infraestrutura da redação.

Parceria

Mas, para ganhar maior repercussão em suas reportagens, a ProPublica desenhou um modelo de parceria com a imprensa tradicional. A instituição produz um conteúdo na sua redação, mas o oferece com exclusividade a veículos tradicionais como o The New York Times, Washington Post, Fortune ou Financial Times. “Poderíamos existir sozinhos, mas, com a imprensa tradicional, a nossa repercussão é muito maior”, disse Engelberg.

A vantagem existe para os dois veículos. Um repórter da ProPublica escreve, em média, duas grandes reportagens por ano. “Eles têm o tempo que precisarem”, disse. Sem dar mais detalhes, Engelberg disse que publicará no próximo mês a reportagem que consumiu mais tempo de apuração da ProPublica. A matéria trará um banco de dados sobre criminosos americanos e levou quatro anos para ser produzida.

***

[Marina Gazzoni é da Redação do Estado de S.Paulo]

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