Domingo, 15 de Dezembro de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1067
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CADERNO DA CIDADANIA >

Repórter é morto a tiros

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 29/09/2009 na edição 557

O veterano repórter de televisão Diego de Jesús Rojas Velásquez foi assassinado a tiros na terça-feira [22/9] nos arredores de Supía, cidade central da Colômbia, segundo entrevistas e matérias da imprensa. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou as autoridades colombianas a realizarem uma completa investigação sobre o crime.

Rojas, repórter e cinegrafista da estação comunitária Supía TV, situada no departamento [estado] de Caldas, saiu dos estúdios da emissora por volta das 18h00 após receber uma dica sobre uma reportagem não especificada, segundo informações da imprensa e entrevistas do CPJ. Pouco tempo depois, as autoridades encontraram seu corpo com quatro ferimentos de bala em uma estrada que liga Caldas ao departamento vizinho de Antioquia, noticiou a imprensa colombiana e internacional. Testemunhas disseram ter ouvido Rojas discutindo com vários indivíduos não identificados antes de escutarem os tiros. Os investigadores encontraram a motocicleta do repórter, com as chaves ainda no contato, próximo ao local do crime, informou o jornal regional La Patria.

Rojas, de 52 anos, trabalhou como jornalista em Supía por mais de três décadas, segundo seus colegas. Também havia trabalhado para a emissora regional Cable Unión e colaborava ocasionalmente com jornais locais, de acordo com a imprensa colombiana. Juan Carlos Raborda, diretor da Supía TV, explicou que Rojas cobria noticiário esportivo e social, e não informava sobre assuntos sensíveis, segundo La Patria. A polícia e os familiares do repórter disseram que ele não havia recebido nenhuma ameaça, informou a agência espanhola de notícias EFE.

Vínculos entre políticos e paramilitares

As autoridades estão investigando o assassinato, segundo reportagens da imprensa colombiana. O prefeito de Supía, Germán Ovidio Tobón, disse que os investigadores acreditam que o homicídio esteja vinculado à vida pessoal de Rojas, noticiou o jornal El Tiempo. As autoridades colombianas ofereceram uma recompensa de 15 milhões de pesos (US$ 7.100).

‘Ainda que o número de jornalistas assassinados tenha diminuído nos últimos cinco anos na Colômbia, o homicídio de Diego de Jesús Rojas Velázquez é um lembrete das condições de vulnerabilidade em que trabalham os jornalistas do interior’, declarou Carlos Lauría, coordenador sênior do Programa das Américas, do CPJ. ‘Instamos as autoridades colombianas a conduzirem uma investigação exaustiva e a determinarem se a morte de Rojas está relacionada ao seu trabalho como jornalista.’

Em um relatório recente, Crimes sem Castigo 2009, o CPJ apurou que o número de assassinatos de jornalistas havia diminuído. No entanto, historicamente, a Colômbia tem sido um dos países onde mais jornalistas foram mortos por seu trabalho. Embora o governo considere esta queda como fruto da política de segurança, a pesquisa do CPJ demonstra que a existência de uma autocensura generalizada converteu a imprensa em um alvo menos visado.

Um jornalista colombiano foi morto em decorrência de seu trabalho no início deste ano. Em 24 de abril, um indivíduo não identificado, que se fez passar por mensageiro, entrou na casa de José Everardo Aguilar, no departamento de Cauca, e o assassinou a tiros. Aguilar, de 72 anos, era correspondente da Radio Super no município de Patía e apresentava um programa de notícias na emissora de rádio comunitária Bolívar Estéreo. Ele era conhecido por suas fortes críticas à corrupção e aos vínculos entre políticos locais e paramilitares de direita. Em julho, a Polícia Nacional da Colômbia prendeu Arley Manquillo Rivera, conhecido como El Huracán (O Furacão), em conexão com a morte de Aguilar.

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CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, sediada em Nova York, e se dedica a defender a liberdade de imprensa em todo o mundo

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