Quarta-feira, 24 de Abril de 2019
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1034
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CADERNO DA CIDADANIA >

Repórteres desafiam presidente em coletiva

31/08/2006 na edição 396

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, quis atrair atenção da mídia na terça-feira (29/8) ao desafiar o presidente dos EUA, George W. Bush, para um debate televisivo. Porém, na coletiva de imprensa em que fez o anúncio, que durou duas horas, o feitiço virou contra o feiticeiro: Ahmadinejad acabou sendo desafiado por jornalistas locais que questionaram o programa econômico do governo e sua tolerância às críticas da imprensa.


A maratona de perguntas revelou uma das muitas contradições da administração e política iranianas: mesmo com o governo se tornando mais autoritário, ele é abertamente criticado e desafiado por sua performance. A coletiva de terça-feira foi a quarta do presidente desde que assumiu o poder há um ano e aconteceu apenas três dias antes do prazo final dado pelo Conselho de Segurança da ONU para o Irã suspender o enriquecimento de urânio.


Atitude desafiadora


Ahmadinejad aproveitou a oportunidade para manter a postura provocadora diante do Ocidente, em especial dos EUA e do Reino Unido. ‘Eu anuncio que estou completamente preparado para debater temas internacionais com George Bush na TV’, desafiou o presidente. A Casa Branca viu o desafio como uma brincadeira. Ahmadinejad, entretanto, tinha três objetivos sérios com a provocação: tentar posicionar o Irã em um patamar moral mais alto ao fazer os EUA parecerem ser a parte relutante em conversar; separar os EUA e Reino Unido de um lado, e França e Alemanha de outro; e reiterar a recusa do Irã em desistir do enriquecimento de urânio.


Na eclética sessão de perguntas e respostas, Ahmadinejad respondeu educadamente a todos os repórteres – os que o elogiaram e os que o questionaram. Um dos jornalistas disse que não tinha perguntas, mas queria recitar um poema ao presidente. Ao longo da reunião, no entanto, vários assuntos de importância local vieram à tona, a maior parte deles relacionados à economia ou aos esforços de silenciar as críticas feitas pela mídia. Um repórter afirmou que, enquanto o presidente alegava apoiar a imprensa, seu porta-voz havia procurado o judiciário para investigar jornalistas críticos ao governo. ‘Isto contradiz o que o senhor disse’, argumentou. Ahmadinejad respondeu a todas as perguntas, refutando as acusações que eram feitas e seguindo rapidamente para outras questões. Informações de Michael Slackman [The New York Times, 29/08/06].

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