Terça-feira, 21 de Maio de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1038
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CADERNO DA CIDADANIA >

Repórter que atirou sapato em Bush tem pena reduzida

Por Leticia Nunes (seleção de textos) em 08/04/2009 na edição 532

Leia abaixo a seleção de quarta-feira para a seção Entre Aspas.


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O Estado de S. Paulo


Quarta-feira, 8 de abril de 2009


 


IRAQUE
O Estado de S. Paulo


Repórter que atacou Bush tem pena reduzida


‘A Suprema Corte do Iraque reduziu ontem a sentença do jornalista iraquiano que lançou seus sapatos contra o ex-presidente George W. Bush de 3 anos para 1 ano de prisão. A pena foi reduzida porque Muntadhar al-Zeidi não tem histórico criminal. O jornalista, preso há quatro meses, será solto em dezembro ou dentro de cinco meses por bom comportamento.’


 


 


PROPAGANDA
Leonencio Nossa


Planalto gasta R$ 15 mi com publicidade de obra no papel


‘O governo disponibilizou R$ 15 milhões para a campanha publicitária do programa Minha Casa, Minha Vida, que prevê a construção de 1 milhão de casas populares. As peças publicitárias, que serão veiculadas até o dia 30 na televisão, no rádio, na imprensa e na internet, estão sendo questionadas pelo PSDB. O partido entrou com representação contra a campanha no Conselho de Autorregulamentação Publicitária (Conar).


Os tucanos dizem que a campanha ‘sugere’ que o governo já está construindo as casas. Já técnicos do governo dizem que sem publicidade as famílias de baixa renda não tomarão conhecimento do programa de habitação. O dinheiro gasto na campanha está previsto no Orçamento de 2009 da Secretaria de Comunicação (Secom), órgão encarregado de fazer a publicidade da Presidência.


Técnicos do governo ressaltam que a campanha publicitária pode ser divulgada porque o programa habitacional já foi lançado oficialmente pelo governo. Eles ressaltam que as medidas provisórias enviadas pelo governo ao Congresso para permitir a regularização fundiária, necessária para a construção de casas, têm poder de lei e estão em tramitação no Congresso. Eles dizem ainda que as peças publicitárias não promovem o nome da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, como argumenta o PSDB, e afirmam que o narrador deixa claro que o programa é uma parceria entre o governo federal, os Estados, os municípios e a sociedade. A campanha foi planejada e executada pela agência 141, uma das empresas que fazem a publicidade da Presidência.


Ao encaminhar a ação ao Conar, o deputado Wanderlei Macris (PSDB-SP) disse que o governo faz propaganda ‘enganosa e desonesta’. Ele pede que o Conar determine o cancelamento da campanha.


Em encontro com o diretor executivo do Conar, Edney Narchi, o tucano argumentou, segundo informações do serviço Análise Política da Agência Estado, que o governo poderia ter realizado uma campanha de lançamento do programa e não peças publicitárias em que se subentende que as casas prometidas já estão prontas. Além disso, sustenta o deputado, a viabilidade do programa depende de acordos do governo federal com os Estados e os municípios – que terão de comprar os terrenos e dotar de infraestrutura as áreas dos novos centros habitacionais para a população de baixa renda.’


 


 


Rosa Costa e Eugênia Lopes


Projeto amplia propaganda eleitoral


‘A um ano e meio das eleições de 2010, o Senado desengavetou projeto de lei que aumenta para três meses o período da propaganda eleitoral gratuita em rádio e televisão. Hoje, a propaganda é veiculada nos 45 dias que antecedem as eleições. Pela proposta, ela poderá ser feita logo após as convenções partidárias – pela legislação, são obrigadas a ocorrer até 30 de junho.


Junto à chamada ‘janela da infidelidade’, proposta que permite ao parlamentares trocarem de partido sem ser punidos com a perda de mandato, esse projeto deve se transformar no centro das discussões da reforma política, que continua parada no Congresso.


Apresentado em 2003 pelo senador César Borges (PR-BA), o projeto foi entregue ontem a seu quarto relator, a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO).


‘Essa proposta tem por objetivo dar paridade aos políticos que estão disputando pela primeira vez um cargo com aqueles que já estão no cargo. Mais tempo de propaganda vai permitir que os eleitores conheçam mais seus candidatos’, disse Borges. ‘Quanto maior for o tempo para o candidato comunicar suas ideias, maior será a qualidade de nossa política’, justificou, ao apresentar o projeto de lei há seis anos. Ele explicou que apresentou a proposta no contexto de uma reforma política, com a aprovação do financiamento público de campanha. A senadora Lúcia Vânia disse que só vai se pronunciar após conhecer o texto.


Para o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Demóstenes Torres (DEM-GO), o projeto ‘não tem futuro’ e pode atrapalhar a reforma política que, entre outras coisas, ‘deveria se ocupar em excluir os fichas-sujas da disputa, a infidelidade partidária e fortalecer os partidos’. ‘É um projeto que vem na contramão do que está sendo pregado’, afirmou. A retomada da discussão do projeto está dentro da iniciativa de Demóstenes de limpar a pauta da CCJ, hoje com cerca de mil projetos.


Com apenas dois artigos, o projeto de lei de Borges altera a Lei Eleitoral – 9.504/97. A proposta prevê que a ‘a propaganda eleitoral somente será permitida após a escolha da candidatura em convenção partidária’. O texto não especifica, no entanto, se o candidato escolhido no início da convenção pode começar imediatamente a campanha gratuita em rádio e televisão. O projeto estabelece ainda que a lei terá de ser aprovada um ano antes das eleições.


Dos três relatores anteriores, somente o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM-SC) apresentou parecer pela aprovação do projeto.’


 


 


TELES
O Estado de S. Paulo


Oi já demitiu 900 após a compra da BrT


‘A compra da Brasil Telecom pela Oi continua a acarretar corte de funcionários. Depois das 400 demissões anunciadas em fevereiro, agora estão sendo afastados ‘aproximadamente 500 empregados’, segundo informação da operadora. O motivo alegado é o de sobreposição de funções, principalmente na área de mercado e vendas. Ainda de acordo com a empresa, cerca de 20% dos desligamentos fazem parte do plano de aposentadoria incentivada, criado em fevereiro.


‘Cerca de 200 vagas permanecerão em aberto e serão preenchidas mediante recrutamento no mercado’, informa a Oi. As demissões de fevereiro, logo após a conclusão do negócio, concentraram-se em cargos gerenciais. ‘Após definir o quadro gerencial, a companhia deu prosseguimento à implantação de sua nova estrutura com uma análise detalhada dos outros níveis da organização’, informa a empresa.


Durante a negociação para a compra da Brasil Telecom, a Oi firmou compromisso de manter empregos por um prazo de três anos. A operadora alegou mais tarde, porém, que o compromisso é referente ao número de postos de trabalho, e não à estabilidade dos funcionários de então.


O argumento do grupo é que, como está expandindo atividades, especialmente no mercado de São Paulo, novas vagas estão sendo criadas, compensando o perda de postos da antiga BrT. ‘Os ajustes não afetam o compromisso (de manutenção do emprego), que está sendo devidamente honrado’, afirma a companhia.’


 


 


MEMÓRIA
Eduardo Reina


Uma Penha esquecida é lembrada em fanzine


‘Um grupo de moradores da Penha resolveu resgatar a memória do bairro da zona leste de São Paulo e trazer a público a relevância histórica da região. Sem recursos financeiros para manter um boletim impresso sobre os pequenos e os grandes feitos da comunidade, o Movimento de Preservação e Memória da Penha lançou um fanzine virtual – o Bossa Antiga. Em elaboração, a terceira edição do periódico tratará de uma campanha para ‘salvar’ o pingado, o tradicional café com leite e pão com manteiga na chapa, uma instituição dos balcões de padarias paulistanas.


Os dois primeiros números reportaram, respectivamente, a ‘bus nostalgia’, ao relembrar os velhos coletivos que serviram o bairro, e a passagem do Graf Zeppelin, na década de 1930, sobre o bairro, com uma foto inédita e falsa do dirigível ao lado de uma das torres da igreja. ‘A Penha de França tem uma cultura própria e uma história muito rica. Porém, um isolamento geográfico do passado fez com que a região não fosse incluída na história da cidade, a ponto de praticamente não existirem registros no Departamento do Patrimônio Histórico (DPH)’, conta o professor Francisco Folco, de 57 anos, um dos idealizadores do fanzine e Memorial Penha de França.


‘A exceção é o fato de que Nossa Senhora da Penha era padroeira da cidade, e a sua imagem era requisitada oficialmente pela Câmara Municipal para que fosse em procissão até a Sé’, diz Folco. Com ele, muitos outros moradores, a maioria com idade acima dos 50 anos, participam da empreitada virtual. Fanzines, vale lembrar, não são novidade, surgiram nos Estados Unidos e foram amplamente usados na Europa pelo movimento de contracultura de 1968.


A base para a redação do fanzine é o Memorial, criado em fórum de preservação do patrimônio realizado na Casa da Cultura da Penha, em 2004. Hoje, o Memorial está sediado em uma casa antiga da família Folco – entusiasta do projeto. Um dos mais jovens participantes da empreitada é Eduardo Zampar Morelli, de 27 anos. Ele conta que o Bossa Antiga migrou da edição impressa para virtual para conquistar mais público. ‘A gente fazia um fanzine impresso que era distribuído no bairro. E achamos que o virtual tem muito mais poder de sedução.’


A primeira experiência de publicação de fanzine ocorreu há dois anos, depois do informativo A Tribo. ‘O boletim ficou caro. Fizemos então um fanzine chamado Tribufu’, lembra o professor Júlio César Marcelino, de 42 anos. ‘Agora fazemos o Bossa Antiga, nos divertimos e mostramos nossa preocupação com a memória e preservação da Penha de França’, diz o professor que faz questão de citar o nome completo do bairro.


O trabalho de pesquisa sobre o bairro, de fato, se tornou uma diversão para os integrantes do Bossa Antiga. Os moradores da Penha, ao relembrar a história do bairro, se reviram em especulações. A brincadeira que colocou a foto de um dirigível ao lado da colina da Penha, em 1935, virou tema do fanzine número 2. ‘Ninguém tem registro da passagem do Zeppelin pela Penha. Ele sobrevoou a região central da capital e foi uma grande emoção naquela época’, conta Francisco Folco. No primeiro exemplar, o grupo lembrou do ônibus Penha-Lapa – ‘sinônimo’ de coletivo lotado. ‘Sei de história de gente no Ceará que citou o Penha-Lapa para se referir a um ônibus cheio de lá’, diz Folco, ao lembrar que chegou a gastar uma hora e 45 minutos a pé entre Higienópolis e Penha, enquanto o coletivo demora mais de duas horas no trânsito.


Especialista em história oral, o ex-seminarista e psicólogo José Morelli, de 55 anos, pai de Eduardo, diz que a terceira edição será lançada nos próximos dias. Ele admite que o tema escolhido, o pingado, não é uma exclusividade da Penha de França. ‘É uma instituição não só da Penha, mas de toda a cidade de São Paulo. O pingado não existe em outros Estados’, acredita Morelli. Ao participar do grupo e discutir os temas dos próximos fanzines, o psicólogo revela que se diverte, principalmente com os causos sugeridos para publicação no Bossa Antiga. ‘Há uma lenda que diz que havia um túnel secreto que ligava o seminário e o convento das irmãs, mas isso ninguém nunca vai saber.’


Na trilha das lendas, Francisco Folco afirma que a primeira cerveja da cidade foi produzida na Penha. ‘Você sabia? Chamava-se Cerveja da Penha e era fabricada por João Bohemer, em 1840. No início, era apreciada apenas pelos penhenses. Depois, passou a ser vendida no bar O Corvo, no centro de São Paulo’, conta Folco, orgulhoso. Não será, portanto, por falta de imaginação ou material que os fanzineiros do Bossa Antiga ficarão na mão. A lista de assuntos do grupo é quase interminável. Para solicitar uma cópia do periódico, basta encaminhar uma mensagem ao e-mail bondepenha@uol.com.br.’


 


 


TELEVISÃO
Patrícia Villalba


Fada madrinha


‘‘Carioquérrima’, como se define, a figurinista Marília Carneiro embrenhou-se pela Lapa paulistana para criar a pele de um galã que é antigalã, a ser vestida pelo ator Malvino Salvador em Caras&Bocas, nova novela das 7. ‘Ele é o homem dos sonhos, porque é sensível como um artista plástico e machão como um pasteleiro da Lapa’, brinca ela, que pontuou a simplicidade das camisetas brancas e cinzas do personagem Gabriel com aventais charmosos, cheios de coloridos.


É detalhe típico do trabalho de Marília, figurinista famosa por lançar moda em novela que vira febre nacional. Com 35 anos de TV Globo, foi ela que calçou as meias de lurex com sandálias coloridas em Sônia Braga, em Dancin? Days (1978). Hábil, soube também transformar alguns desastres em sucesso, como em Brilhante (1981). Até Tom Jobim reclamou publicamente do cabelo de Vera Fischer, que Marília mandou cortar curtinho. Para compensar, a figurinista pôs um lenço no pescoço da atriz, que foi copiado à exaustão e pode ser visto ainda em certos pescoços apegados aos anos 80.


Antenas a mil, olhar que começou a ser treinado na Sorbonne e muito bom gosto fazem a fama da figurinista, personalidade já histórica na trajetória da TV. Mas há outros ingredientes, entre eles o bom senso, respeito e uma boa dose de paciência, especialmente com as mulheres que – ela confirma a lenda – não se rendem facilmente aos conselhos das figurinistas. ‘Você pensa que para ser figurinista é só ter acesso às boas lojas? Nada disso.’


No meio da prova de roupas para figurantes, onde Marília recebeu o Estado, uma das assistentes traz o recado de Elizabeth Savala, a Socorro, que vai passar boa parte da novela em vestidos tipo saco de farinha: ‘Dona Elizabeth quer mais opções de vestido. Achou o que você mandou muito simples’, diz ela, enquanto prepara um vestido de brilhante. ‘Peraí…’, interrompe Marília. ‘Nada de brilho para a Elizabeth. Lembre a ela que a personagem dela é pobre!’’


 


 


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‘Sonho com novela só de homens’


‘Depois dos vermelhos e grenás intensos da minissérie Maysa – Quando Fala o Coração, a figurinista Marília Carneiro trabalha os grafismos paulistas e influências nova-iorquinas na nova novela das 7, Caras & Bocas, que estreia na próxima segunda-feira, dia 13.


Para falar ao Estado, Marília não poderia ter escolhido lugar melhor: uma das ‘gaiolas’ do imenso acervo de figurinos da TV Globo, no Projac, em Jacarepaguá – pequenas salas gradeadas onde se guardam os guarda-roupas de cada personagem. Ali, ao mesmo tempo em que vestia figurantes para uma cena de vernissage, ela contou detalhes sobre o processo de criação para a trama de Walcyr Carrasco, falou sobre a fama de lançadora de modas e, divertida, confessou um sonho tresloucado: ‘Queria fazer uma novela sobre o exército, onde só tivesse homem para vestir!’


Você está sempre trabalhando para as novelas das 9, especialmente as de Gilberto Braga. Qual é a diferença em fazer um figurino para uma novela das 7?


Achei que ia ter um ano quase sabático, que teria pouquinha coisa para fazer. Mas a novela é absolutamente complicada de ser feita, estamos fazendo com cara de novela das 8.


Quais os desafios?


Os personagens são muito trabalhosos. Tenho, por exemplo, de pegar um galã (Malvino Salvador) e fazer dele um antigalã. Imagine, ele seduz a mocinha mas é um cara que frita pastel… A Fernanda Machado é elegantérrima, mas está fazendo a sexy (Laís). E a Flávia Alessandra, que é uma moça absolutamente sexy, faz uma galerista minimalista (Dafne). (Ela vai à arara de modelos)Ela tem esse Stella McCartney (veja abaixo), que eu achei lindo, um (xadrez) Príncipe de Gales no voil. Estou usando também as da Gilda Midani, incríveis. A Dafne está usando coisas realmente de vanguarda, importadas. Como é que eu vou reproduzir um Marc Jacobs ou um Stella McCartney?


Você tem essa fama de lançadora de moda e…


Vamos dizer que a Globo é lançadora de moda, né… Sei que existe a expectativa dos diretores sobre qual moda será lançada pela novela. É igual quando eu vou dar palestra para confeccionistas e eles perguntam ‘como vai ser a lavagem do jeans este ano?’. Acham que eu tenho uma bola de cristal.


É ligada à moda no dia a dia, se preocupa com isso?


Tento me desligar. Quando viajo a Nova York, por exemplo, não vou a uma loja. Mas, de repente, vou ao Metropolitan e vejo uma mulher com uma roupa linda. Pronto, já vou lá perguntar. Daí, ela diz ‘comprei no Marc Jacobs!’ E lá vou eu no Marc Jacobs… Mas no dia a dia me visto assim, de carioquinha – a sandália rasteira me acompanha. Acho que depois de uma certa idade você tem de ter um estilo, não tem de ficar tentando seguir modinha.


Muitas vezes, uma moda é lançada pela novela a partir de um personagem caricato, não necessariamente um modelo de elegância. Esse tipo de identificação com o público surpreende você?


Nesses meus 35 anos de observação, já entendi que você não lança moda sozinha. Você depende do personagem e da repercussão que ele vai ter. No caso da Bebel (Camila Pitanga) de Paraíso Tropical, por exemplo (figurino de Helena Gastal e Natália Duran). As pessoas começam a usar aquelas roupas porque acham que vão ficar daquele jeito: comprida, morena, magra, linda e sexy. Não importa o contexto da personagem, nesse caso. E os laços da Regina Duarte em Rainha da Sucata (1990), no cabelo preso com gel? Pegou na classe A. E era quase caricato, cabelo de uma sucateira.


Os atores reclamam muito, resistem aos figurinos?


Os homens nunca – queria fazer uma novela sobre um exército, sem personagem feminina nenhuma! O (Antonio) Fagundes, se veste enquanto está lendo – mal vê o que eu pus nele. Eu falo ‘não vai se olhar?’. E ele ‘pra que, você já não viu?’ Não tenho história nenhuma de homem para contar. E de mulher não vou contar porque não pode… Acho que eu posso escrever várias histórias do tipo ‘abra depois que eu morrer’. Mulher é um bicho muito inseguro. E é muito comum que essas meninas bonitas se apeguem à imagem que já agradou. Tem gente como a Beth Mendes, que me dá liberdade total. Agora, as que gostam de interferir, eu ouço. Dá um trabalho do cão.’


 


 


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Comédia romântica, trama vai brincar com os opostos


‘A dupla Walcyr Carrasco e Jorge Fernando voltam ao horário das 7 da TV Globo na próxima segunda-feira, com uma comédia romântica ambientada no mundo dos vernissages paulistanos. Caras & Bocas conta a história de Gabriel (Malvino Salvador), artista plástico promissor que, muito jovem, teve de abandonar os estudos para garantir o sustento da família – fritando o típico pastel paulistano.


E como comédia romântica não é comédia romântica sem um amor inicialmente frustrado, no lado de lá, dos ricos, está a mocinha Dafne (Flávia Alessandra), neta de um explorador de diamantes e dona de galeria. ‘A novela conta a história do amor entre duas pessoas diferentes. Ela é rica e sofisticada. Ele, um cara pobre. O Gabriel não chega a ser um grosseiro, mas guardou o sonho de ser pintor numa caixinha e é frustrado por isso’, explica Carrasco que, pela quarta vez, terá uma novela dirigida por Jorge Fernando.


Mais uma vez, Carrasco vai mostrar uma espécie de jornada do herói às 7. Em Sete Pecados (2007), o protagonista Dante (Reynaldo Gianecchini) primeiro perdia as virtudes do bom coração, para depois recuperá-las. No caso de Gabriel, a coisa a recuperar é o sonho de ser artista. ‘A história mostra como ele vai recuperar a sensibilidade, é sobre a redescoberta do sonho. E é capaz que ele volte a pintar’, detalha Carrasco.


Caras & Bocas é história de gata e rato, que se desenvolve nos opostos. De um lado, a São Paulo moderna dos Jardins, onde está a galeria de Dafne. Do outro, os ares de cidade do interior da Lapa, onde está o bar de Gabriel. ‘Morei na Lapa quando era adolescente, e quis retratá-la desta vez. Na cidade cenográfica, inclusive, reproduziram a igreja da Praça Cornélia, onde eu morei’, conta o autor.


A novela começa em 1993, quando Dafne e Gabriel são jovens namorados. A família, claro, não aprova o namoro da moça, e o avô Jacques (Ary Fontoura) dá um jeito de separá-los. A separação só não é do tipo ‘para todo o sempre’ porque a mocinha está grávida de Gabriel. Quinze anos depois, então, a filha deles, Bianca (Isabelle Drummond) sai em busca desse pai que nunca conheceu. ‘Acima de tudo, acho que o Gabriel é um personagem que vai ter grande identificação com o público, porque apesar do temperamento forte, ele é um grande coração, um lutador. É o provedor da casa, que abdicou do sonho quando era jovem’, define Malvino, que começou a compor o personagem quando ainda estava no ar como o Damião de A Favorita, a última novela das 9 da emissora.


Na coletiva de imprensa para o lançamento, há dez dias, durante o clipe de apresentação, as cenas de Malvino no chuveiro só não foram mais aplaudidas do que as do chimpanzé que participa da novela, ‘interpretando’ o personagem Xico.


Em busca de pintores arrojados, Simone (Ingrid Guimarães), sócia de Dafne, encontra o talentoso macaco pintor. ‘Sou muito ligado às artes plásticas. A vanguarda chegou a um código tão complicado, que se tornou muito difícil para o grande público entender por que determinada obra é importante’, observa Carrasco. ‘Essa experiência do macaco que passa por um pintor já foi feita antes, e vou usar para mostrar isso. Ele é um dos protagonistas da novela, a (Elizabeth) Savalla está até brava, dizendo que o papel dele é maior que o dela’, brinca o autor.’


 


 


Alline Dauroiz


Surpresinha do Silvio


‘Silvio Santos anunciou ‘surpresa’ para a noite de anteontem e cumpriu a promessa. Com a exibição, na surdina, de Dona Beija (1986), novela da extinta TV Manchete, o patrão dobrou a audiência do canal no horário. Mas quem não gostou nada da novidade foi Maitê Proeça, protagonista da trama.


‘Só fiquei sabendo hoje (ontem) que a novela foi ao ar’, disse a atriz ao Estado. ‘Não imaginava que isso pudesse acontecer. O SBT me procurou há dois meses, mas não houve acordo’, explica Maitê.


Sobre suas cenas de nudez, a atriz teme pela edição e superexposição. ‘Ao todo, fiz só cinco cenas de nu. E, na época, achava bonito, porque era muito bem feito, inserido no contexto’, explica.


Segundo Maitê, o diretor Herval Rossano a chamava na ilha de edição para acompanhar o trabalho. ‘Agora, como as fitas estão deterioradas, eles vão cortar muita coisa e podem superexplorar outras cenas.’


O SBT diz que comprou a produção da JPO, mesma fonte que extraiu da massa falida da Manchete a novela Pantanal. Na estreia, Dona Beija registrou média de 4 pontos de audiência, o dobro do que o horário amargava.’


 


 


 


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Folha de S. Paulo


Quarta-feira, 8 de abril de 2009


 


TODA MÍDIA
Nelson de Sá


Brasil vs. China?


‘‘Olhe para Brasília, não para Pequim’ foi o título do artigo de Bruce Gilley, cientista político e autor de ‘Political Change in China’, ontem no ‘Wall Street Journal’. Em suma, ele identifica ‘o desafio crescente às aspirações de grande potência da China’ e também ‘o desafio à ordem global vigente’, dos EUA, lançado por ‘um improvável trio de nações com credenciais democráticas impecáveis e sério peso mundial’. Lista como, em quase tudo, ‘a China está do lado oposto’ a Índia, Brasil e África do Sul. Que são ‘as democracias do inferno: usam sua identidade democrática comum para desafiar, não defender, os interesses dos EUA’.


Por outro lado, é para Pequim que Lula viaja, agora. E foi de lá que a gigante de computadores Lenovo anunciou ontem, no site China Knowledge, a decisão de instalar uma fábrica no Brasil e outra na Índia.


‘SOUNDS OF OPTIMISM’


Mais do ‘WSJ’. Ontem a reportagem ‘Do Brasil, sons de otimismo’ destacou que, ‘embora a volatilidade deva imperar no segundo trimestre enquanto os investidores navegam a crise global, os fundamentos apontam ganhos nas ações brasileiras’. Entre outras razões, porque ‘deve prosseguir o afrouxamento’ dos juros. Pela mesma razão, a Bloomberg saudou o país como ‘uma das histórias mais interessantes’ dos emergentes, agora ‘mais estáveis’.


Ao fundo, o ministro Guido Mantega deu entrevista ao alemão ‘Die Welt’. Falou da ‘situação mais confortável’ do país e fez previsão de ‘desaceleração’, não recessão.


‘GRAND STRATEGY’


Na charge para a coluna do ‘FT’, os muitos pesos de Obama, da economia ao Afeganistão


O colunista Gideon Rachman fez um balanço de Barack Obama na Europa, no ‘Financial Times’. Lembrou do ‘desastre econômico’ aos ‘europeus que não ajudam’ e concluiu que, apesar de ‘inusitadamente inteligente’, ele pode ser ‘O homem certo na hora errada’, título do texto.


Já David E. Sanger, no ‘New York Times’, diz que ele traçou na viagem as ‘linhas de uma grandiosa estratégia Obama’. Falou contra ‘terroristas, mas não tiranos’. Deu ‘boas-vindas a China, Índia e Brasil em papéis centrais e permanentes na decisão dos rumos da economia global’. E lançou sua ‘visão de um futuro sem armas nucleares’.


MÃO ESTENDIDA


Na capa do estatal ‘Granma’, ontem, a coluna de Fidel Castro saúda ‘os sete congressistas que nos visitam’. E a manchete, com foto do encontro, ressalta Raúl com os parlamentares negros dos EUA


DE FIDEL PARA OBAMA


Foi também manchete on-line do ‘Miami Herald’ ao longo do dia, com despacho da AP: ‘Fidel Castro encontra congressistas americanos’, mais uma foto antiga do líder cubano em chapéu de caubói. No texto, ‘o encontro parece sublinhar o desejo do governo cubano de melhorar relações com os EUA de Obama’.


CUBA E AS AMÉRICAS


O Departamento de Estado postou vídeo e íntegra de uma entrevista do assessor da Casa Branca para a Cúpula das Américas, que acontece ainda neste mês. Ele cobrou democracia em Cuba e avisou que a eventual liberação das viagens à ilha e do envio de dinheiro pelos exilados ‘não inclui suspender embargo’.


ALGUMA JUSTIÇA


Foi submanchete por todo lado, abaixo do terremoto, ‘A Justiça anula julgamentos dos acusados do assassinato da missionária Dorothy Stang’, no enunciado da Globo.


Nos EUA, a começar do site do ‘Dayton Daily News’, jornal da cidade natal da freira, a decisão repercutiu com despacho da Associated Press, que destacou a nova ordem de prisão do suposto mandante, o fazendeiro Vitalmiro de Moura, e também a determinação de novo julgamento.


‘JN’ VS. FRANKLIN


A Globo destacou Diogo Mainardi, da ‘Veja’, que veiculou denúncia contra o ministro Franklin Martins por episódio envolvendo o irmão Victor Martins. Até três anos atrás, o ministro era o comentarista de política do ‘JN’


‘LOUCO POR JATINHO’


O ‘JN’ volta a atacar Franklin Martins, mas evita os jatinhos de Tasso Jereissati. Já o UOL de Fernando Rodrigues não deixa sufocar a notícia e destacou vídeo sarcástico sobre a prática do senador, ontem na home’


 


 


TEMPOS MODERNOS
Elio Gaspari


Depois do iPod no som, o Kindle no texto


‘SAIU NOS ESTADOS Unidos uma engenhoca que fará a alegria de quem quer atravessar a fronteira dos meios de comunicação impressos, como livros, jornais e revistas. Chama-se Kindle e está na sua segunda versão. É uma tabuleta do tamanho de uma caixa de charutos e a espessura de um lápis, com uma tela pouco menor que um cartão postal. Custa US$ 359 e permite uma leitura confortável. Armazena até 1.500 livros, documentos e correspondência eletrônica. Assim como o iPod fixou um padrão para a música, o Kindle indica o futuro da recepção de textos e imagens sem a necessidade de se estar conectado a um computador.


O Kindle e os próximos produtos do gênero serão o complemento eletrônico dos impressos em papel. O jornal e o livro continuarão por aí, mas parte de sua freguesia migrará para o armazenamento eletrônico. Só um excêntrico lerá seu jornal na tabuleta enquanto toma café da manhã, mas será muito mais prático usá-la num avião, ou numa sala de espera. Por US$ 42 pode-se receber o ‘New York Times’ na tabuleta, contra US$ 150 na banca ou US$ 64 na assinatura durante três meses. Isso tudo só nos Estados Unidos, pois o equipamento funciona dentro de uma rede sem fio que ainda não tem data para chegar a Pindorama.


Se nos próximos anos o Kindle evoluir com a versatilidade do iPod, pode-se esperar que terá uma tela maior, dobrável, receberá imagens a cores e multiplicará sua capacidade de armazenamento, custando a metade do preço de hoje.


O Kindle facilitou e barateou o acesso ao mundo editorial americano. Imagine-se o caso do livro ‘The Lost City of Z’ (‘A Cidade Perdida de Z’), que conta a história do coronel inglês Percy Fawcett, desaparecido em 1924, enquanto procurava na Amazônia a cidade perdida de uma civilização extinta. Faz cinco semanas que ele está na lista de mais vendidos do ‘New York Times’.


Uma edição brasileira poderá demorar um ano para chegar às livrarias. Quem quiser comprá-lo (em inglês) pelo supermercado eletrônico da Amazon pagará US$ 16,50 pelo volume e US$ 10 pelo frete, para uma espera de até um mês. Se tiver pressa, o correio sobe para US$ 37, para uma entrega prometida em seis dias úteis.


Com o Kindle, o freguês conecta a tabuleta ao seu computador e, em dois minutos, baixa as 339 páginas da ‘Cidade Perdida’, por apenas US$ 10 . A engenhoca aceita anotações, sublinha trechos, acha qualquer palavra e dobra o canto da página.


Agora a má notícia: para que um brasileiro possa operar o Kindle, deverá ter uma conta na Amazon associada a um endereço físico nos Estados Unidos e um cartão de crédito americano. Com algum trabalho e a boa vontade de um amigo, é possível contornar o obstáculo. A melhor explicação possível para essa gambiarra está no blog de Antonio Carlos Silveira, sob o título ‘Amazon Kindle, como usar no Brasil’.


Para que o Kindle possa ser considerado uma tecnologia vencedora, será preciso esperar um sinal do professor Delfim Netto, que tem a maior e melhor biblioteca particular privada do Brasil (270 mil títulos). Em Nova York, quando ele vai à livraria Strand, faz-se acompanhar por uma van. Freguês compulsivo do supermercado da Amazon, no dia em que ele ligar a tabuleta terá conquistado o mundo.’


 


 


TELEVISÃO
Daniel Castro


TV digital no celular vai explodir, diz Globo


‘A Globo trabalha com a perspectiva de uma explosão nos próximos meses do uso do telefone celular para sintonizar TV digital aberta gratuita.


Segundo um alto executivo da emissora, em maio chegarão ao mercado celulares receptores de TV digital a cerca de R$ 300. No início deste ano, aparelhos com esse dispositivo custavam de R$ 700 a R$ 1.200.


A Globo aposta em uma popularização do celular com TV, o que alavancaria a TV digital brasileira até a Copa de 2010.


Isso justifica os investimentos que a Globo e suas afiliadas vêm fazendo na nova tecnologia. Até o final do ano, a Globo terá sinal digital em 30 cidades ou regiões metropolitanas, que cobrem cerca de 60% dos domicílios brasileiros. A próxima a ter TV digital será Brasília. Lá, a Globo está improvisando uma antena numa torre de uma empresa de energia elétrica, porque a torre a ser compartilhada por todas as redes só deverá ficar pronta em 2010.


Para a Globo, a compra de televisores digitais de alta definição só deve deslanchar em 2012. Hoje, estima-se em apenas 100 mil aparelhos desses em uso no país. As explicações são muitas: o preço ainda é alto, muita gente comprou TV de LCD analógica há pouco tempo, falta de interesse da indústria em estimular a compra de TV de alta definição e até boicote das lojas na venda de caixas que convertem o sinal digital para televisores analógicos.


CRISE?


O faturamento da Globo cresceu 12% no primeiro semestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2008. Mas a emissora continua trabalhando com a previsão de crescimento de 5% ou 6% no ano. Avalia que este segundo trimestre será o mais difícil.


RECEITA


A Globo atribui o resultado não apenas ao bom desempenho comercial de ‘BBB 9’. Diz que o varejo anunciou mais. E que, em crises, o anunciante tende a concentrar verbas nos veículos líderes.


ARMA SECRETA


Não deu certo a estratégia do SBT de reestrear ‘Dona Beija’ em sigilo. A novela rendeu só 4,5 pontos na segunda, apenas dois décimos a mais do que a emissora dava no horário.


MAIS CABO 1


O Brasil fechou 2008 com 6,250 milhões de domicílios assinantes de TV paga, segundo relatório da PTS, empresa que monitora o setor. Em São Paulo, já há TV por assinatura em 21% das casas, dois pontos percentuais a mais que em 2007.


MAIS CABO 2


Brasília e Belo Horizonte, com 18% de domicílios com TV paga, são as capitais com maior penetração, depois de SP.


CAIU NA REDE


O GP da Malásia de F1 fez a alegria de internautas que se divertem com falhas da Globo. Menos de duas horas após a corrida, já estava no YouTube vídeo que mostrava que Galvão Bueno fizera a narração no estúdio do ‘Globo Rural’, em SP. A imagem foi ao ar acidentalmente durante a transmissão.’


 


 


Bruna Bittencourt


‘Swing’ recebe Caio Blat e Maria Ribeiro


‘‘Desculpa, mas eu vou ter que te fazer essa pergunta: você já fez swing?’, diz Priscilla Rozenbaum a Caio Blat na estreia de ‘Swing’, hoje à noite, no Canal Brasil.


Ao lado do marido, o cineasta Domingos Oliveira, a roteirista e atriz comanda o talk-show no qual o casal recebe outro para uma entrevista. No programa de hoje, a dupla recebe Blat e sua esposa, a atriz Maria Ribeiro, de ‘Tropa de Elite’. Primeiro, Domingos entrevista Maria, enquanto Priscilla conversa com Blat. Depois as duplas se invertem para finalmente se juntarem ao fim do programa.


No desenrolar da conversa, guiados pela dupla de apresentadores, o casal fala sobre suas diferenças (Blat ouve música o todo tempo, já Maria gosta de silêncio), aspectos práticos do casamento (eles dividem as contas, mas guardam dinheiro juntos) e maiores da união (para Blat, sexo é a celebração da cumplicidade do casal; para Maria, é 70% do casamento).


Entre isso, surgem histórias curiosas dos dois (eles não tiveram noite de núpcias porque Maria bebeu muito na festa de casamento).


Sobre o swing -no sentido sexual do termo-, o casal se diz muito ciumento para uma troca de pares.


SWING


Quando: hoje, às 21h30, qui., às 16h, sáb., às 14h


Onde: Canal Brasil


Classificação: livre’


 


 


SEGURANÇA
Erica Naone, Tech Review


Cresce número de ataques políticos que utilizam a internet


‘Quando os conflitos entre a Rússia e a Geórgia começaram, no verão europeu do ano passado, o país menor também se tornou vítima de um paralisante e devastador ataque via internet. Um exército de PCs controlados por hackers ligados a grupos russos de piratas cibernéticos inundaram sites georgianos com requisições falsas, o que tornou praticamente impossível aos sites responder ao tráfego legítimo.


Esse tipo de ciberataque politicamente motivado está se tornando cada vez mais comum, afirmou Jose Nazario, gerente de pesquisa na área de segurança da Arbor Networks.


Em palestra realizada na conferência sobre segurança Source Boston, no mês passado, ele disse que a frequência desses ataques e o número de alvos atingidos têm aumentado continuamente nos últimos anos.


O tipo de ataque dirigido aos sites georgianos é conhecido como DDoS (negação distribuída de serviço, na tradução literal). Os servidores atingidos enfrentam um número excessivo de requisições oriundas de computadores localizados ao redor do mundo inteiro. Muitas vezes, essas requisições vêm de computadores zumbis que foram atacados por hackers.


Ferramentas baratas


Agora, os invasores podem comprar ferramentas como Black Energy ou NetBot Attacker (desenvolvidas por hackers russos e chineses, respectivamente) por menos de US$ 100 a unidade. Esses kits oferecem ao invasor um código já pronto e uma interface simples para controlar um botnet.


Os ataques são frequentemente coordenados por meio de fóruns, disse Nazario. Steven Bellovin, professor de ciências da computação da Universidade Columbia que pesquisa a segurança na rede mundial de computadores, concorda que ataques DDoS politicamente motivados têm se mostrado mais comuns.


Ele afirma que a razão disso é o fato de eles estarem se tornando mais fáceis de serem lançados e mais eficientes.


Um problema complicado no caso dos ataques politicamente motivados, segundo Nazario, consiste no fato de ser particularmente difícil identificar quem é de fato o responsável por eles. Apesar de ser fácil determinar qual PC invadido é a fonte de um ataque, é muito mais difícil encontrar quem estaria pagando pelo ataque.


Atualmente, o procedimento para se defender contra ataques DDoS envolve o bloqueio do tráfego de invasores no ponto mais próximo possível de sua origem e o gerenciamento cuidadoso do tráfego de internet que se direcione a um alvo.


Mas isso pode, muitas vezes, representar um processo político delicado. Os órgãos governamentais podem contratar especialistas e comprar ferramentas a fim de ajudá-los a lidar com um ataque, mas as instituições menores, como os jornais, talvez precisem voltar-se aos seus provedores de internet em busca de ajuda.


‘A tecnologia está aí. É só uma questão de ter acesso a ela’, afirmou Nazario.


Tradução de FABIANO FLEURY DE SOUZA CAMPOS’


 


 


DITADURA
Painel do Leitor


Dilma


‘‘Em respeito à inteligência dos leitores, e para amenizar os danos à imagem e à honra da ministra Dilma Rousseff, aceitei a proposta do editor deste ‘Painel do Leitor’ para escrever uma nova carta, num espaço exíguo, mas sob o compromisso de publicação na íntegra.


Segundo seu editor, o ‘Painel do Leitor’ só publica cartas inéditas, e a que enviei, ainda no domingo, mas não publicada na edição de segunda-feira, como seria de esperar de um jornal sério, já repercutiu reproduzida em outros veículos de imprensa, cuja leitura recomendo.


Para os leitores que tiverem interesse, dou três endereços: www.paulohenriqueamorim.com.br, http://colunistas.ig.com.br/luisnassif e www.zedirceu.com.br. Sob o título geral ‘Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto’ (Brasil, 5/4), a Folha utilizou-se de uma entrevista por telefone a uma jovem repórter. Lamento que o maior jornal brasileiro use a fonoportagem, o lamentável e preguiçoso vício da ‘investigação’ por telefone.


Segundo os editores, o sequestro de Delfim Netto em 1969 ‘chegou a ter data e local definidos’. A que hora e em que local, então, ocorreria? A Folha não informa. O mais grave: acusa a ministra pela ação, lançando uma sórdida anticampanha contra a sua virtual candidatura a presidente. É possível que Dilma, pelas suas tarefas na organização, sequer tenha sido informada sobre o levantamento realizado. Entretanto, a edição oportunista transformou um não fato do passado (o sequestro que não houve) num factoide do presente (o início de uma sórdida campanha), que vai desacreditar ainda mais o jornal da ‘ditabranda’.


Esclareço que Dilma pertencia, sim, à VAR-Palmares, e era uma militante séria, corajosa e humana, mas que era uma militante somente com ação política, ou seja, sem envolvimento em empreendimentos armados. E digo isso com a autoridade de quem era o responsável pelo setor militar da organização, assumindo a responsabilidade política e moral pelas iniciativas da VAR-Palmares.


Por isso, desafio a Folha a esclarecer todos os pontos nebulosos da reportagem de domingo e a publicar a íntegra da entrevista, de mais de três horas, para que os leitores a comparem com a imundície publicada, que constitui um dos momentos mais tristes da liberdade de imprensa e uma vergonha para a imprensa brasileira.’


ANTONIO ROBERTO ESPINOSA, jornalista, doutorando em ciência política pela USP (São Paulo, SP)


Resposta da repórter Fernanda Odilla – A reportagem não afirmou que Dilma Rousseff planejou o sequestro de Delfim Netto. Trouxe, sim, declarações do ex-dirigente da VAR-Palmares, que, pela primeira vez, assumiu que o plano existia e que ele foi seu coordenador. À Folha, Espinosa disse que, no final de 1969, todas as tarefas (as ‘políticas’ e o ‘foco guerrilheiro’) da VAR ‘eram do comando nacional’, citou três vezes Dilma Rousseff como um dos cinco integrantes desse colegiado e, indagado pela Folha em diferentes momentos, afirmou que ‘os cinco sabiam’ do plano de sequestro e que ‘não houve nenhum veto’ deles à ideia. Todas as suas declarações estão gravadas. Na entrevista, Espinosa informou que o sequestro ocorreria num sítio no interior de São Paulo em dezembro de 1969 -informação que reiterou, com mais detalhes, em posterior troca de e-mails com esta repórter.


Nota da Redação – A primeira carta do missivista chegou à Redação às 21h58 do domingo; o ‘Painel do Leitor’ fecha às 20h.


***


‘Achei muito importante a iniciativa da Folha de entrevistar a ministra Dilma Rousseff. Ao ler a entrevista notei que, embora conceitos mudem, a ética, a determinação e a integridade permaneceram intactas.’


UEZE ZAHRAN, presidente da Copagaz (São Paulo, SP)’


 


 


 


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