Quarta-feira, 23 de Maio de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº988
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CADERNO DA CIDADANIA > CORRUPÇÃO NA SEGURANÇA

Rio, o estado do crime

Por Luciano Martins Costa em 30/05/2008 na edição 487

A prisão do deputado peemedebista Álvaro Lins e a denúncia do ex-governador Anthony Garotinho por formação de quadrilha armada, noticiadas na sexta-feira (30/5) com destaque nos grandes jornais paulistas e manchete no Globo, lançam uma luz sobre a quase incompreensível ineficiência do governo do Rio de Janeiro no combate às quadrilhas que há décadas dominam as favelas da região metropolitana carioca.


Garotinho e Lins são apontados como integrantes de um esquema de corrupção policial e funcional que dava cobertura a empresários sonegadores de impostos, exploradores de máquinas caça-níquel e jogo clandestino.


Garotinho é apontado como o chefe político do grupo. A Polícia Federal vasculhou sua casa mas não revelou o conteúdo do material apreendido.


Além do deputado peemedebista, foram presos seis outros suspeitos, policiais que faziam parte de sua equipe mais próxima quando ele era chefe da Polícia Civil do Rio, e parentes de Álvaro Lins, entre os quais sua mulher Sissy. Outros três policiais estavam foragidos.


Cadeia de comando


O Globo observa, num de seus minieditoriais, que ‘nunca o crime organizado chegou tão longe como na era Garotinho’, lembrando que a mesma investigação que aponta para o ex-governador envolve a desembargadora Monica Di Piero e a deputada federal do PPS Marina Maggessi.


O jornal observa também que pelo menos a metade dos 70 deputados da Assembléia Legislativa do estado do Rio respondem a processos criminais na Justiça comum ou foram denunciados por crime eleitoral ou irregularidades fiscais. A eclosão da investigação, segundo o jornal carioca, revela o quanto o Estado estaria envolvido com o crime, o que explicaria a perpetuação do poder de bicheiros, a chamada máfia dos caça-níqueis e traficantes.


A Polícia Federal divulgou o conteúdo de um trecho de escuta telefônica no qual Lins pede a Garotinho o afastamento de um delegado que se negava a participar do esquema.
A polícia constatou que o delegado foi realmente substituído por interferência de Garotinho em 2006, quando sua mulher, Rosinha Matheus Garotinho, era a governadora.


O Globo compara o Rio à cidade de Chicago nos tempos do gângster Al Capone. O noticiário revela que, sob o comando do ex-governador, delegados e outros agentes policiais recolhiam propina de criminosos para deixá-los em paz. A notícia do desmanche na cadeia de comando que ligava o crime ao Estado é saudada pelo jornal como uma esperança de resgatar e devolver o Rio de Janeiro à sua população.


Um título do Globo revela muito: ‘Chicago é aqui’.

Todos os comentários

  1. Comentou em 31/05/2008 Marco Antônio Leite

    Caro Ivo, o que falta para essa rapaziada é serem politizados, quem sabe esse comportamento ‘marginal’, com o tempo, desaparecerá, e com ele esse horroroso uniforme escolar, só o tempo dirá. Uma mente politizada vale mais que muitas alienadas. Porém, com a Americanização da mídia televisiva torna-se difícil inverter esse quadro de desleixo que vive a juventude brasileira. Abraços socialistas livres de interferências externa, as quais são nocivas as concepções ainda em formação. Somente a ilustração política que poderá fazer com que tenhamos homens de verdade. Quem viver verá? Espero que nós cheguemos lá!

  2. Comentou em 31/05/2008 Clovis Eduardo

    Lembro que, em um de seus showmícios, cultomícios e louvormícios na Região dos Lagos, entre louvores e palavras de incentivo tocava sempre um sample com os dizeres ‘É 15 Garotinho’. Imagine a minha cara diante desse coro:
    ‘Eu, eu eu , eu quero é Deus! (É 15 heim, Garotinho!). Não importa o que vão pensar de mim, eu quero é Deus!
    (É 15 heim, Garotinho!)’
    Lembro-me quando trabalhei como voluntário pelo PT na campanha de 2006 em São Gonçalo em um dos bairros mais perigosos da cidade, trabalhávamos em um comitê com uma equipe de pesquisas sobre a supervisão de um cientista político formado pela UFRJ (se não me engando). Vivíamos sobre a tensão de sermos alvos de ataques de um candidato envolvido com o tráfico de drogas. Tínhamos a sensação de que a qualquer hora poderíamos ser alvejados por pistoleiros a mando desse ‘Crentino’ que era evangélico e principal candidato de Garotinho na cidade. Foi preciso uma das voluntárias entrar em contato com algumas ‘lideranças’ locais para que pudéssemos andar pelo local com mais tranquilidade.
    Discarações à parte, este candidato gospel certamente foi o pior exemplo do que a corrupção na igreja e o coronelialismo pode proporcionar ao país.

  3. Comentou em 30/05/2008 Alecsander Portilio

    Quando (parte da) Tropa de Elite sai do filme para a vida real.

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