Sexta-feira, 19 de Julho de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1046
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Repórter é seqüestrado e assassinado

Por Comitê para a Proteção dos Jornalistas em 02/06/2009 na edição 540

Autoridades encontraram nesta manhã (26/5) o corpo de um jornalista que cobria a editoria de polícia no norte do México. Segundo informações da imprensa mexicana, ele foi raptado de sua casa na noite de segunda-feira (25/5). Hoje, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) instou as autoridades locais e federais a realizarem uma investigação completa e a processarem os responsáveis.

De acordo com o diário Milenio, as autoridades encontraram o corpo de Eliseo Barrón Hernández, repórter e fotógrafo do jornal La Opinión de Torreón, no município de Gómez Palacio, estado de Durango, onde ele residia. O subprocurador geral do estado de Durango, Noel Díaz, disse à imprensa que o corpo de Barrón foi encontrado em uma vala com um tiro na cabeça, segundo informou a agência Associated Press.

A esposa do jornalista declarou a repórteres locais que, por volta das 20h00 de segunda-feira, ao menos oito indivíduos armados e com os rostos cobertos invadiram a casa de Barrón, o agrediram e o arrastaram, forçando-o a entrar em um veículo Nissan Tsuru branco estacionado em frente à residência. Ele não foi visto desde então.

Barrón, de 35 anos, havia trabalhado na editoria de polícia durante uma década para La Opinión, situado no estado vizinho de Coahuila, de acordo com o jornal El Universal. Nos dias que antecederam seu seqüestro, o jornalista havia feito a cobertura de um escândalo de corrupção na polícia de Torreón que culminou com a demissão de 302 agentes e a investigação de outros 20, segundo Milenio.

Outro assassinato

As autoridades locais não divulgaram nenhuma pista sobre a investigação nem sobre os possíveis motivos para o seqüestro e assassinato de Barrón. As autoridades federais assumiram o caso, informou o Milenio, ainda que não esteja clara a razão.

‘Condenamos o brutal assassinato de Eliseo Barrón Hernández e enviamos nossas condolências a seus familiares e amigos’ disse Carlos Lauría, coordenador sênior do Programa das Américas do CPJ. ‘Instamos os investigadores mexicanos a examinarem de forma exaustiva o trabalho informativo de Barrón sobre a criminalidade e a corrupção, a encontrarem os responsáveis e processá-los. Os jornalistas devem poder informar sobre temas que afetam a vida diária dos cidadãos mexicanos. A saúde da democracia mexicana depende da capacidade dos meios de comunicação de poderem informar com liberdade.’

Por volta das 17h00 de 3 de maio, quatro indivíduos não identificados balearam Carlos Ortega Samper, repórter do diário El Tiempo de Durango, sediado na cidade de Durango, quando ele se dirigia para sua casa, em Santa María El Oro. Em um artigo publicado na véspera do ataque, Ortega afirmou ter recebido ameaças de funcionários locais relacionadas a reportagens recentes. As autoridades continuam investigando o assassinato de Ortega, mas ainda não divulgaram qualquer informação sobre o inquérito.

Instituições em risco

Segundo o informe anual do CPJ, Ataques à Imprensa, o México é um dos lugares mais perigosos do mundo para jornalistas. Desde 2000, 25 jornalistas foram mortos, ao menos oito em represália direta por seu trabalho, e sete desapareceram desde 2005. A maioria investigava crime organizado e corrupção.

Segundo investigações do CPJ, as autoridades locais e estaduais mexicanas têm sido ineficientes na tentativa de resolver casos vinculados à imprensa e, em algumas ocasiões, foram cúmplices dos crimes. Em junho de 2008, uma delegação do CPJ se reuniu com o presidente Felipe Calderón, que expressou seu apoio a uma legislação que protegesse a liberdade de expressão. Em abril, a Câmara dos Deputados aprovou uma lei que impõe duras penas aos crimes contra ‘a atividade jornalística’. O projeto de lei está parado no Senado.

‘Os sucessivos assassinatos de jornalistas no México se converteram em uma ameaça direta não apenas para a liberdade de imprensa, mas, também, para a viabilidade das instituições mexicanas’, declarou Joel Simon, diretor-executivo do CPJ. ‘O Congresso deve tomar as medidas necessárias para proteger os direitos básicos dos cidadãos mexicanos’ [Nova York, 26 de maio de 2009].

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O CPJ é uma organização independente e sem fins lucrativos, sediada em Nova York, que se dedica a defender a liberdade de imprensa no mundo

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