Segunda-feira, 11 de Dezembro de 2017
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº969

CADERNO DA CIDADANIA > AL-JAZIRA

Rede usa conflito em Gaza para conquistar espaço nos EUA

14/01/2009 na edição 520

Em junho do ano passado, a versão em inglês do canal de TV al-Jazira produziu uma reportagem sobre Gaza que mostrava um jovem casal se preparando para casar durante o calmo período de cessar-fogo entre o Hamas e o governo de Israel. Segundo o repórter Ayman Mohyeldin, tratava-se de um momento em que eles poderiam finalmente comprar móveis e sonhar que uma ‘vida feliz estava ao seu alcance’.


Agora, Mohyeldin pode ser visto com um capacete e um colete à prova de balas respondendo às questões de um âncora no estúdio de Doha, no Catar, descrevendo o bombardeio israelense e a campanha terrestre em Gaza para pôr fim aos foguetes do Hamas. Em um conflito ao qual a mídia ocidental não tem acesso, devido a restrições impostas pelo Exército de Israel, a al-Jazira tem a grande vantagem de estar in loco.


Em Gaza, a rede de TV tem seis repórteres – dois trabalhando para a al-Jazira em inglês e quatro para a versão em árabe, muito maior e mais popular. O canal original foi criado em 1996, com uma doação de US$ 150 milhões do emir do Catar, xeque Hamad bin Khalifa al-Thani. A al-Jazira se descreve como a ‘única rede internacional com presença local no conflito’.


De olho na audiência americana


Se produzir as matérias não é uma tarefa difícil para os jornalistas da al-Jazira em inglês, fazer com que elas cheguem ao público americano já é algo um pouco mais complicado. A rede não está disponível em grande parte dos EUA – só moradores da capital Washington; de Toledo, em Ohio; e de Burlington, em Vermont, conseguem assistir ao canal. Por sua vez, via cabo e satélite, o serviço em inglês pode ser assistido em mais de 100 países ao redor do mundo, diz Molly Conroy, porta-voz da al-Jazira em Washington.


O quase blecaute americano está relacionado às duras críticas que a al-Jazira recebeu do governo dos EUA durante o início da guerra no Iraque, opina Noam Cohen [New York Times, 12/1/09]. Em Israel, a rede também costuma ser criticada por divulgar vídeos fora de contexto e cenas consideradas fortes demais. A al-Jazira defende-se e alega estar oferecendo uma cobertura precisa, sob a perspectiva árabe.


O poder da net


Para ter uma atuação mais ampla nos EUA, a al-Jazira investe na internet. Segundo o executivo Mohamed Nanabhay, a rede irá anunciar ainda esta semana que o material sobre a guerra em Gaza pode ser reproduzido nos EUA sob a licença da Creative Commons. Isto significa que qualquer um pode usar o conteúdo – até mesmo emissoras rivais – desde que a al-Jazira seja creditada. O sítio da rede já possui vídeos em diversos formatos e há um canal no YouTube com mais de seis mil deles. ‘Parte da nossa missão é fazer com que as notícias cheguem às pessoas’, afirma Nanabhay. ‘Não temos as pressões comerciais diretas que outras emissoras têm. Se tivermos algum lucro, está ótimo’.


Atingir o público americano é uma das metas da rede. ‘Pensamos muito no mercado americano’, conta. ‘Mesmo se este mercado não estiver completamente aberto, ainda assim vamos inovar’. De acordo com ele, a crise em Gaza está reforçando o poder da internet.


Desde que a guerra começou, o número de pessoas que assistiram aos vídeos online subiu mais de 500% e os acessos ao canal do YouTube aumentaram em mais de 150%. Uma reportagem dos militantes do Hamas em ação foi vista online mais de 150 mil vezes em menos de três dias, com mais de 700 comentários. A al-Jazira criou ainda uma página no Twitter sobre o conflito, com atualizações freqüentes. Durante o final de semana, mais de quatro mil pessoas se inscreveram para receber as notícias.

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