Quinta-feira, 18 de Outubro de 2018
ISSN 1519-7670 - Ano 19 - nº1009
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CADERNO DA CIDADANIA >

Rio, o estado do crime

Por Luciano Martins Costa em 30/05/2008 na edição 487

A prisão do deputado peemedebista Álvaro Lins e a denúncia do ex-governador Anthony Garotinho por formação de quadrilha armada, noticiadas na sexta-feira (30/5) com destaque nos grandes jornais paulistas e manchete no Globo, lançam uma luz sobre a quase incompreensível ineficiência do governo do Rio de Janeiro no combate às quadrilhas que há décadas dominam as favelas da região metropolitana carioca.


Garotinho e Lins são apontados como integrantes de um esquema de corrupção policial e funcional que dava cobertura a empresários sonegadores de impostos, exploradores de máquinas caça-níquel e jogo clandestino.


Garotinho é apontado como o chefe político do grupo. A Polícia Federal vasculhou sua casa mas não revelou o conteúdo do material apreendido.


Além do deputado peemedebista, foram presos seis outros suspeitos, policiais que faziam parte de sua equipe mais próxima quando ele era chefe da Polícia Civil do Rio, e parentes de Álvaro Lins, entre os quais sua mulher Sissy. Outros três policiais estavam foragidos.


Cadeia de comando


O Globo observa, num de seus minieditoriais, que ‘nunca o crime organizado chegou tão longe como na era Garotinho’, lembrando que a mesma investigação que aponta para o ex-governador envolve a desembargadora Monica Di Piero e a deputada federal do PPS Marina Maggessi.


O jornal observa também que pelo menos a metade dos 70 deputados da Assembléia Legislativa do estado do Rio respondem a processos criminais na Justiça comum ou foram denunciados por crime eleitoral ou irregularidades fiscais. A eclosão da investigação, segundo o jornal carioca, revela o quanto o Estado estaria envolvido com o crime, o que explicaria a perpetuação do poder de bicheiros, a chamada máfia dos caça-níqueis e traficantes.


A Polícia Federal divulgou o conteúdo de um trecho de escuta telefônica no qual Lins pede a Garotinho o afastamento de um delegado que se negava a participar do esquema.
A polícia constatou que o delegado foi realmente substituído por interferência de Garotinho em 2006, quando sua mulher, Rosinha Matheus Garotinho, era a governadora.


O Globo compara o Rio à cidade de Chicago nos tempos do gângster Al Capone. O noticiário revela que, sob o comando do ex-governador, delegados e outros agentes policiais recolhiam propina de criminosos para deixá-los em paz. A notícia do desmanche na cadeia de comando que ligava o crime ao Estado é saudada pelo jornal como uma esperança de resgatar e devolver o Rio de Janeiro à sua população.


Um título do Globo revela muito: ‘Chicago é aqui’.

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